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quarta-feira, dezembro 14, 2011
domingo, outubro 16, 2011
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
quarta-feira, outubro 27, 2010
quinta-feira, maio 06, 2010
De descoberta em descoberta (ainda os múltipos de 11)
Já quase todos tinham saído, quando a Inês me chamou por causa de uma "descoberta"... Deixei-a para o fim e fui sentar-me com ela já no intervalo. Aos primeiros minutos, percebi que era coisa "grande" e fui buscar a máquina. Deixo o testemunho...
Dizia-me no fim: aprendemos coisas até nas fichas de avaliação! Se eu tivesse descoberto isto no dia da ficha não tinha tido este exercício incompleto!
Esse momento não ficou encerrado em si mesmo e transportei-o para a aula seguinte. Combinámos, eu e a Inês, não abrir o jogo mas sim dar a oportunidade a todos de chegar às mesmas conclusões ou a outras. Entretanto, como se vê no vídeo, a Inês lá levava na mala outro desafio: como seria com números da ordem dos milhares? Será que era possível descobrir nos quatro algarismos alguma regularidade, tal como havia descoberto em múltiplos de 11 com três algarismos (da ordem das centenas?).
O que se segue aconteceu depois em duas aulas e em mais um tempo de Clube (onde quatro alunos pediram para ficar a trabalhar na investigação matemática, em vez de irem para os computadores.)
Mesmo assim... há dias onde tudo parece possível!
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Ping pong...
Se o Correio da Educação morreu, ele já aqui existe em projecto... como dava a entender a 3za. Vai ser só uma questão de organização. Que não vai demorar.
(JMA, Terrear)
Isto a propósito disto, que deixei na teia uns andares mais abaixo:
JMA no seu Terrear fez um apelo à partilha do lado mais doce e azul (e verde) desta vida de professor e das escolas.Tenho prática da coisa boa. Nunca a esqueço aqui na teia por entre os cinzentos que tentam abafar a educação. Enviei o que se segue. E ontem tive o prazer de ver o texto partilhado no Terrear. Sabem o que senti? Que visão súbita tive?Que o Correio da Educação havia mudado de endereço e continuava a existir... :)
Não deixem de participar!
Eu bem suspeitava...
(E o sexto sentido feminino é infalível :)
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Objectivos individuais...
Agora que o ano começa, e para que comece bem, vou fazer uma promessa ao meu pai e à minha mãe:
Cumprirei os cem por cento do meu serviço lectivo, os mui nobres objectivos do apoio educativo, o serviço não lectivo, sempre de olho bem vivo, para ter pontuação máxima do conselho executivo. Serei a melhor a melhorar, os resultados de alunos, e nunca mais dormirei, se isso significar, provar por A+B que sou eu quem mais consegue abandonos evitar. E ainda, coisa pouca, vou participar que nem louca, na vida do agrupamento, actividades e festas, projectos curriculares, extracurriculares, tudo o que me ordenem chefes e titulares, andarei em roda-viva, somando pontos à toa, não quero que nada me escape, que eu cá sou muito boa e bem pouco dada a ais, quando defino e cumpro objectivos pessoais. Serei moça empenhada, cheia de qualidade na minha participação, e não haverá nenhum chefe que não repare em mim e em tod’esta dedicação. Já nos órgãos de gestão, estruturas de orientação, função de avaliador, de mestre coordenador, pontitos não posso ter... não quis ser titular e portanto por aí, não há nada a fazer (mas livro-me, sim senhor, de ser bem investigada, com pormenor e rigor, pelo senhor inspector). Promessas p’rá formação, não sei se as posso fazer, com o trabalho do mestrado não me sobra qualquer tempo, mesmo que durma pouco e ande sempre a correr... Mas tentarei, ind’assim, ter máxima pontuação, na avaliação de projectos, dos de investigação, cheios de inovação da coisa educativa, que eu por mais que me sufoquem, esbracejo e venho à tona, tentando ser criativa. Prometo relacionar-me, com toda a cordialidade, com todos e mais alguns, escola e comunidade, ter sempre o máximo dos pontos, sorrir a sérios e tontos, desenvolver contra a náusea, tod’a minha imunidade. E preparar, organizar, realizar as actividades lectivas, para que o chefe me dê, sempre sem hesitar, os quatro máximos pontos, seja qual for o parâmetro que esteja a considerar, cumprir objectivos, programas, tudo correcto sem falhas, disfarçando bem as gralhas, usar muitos materiais, ter em ordem dossiers e estimular tudo mais, mesmo agora sem ter tempo para as aulas preparar. E para ele me pontuar, maximizando o número, a relação pedagógica, nas aulas que for visitar, e se convencer também que sou boa a avaliar, recorrerei ao açúcar, chocolates, rebuçados, gelados e mais recompensas, promessas e ameaças, feitiços e outras graças que eu não sou de brincadeiras, ou bem que os miúdos ajudam, p’ra ninguém me mal grelhar, ou bem que se fritam eles se não querem ajudar.
