Fui submergindo aos poucos até ao ponto de vontade de coisa nenhuma. Dar razão a médico, família e amigos. Parar completamente. Tudo concentrado apenas em conseguir arranjar ar suficiente para aguentar um tempo que parece sempre infinito sob o peso de uma coisa qualquer parecida com um mar pesado sobre o peito. Respirar parece de repente uma coisa tão urgente e necessária. Hoje, embora a febre ainda espreite de noite, o primeiro dia em que tive vontade de duas palavras escritas. Bom sinal. Muito bom sinal. E já me apetece conversar. Ar que chegue sem entrecortar as frases. Chegar aqui e encontrar em comentário a sugestão de um leitor para "uma recuperação tranquila" (obrigada, Hugo!) Exactamente o som de que precisava para me ir chegando à tona, para deitar a mão à superfície e me empoleirar nela outra vez. Assinalando a chegada, a quase emersão, partilho aqui esse som que é o que escuto na viagem sossegada de retorno. Desta vez acho que aprendi uma lição qualquer. Espero é que a memória a preserve...
Ainda preciso de mais algum tempo. Dois dias chegam. Dois dias. E depois recomeçar devagarinho, com cuidado, a navegação dos dias. .
Estava prometida a reportagem... Aqui fica o registo (a maioria das fotos é da responsabilidade da Conceição).
Depois deste dia especial há algum tempo... No dia 20 voltou a acontecer outro especial dia (integrado no mesmo projecto, mas com novos visitantes - professores do colégio da Torre, Calvão e da EB 23 de Eixo, todos participantes do Scratch'Ando com o sapo.)
Como explicar as reacções físicas e químicas? As empatias? Os imensos sorrisos? A alegria (que querem tão distante da escola, mas que nos empenhamos em preservar, sobretudo nestas oportunidades de encontro e partilha, construídas pelas nossas próprias mãos nos tempos possíveis)? Como dizer esta espécie de poesia tecnológica feita de gente em volta de máquinas que nunca conseguem ser mais do que a gente que as toca da maneira certa? Como desenhar os traços de um dia que ficará na memória mesmo que fotos não existissem a provar-nos que é possível esta mistura de gerações em gestos de aprender mútuo, em pinturas de partilha activa, em aguarelas suaves de laços que não se esquecerão mais e que não se desatarão? Nem mesmo todos os problemas tecnológicos da sessão (e foram bem mais do que a conta) acabaram com a nossa festa. Sobreviveu, mais uma vez, a nossa paciência para aguentar as habituais dificuldades.
A Conceição traz até nós este sabor a carinho que nos anima e aquece nos dias frios da indiferença que tantas vezes nos rodeia. Este projecto da Universidade de Aveiro tem dito que fazemos alguma diferença no mundo, que somos úteis e podemos ajudar alguém. E isso faz toda a diferença para os pequeninos: saber que as suas aventuras vão ser alicerce de novas e ainda melhores aventuras no futuro, com outros meninos. Com muitos mais meninos, como é nosso desejo.
Obrigada Amigos de Aveiro por mais esta possibilidade de encontro... (e pelos doces típicos que completaram o açúcar do dia...)
... é sem repouso, mas tem esperança: depois de um luar, outro luar e outro ainda... todos os luares possíveis até ser para sempre lua nova.
(Pedimos por favor tempo ao tempo e vamos infinitando a espera, impacientando sonhos com montanhas altas, adiando sempre a última dança sem saber se/que ela já aconteceu...)