segunda-feira, abril 21, 2008

Da poesia, da ternura e do amor...


Final da aula da manhã... intervalinho... depois do teste e das aflições a Carolina aproxima-se...
Professora, a minha avó encontrou este caderninho de poesia da minha mãe e eu agora vou continuá-lo! É que ela guardava tudo o que era da minha mãe...
Tão bonito... Posso fotografar? Posso divulgar? É uma ternura...
Fui autorizada. (À tarde, já havia passado um dos poemas para o seu muito recente blogue... mais um...)





É tão bonito ver esse carinho continuado pelas tuas mãos. A Mãe e a Avó devem estar muito contentes!
...

Cheguei a casa e lembrei-me de outro caderninho.


O meu primeiro caderninho de poesia. Oferecido pelo Tio Berto (mano da Mãe) com dedicatória, no Natal de 1971 - 9 anos acabados de fazer. Nele copiei os poemas dos 7/8 anos, continuando depois a escrita.
Ao folheá-lo descobri isto no fim. Nem me lembrava mais. A vida passa depressa, mas deixa em nós estas marcas de amor que regressam quando menos esperamos.

Aos 13 (altura em que passei para outro) a mudança da ilustração da capa diz tudo. A adolescência a despontar. Um outro estilo, a mesma vontade de escrever.


E depois aquele que foi o último caderno antes de secar por um tempo e regressar depois mais tarde, já bem crescida, à escrita contínua. Nele pintei eu a capa que queria. A introdução cabe a Eugénio de Andrade por quem desde cedo fiquei fascinada (quem sabe se por conta dos primeiros namoros e amores, das primeiras tristezas)...



A vida vai seguindo o seu curso. Pois vai

Mas, na essência, acho que não mudei muito.

Continuo a ser exactamente aquela menina cheia de perguntas e de sonhos que recebeu um caderninho pelo Natal e achou que essa era uma das melhores prendas que alguém lhe podia oferecer...
É com essa menina que eles vêm ter para se abrir, para mostrar as suas coisas. Para falar dos medos que sentem (tanta conversinha com esta Carol sobre o tema do medo... oh Professora mesmo que eles não falem, pensam para dentro e eu acho sempre que estão a gozar com o que eu não sei responder... Aos poucos vai-se soltando, libertando-se dessa fragilidade, desse bloqueio imposto pelo medo do outro e do seu pensamento...).
Pressentem (sabem?) que os entendo. Que lhes conheço os caminhos de dentro. Que não me esqueci do que é sentir assim as coisas com estas idades...
Talvez por isso este apelo do amor e da ternura de que não nos cansamos...
(E se hoje foi um dia cheio deles!)

8 comentários:

eu sei jogar hoquei disse...

Professora vá ao meu blog fiz outro slideshow mas este é só de surf. www.manelcouto.blpogspot.com

3za disse...

Já fui! Bem giro! Deixei comentário...

Anónimo disse...

Passar por aqui é mesmo uma delicia :)bj
Ilda

3za disse...

Sabe bem temperar os dias com ternura... Obrigada! Beijinhos

Fernando Vasconcelos disse...

Lindos livros de poesia. Não sei ao certo onde tenho os meus ... não tinha livros escrevia em folhas, coisas de rapazes menos organizados que as "meninas" :-) ... alguns copiei e sei que tenho algures numa pasta ... outros perdi. Deu-me vontade de os procurar. A ver se um dia faço um post com um deles ... bem haja por nos relembrar estas coisas!

3za disse...

:) Às vezes acontecem estes regressos... muito natural quando se convive diariamente com estas crianças deliciosas que nos transportam para o melhor do nosso passado...

JMA disse...

só um silêncio comovido.

3za disse...

:) Obrigada... A sensibilidade reconhece a sensibilidade... Comove-se quem tem coração grande e aberto às coisas bonitas do mundo...