E na auto-avaliação direi o melhor de mim (que se a gente não se amar, quem de nós irá gostar tanto tanto tanto assim?)
No fim de tudo isto, se não garantir um excelente, porque não há lugar na cota e é inconveniente, morderei de novo a raiva, farei um sorriso contente (será melhor prevenir), despeço-me por mais dois anos, na esperança do que há-de vir, que a coisa definhe e morra de enfarte e estupidez e que eu sobreviva à dita, sem ter ferido o amor que aqui me trouxe e me fez (de alma e coração, acordada e alerta, contra todos os absurdos, sem me vergar com a dor) defender com toda a força, a coisa séria que é, isto de ser professor.
Agora que o ano começa, e para que comece bem, vou fazer uma promessa ao meu pai e à minha mãe:
Prometo ser forte e lutar para que o pesadelo descrito não me afogue a inteligência, não me contamine o corpo, não me deforme o sorriso, nem me impeça de sonhar...
sábado, novembro 03, 2007
Diz que é uma espécie de avaliação
Sabem meninos, todos nós estamos sempre a ser avaliados...
A professora também é avaliada? Como?
Seguiu-se a resposta mais politicamente correcta que consegui.
Que eles de certa forma avaliavam permanentemente o meu trabalho (o que é verdade) e me ajudavam a melhorar, que "alguém" haveria de tentar saber se eu era boa professora ou não, se me portava bem ou não e fazia muitas coisas pela escola e pela educação, para depois me dar assim uma espécie de nota(s).
Também expliquei que havia regressado "à escola", que ia ter outros professores a avaliar-me. Que era importante os professores terem condições para estudar e fazê-lo (calei o facto de terem deixado de as ter). E acabei a conversa por ali.
Lembrei-me agora de uma notícia que há uns anos fez eco no Público, a propósito de um eminente especialista em história da arte, com renome internacional (provavelmente um ser batalhador, inconformado e incómodo) que se apresentou às provas de agregação, tendo sido chumbado pelos seus pares. O que tem isto de extraordinário? Todos tinham currículo muito inferior ao dele (razão da notícia).
Conheço casos, na universidade portuguesa, de professores com currículos de relevância internacional extraordinária, sistematicamente preteridos nuns diz que são uma espécie de concursos nacionais para aceder a cargos de professores especiais disto e daquilo e coisas que tais. Alguns são convidados a leccionar em universidades de renome no estrangeiro, onde o seu currículo vale simplesmente pelo que é, sem que se lhe acrescente o perfil incómodo que os afasta dos cargos a que teriam direito.
A avaliação pelos pares, embora tenha as suas qualidades e seja necessária, quando feita com critérios burocráticos e com indicadores absurdos (e que por vezes colocará menos aptos a avaliar mais aptos) é uma espécie de perversidade que o modelo de avaliação introduz neste percurso já tão fragilizado da qualidade da docência. Entre outras perversidades. Não há sequer uma maneira poética de dizer isto. Aliás... olhando para trás... que texto mais desmetaforizado e sem estilo este que vos deixo hoje. Estou sem palavras bonitas para falar de coisas feias. Mas pronto.
Diz que é uma espécie de avaliação.
Se a inteligência se sobrepuser aos absurdos, poderemos, mesmo enclausurados no paradigma, encontrar saídas saudáveis e ter, por outro lado, a certeza que este tem os dias contados e não há-de durar muito...
E construiremos um modelo justo que avalie e simultaneamente promova a qualidade da intervenção do docente e da própria organização em que trabalha.
Não era essa a ideia?
segunda-feira, setembro 10, 2007
Carta, quase...

Carta, quase
Costumo iniciar o ano lectivo com olhos de cor mais clara do que aquela que os genes me concederam. Descortina-se um verde. Por vezes até um azul. Subtis nuances de tela de nuvem. Costumo (re)começar pensando nos gestos novos que continuarão a dar forma ao sonho que embalo no colo. Acreditaria se lhe dissesse que onde há sonhos há gente?
Sempre tomei como certo que mais frutos saboreia aquele que mais semeia. Mas regresso a uma Escola onde a vida se mediu com (des)contas que provaram ser 7 muito mais que vida inteira, 60 maior que 94, caminho dedicado bem menos que estrada curta titulada. E sublinho a ironia que provou poder ser 109, não utilizado com consciente vontade, menor que o 60 de sorte, porque assim coincidiram o número de cadeiras vazias e o número de participantes no jogo do sente-se quem conseguir. E em tantas escolas tantos 100 pontos, ou mais de 100... de pé. A justiça pode ser um jogo de azar... Que matemática ensinarei a partir de agora aos meus alunos? De que diversidade democrática se construirá a escola? (Vejo o desapontamento de órgãos de gestão e professores, sem opção de escolha, tendo na massa anónima atitular tanta competência desaproveitada...)
Costumo regressar de alma fresca. Limpa. Janelas abertas a outras aragens e aves que nem imagino. Gosto de não imaginar tudo, de deixar que viajem até mim palavras em que não pensei. Devo-lhes a eles, que são razão de tudo, esse meu espaço em branco onde podem escrever. Todos temos folhas vazias que precisam de ser pintadas com calma. Com sentido. Com tempo para cozinhar novos agasalhos de Inverno, tecer andaimes fortes. Fazê-lo com os alunos, com os pares na arte, com os pares agrupados por cada turma. Não viver rente ao chão repetindo gestos, sem minutos para os reinventar cooperando. Onde está ele, esse tempo (aridamente gasto), que deixou de ser luz amadurecendo asas?
Costumo repetir baixinho, como mantra, a palavra esperança. Para reforçar a crença num futuro com cara humana. Que eu sei da escola algo que parece ter esquecido: as gentes que lhe enformam a alma não se medem aos números. Costumo escrever um poema. Celebrar. E vou fazer tudo o que costumo fazer. E entrar pela porta de cabeça erguida. E usar quase todos os sorrisos que tenho no corpo.
(Saberei eu, apenas, o certo sorriso que falta e que aqui lhe tento dizer.)
.
segunda-feira, junho 25, 2007
Despedida(s)
Não gosto de dizer adeus. De fechar portas. De virar costas.
Nunca gostei.
A vida acaba por ser um fio contínuo e infinito com chegadas e partidas pelo meio, mas sem despedida(s) em ponto algum do caminho.
No amor, na profissão, na morte... partir e chegar são as palavras que se inscrevem alternadamente na estrada, ficando marcadas nela todas as pegadas, todos os rastos.
Partiu, por exemplo, para já, a hipótese de poder vir a desempenhar certos cargos. Dirão vocês: tu assim quiseste. Quem te mandou dizer não?
Sim, efectivamente. Mas eu não desejava ter de escolher, não com as condições e os critérios impostos, não com esta ideia de duas linhas de água paralelas: uma rio, outra apenas riacho. Preferia o bom senso, a competência provada em vida inteira e não em parco pedaço, o mesmo valor para cada escolha. O respeito pelos que mais viajaram.
Partida sim. Foi-se a possibilidade. Mas despedida não, porque confio, apesar de tudo, numa inteligência qualquer que um dia corrija os erros graves que estão a ser cometidos.
Há algo, por exemplo, a querer chegar que vou empurrando como posso. O desencanto, esse monstro. Não desejo que chegue porque viver desencantado é a única verdadeira despedida que conheço. Despedida da vida.
Mas sinto o seu hálito à minha/nossa volta, aproveitando as frestas do cansaço absurdo gerado por uma forma de organização do tempo que sufoca a missão da escola de criar, inovar, evoluir. Com a partida de toda a lógica, ele tenta entrar no espaço vazio que se vai alargando. Mas resisto.
Porque não me despeço do que alimenta o sonho. Não nos podemos despedir de nada que acrescente flores à vida. Tudo o que nos preenche nos intervalos de ser, parte sem partir. Abre espaço para o novo sem nos deixar um vazio, ou uma solidão.
E é por isso que no final de cada ano, de cada viagem, de cada amor, as necessárias partidas vêem o seu espaço ocupado com novas chegadas que alimentam a renovação de um ciclo que se cumpre ininterruptamente.
E lá vamos crescendo com tudo o que nos dão e nos deixam antes de nos deixar.
Sempre crescendo em direcção a uma luz, a uma claridade maiores.
Fazem-nos falta as partidas, as chegadas. Não sabemos nem podemos viver sem elas.
A recordação aquece-nos nos dias mais frios
Mas despedida(s) não.
Definitivamente, não.
segunda-feira, abril 30, 2007
Dádivas
Houve em tempos um currículo nacional (ainda haverá?). Competências, parece. E a ideia de conteúdos a servir o seu desenvolvimento, penso. E um balanço prometido, nunca feito, a correcção de erros, que os havia. Pois. Mas de há uns tempos para cá, enovelam-me vezes sem conta com a pergunta: deste os conteúdos todos? Todos os previstos para este período? A lei obriga. Diz que é para os pais. Escreve aí o que não deste. E as aulas dadas? Deste todas? Dei sim. Dei todas. Dei. Dei. Dei. Somos generosos, nós professores. Damos tudo. Aulas, matéria, conteúdos, fichas de avaliação (mas parece não importar que os alunos recebam). Percebo finalmente por que se diz tantas vezes que "tiramos" cursos... Tiramos a alguém. Aos professores que o dão, claro.
Lembro vagamente os especialistas que lia (tento continuar a ler), Perrenoud à cabeça, dizendo da necessidade de menos alunos por professor, de mais tempo de preparação de contextos de aprendizagem significativos para o desenvolvimento de competências, de mais tempo para o professor continuar a desenvolver as suas próprias competências, de redução das listas prescritivas de conteúdos. Parece que andamos a fazer a pergunta errada. Talvez experimentar: foram desenvolvidas no aluno as competências previstas? Os alunos aprenderam a pensar, a intervir de forma criativa e justa, e rigorosa, e cidadã, e…?
Havia também uma promessa. Reajustar programas para melhor servir essa nova visão. Onde estão?
Deste tudo? Tudo mesmo? Dei. Dei. Dei.
Pouco interessa como foi recebido o que dei. Jogo centrado no professor. A nota dirá como se colou o conteúdo ao corpo durante o tempo suficiente para provar que o dado foi provisoriamente recebido. Pouco importa se descolar depois. O perigo terá passado. Pouco importa se ficou guardada alguma coisa com serventia que o tempo não leve.
Deste tudo? Dei. Então é só registar na acta. Assunto arrumado e deixam-me ir em paz.
Houve um currículo nacional. Parece. Mas deve ter sido há muito tempo. Mal me lembro. Provavelmente foi-me apenas dado. Deve ter sido isso. Não foi preciso aprender a trabalhar com ele. Reclamo, comento aqui enquanto recordo. Qualquer dia, pronto. Acaba o prazo de validade na memória e deixo de reclamar, de ler os especialistas (onde está o tempo? A necessidade?) para dar, dar, dar sempre a mesma coisa.
Esquecer é o destino do muito que se "dá" na escola enquanto se fizer dela bocas abertas para alimentar à força pássaros sem fome. Faz-me confusão uma escola assim por me lembrar ainda de outro futuro que podia ter sido possível.
(A dádiva devia ser outra...)
domingo, março 25, 2007
Redacção sobre a Primavera
Eu gosto da Primavera.
Gosto do gosto a flores que tem por dentro. Sempre gostei.
Quando recebemos os alunos pela primeira vez é assim uma espécie de Inverno escuro, um desconhecido à espera de se iluminar. À medida que o ano avança, a transparência aumenta e é bom ir descobrindo as cores de que se faz a luz de cada um de nós. Quanto mais nos entrelaçamos, mais botões prometidos se abrem, mais aromas se distinguem, mais percebemos os cuidados a ter com cada um.
Eles depressa ficam a saber que fruto oferece cada professor, nós demoramos mais tempo a entender o sabor que tem cada aluno.
Nunca gostei muito de multidões. Gosto de conhecer rostos, nomes. Adivinhar olhos. Gosto de saber que borboleta sigo, que flor cheiro. Gosto de um ensino artesanal. A Primavera faz sentido tocada, percebida, sentida, conhecida. É na essência desse mútuo cativar que todas as flores desejam abrir-se ao novo e experimentar voar. Mas a escola é campo a querer dispersar-se. A querer deixar-se caminhar sem tempo para ver, escutar, cheirar a rosa.
Acrescentam-se muitos nomes temporários à lista habitual dos seres que nos são confiados (quantas vezes já longa) e espera-se o milagre. Um qualquer. Acredita-se que bom. Mas essa crença sem sentido só revela o desconhecimento profundo da essência deste fértil terreno. É crença de quem ignora o pulsar da escola. E crença assim nada planta. É semente morta.
Cuidar de muitas flores alheias rouba algo ao jardim que é o nosso. Há um limite para a água que sai de nós, para o alimento paciente que partilhamos e podemos receber em troca. A escola não é indústria, máquina acelerada, baixo custo, padrão repetido, cadeia de montagem, produção sem fim, números sem rosto. Ela é agricultura biológica, campo de sementes onde o tempo tem de ter o seu tempo, cada fruto seu tamanho e seu nome, onde a mão toca e sente, os olhos se cruzam, o risco se arrisca, a paciência é virtude e conhecer, plantar, saber, esperar, colher, amar, cuidar, está no centro, na margem, no fim de cada gesto preciso e lento, que acompanha o ritmo das estações sem estufas enganando a vida. Eu gosto da Primavera. Sempre gostei.
Porque lembra o Amor em gestação que me/nos colocou neste caminho. Amor que se renova em cada ano, que constrói, que acolhe, que floresce.
Não quero acreditar que a escola passe a viver de Inverno em Inverno, cheia de pressa, sem florescer a meio. Não quero.
Não quero ter saudades da Primavera e depois não a ver chegar.
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Uma obra de referência
Não é fácil encontrar. Ofereci o meu exemplar (uma edição do Círculo de Leitores, penso que a primeira) à Biblioteca da Escola e adquiri a última edição, por encomenda, numa FNAC.
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.Portugal Animal
Clara Pinto Correia (fotos de José António Cidadão)
Relógio D’Água Editores, 2000 (última edição)
Excerto do prefácio:
“ (...) Este livro não esgota o tema, porque ele é inesgotável. Abre a porta para um novo olhar: os vertebrados terrestres de Portugal Continental à luz da sua taxonomia, da sua morfologia e da sua biologia, mas também à luz do lugar que ocupam na teia das inter-relações do ambiente a que pertencem, pelo que representam como símbolos ou peões de um qualquer dos muitos contos da evolução ou das piruetas da ecologia, e ainda pela parte que lhes cabe das mitologias e das fábulas, pelo seu lugar nas quadras ou nos pavores nocturnos. Portugal Animal é isso mesmo. Para todos os efeitos.”
Como consultar este livro
(excerto da introdução)
"Os vertebrados terrestres da fauna portuguesa (...) estão descritos por fichas próprias para cada espécie, eventualmente englobando breves referências a congéneres ou familiares muito semelhantes (...).
Estas fichas estão agrupadas conforme os tipos de ambientes em que as diferentes espécies ocorrem. Assim o livro consta de treze capítulos, cada um deles relativo a um tipo predominante de paisagem portuguesa (...), abrindo com uma descrição das características geológicas e climáticas que, ao longo da História da Terra e da evolução da cultura humana, deram origem a um determinado tipo de coberto vegetal. (...) Desta forma, o livro tanto pode ser utilizado como puro prazer de leitura, como para recolha de informações sobre uma espécie ou um aspecto em particular, ou ainda como guia de campo que ajudará quem for passar uma semana às montanhas a saber como se formou aquela paisagem, como se organizam entre si os seus vários componentes, e que animais, com que características e histórias associadas, ali se pode esperar encontrar (...)."
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Terrear...

Com o desaparecimento "físico" do Correio da Educação (que passará a ser distribuído apenas em formato digital), foi reactivado pelo director deste periódico, José Matias Alves, o blogue TERREAR.
http://terrear.blogspot.com/ .
Têm sido partilhados nele alguns textos que ainda ecoam na minha (nossa memória) e gosto muito de ir até lá matar saudades, deliciar-me, reflectir, aprender...
O TERREAR não é apenas construído a partir dessas memórias, mas elas representam a sua essência. Uma essência que apetece acompanhar. Bom ter esta segunda oportunidade (primeira para quem não conhece os textos que nos acompanham desde há oito anos). Excelente saber que este periódico passará, como disse há tempos, a ser distribuído gratuitamente em formato digital.
Uma vez que fiz essa divulgação em período sereno de interrupção lectiva, e com muitas distracções familiares a chamar por nós na altura, repito parte do que já divulguei, por saber que devem existir mais interessados em receber o Correio da Educação e que ainda não sabem como o fazer (falo também de professores ou pessoas que residam noutros países - apercebi-me, através do sitemeter que isso já aconteceu).
http://tempodeteia.blogspot.com/2006/12/correio-da-educao-da-asa.html

sexta-feira, dezembro 29, 2006
Correio da Educação da ASA
O Correio da Educação vai passar a ser enviado gratuitamente a todos aqueles que o desejarem, bastando para tal enviar o endereço electrónico para Uma novidade muito boa, mesmo descontando o natural apetite e a consequente saudade-fome da versão em papel, com o seu cheirinho particular, a possibilidade de ser levado para a cama (quantas vezes), de se colocar na mala para ler mais tarde ou partilhar.
Mas é preciso chegar mais longe, poupar no papel e nos recursos mobilizados para o imprimir/distribuir em grande escala (quem não dispensar o papel... tem sempre solução). O nosso CE, em versão digital, torna-se também mais reutilizável ao permitir a partilha de um excerto sem ter de recorrer à cópia exaustiva de textos...
Desculpem-me os mais saudosistas...
Assino-o desde o primeiro número, mas gostei muito da ideia de o receber neste novo formato e já enviei o meu endereço.
Parece que somos 15 000, até ao momento... mas conseguimos ser mais, verdade?
Ajudem a divulgar...
Ano Novo, Vida Nova, CE renovado!
Parabéns e votos de sucesso nesta nova fase de vida da publicação.
Tudo muda? Não...
Existe algo que fica exactamente na mesma:
continuarei a esperar por ti
como sempre esperei
ao longo de todos estes anos.
Há coisas que não podem nem devem mudar...
Deixo-vos aqui o último Círculo Aberto "impresso"
(CE 279)
Até sempre. Para sempre.
Conceber, organizar, gerir, editar e distribuir todas as semanas, durante oito anos um periódico inteiramente dedicado aos professores e às escolas; escrever milhares de palavras, milhares de páginas em modos e registos diversos; para denunciar a tentação do cacifo e do rebanho; para celebrar a dedicação e o profissionalismo das mulheres e dos homens que todos os dias acolhem e nutrem milhares de crianças e adolescentes; para assinalar as rupturas necessárias, as oportunidades entreabertas; para acender a esperança; para tecer os frágeis e fortes fios de uma comunidade de profissionais que não pode desistir de querer construir dias mais claros.
Chega agora a hora de evoluir. Mantendo as promessas e os estilos. Mas alargando a colaboração, diversificando conteúdos e assumindo agora um suporte digital a partir de Janeiro de 2007.
É uma nova etapa do Correio da Educação. Ainda mais exigente, mas certamente mais saborosa e adequada aos tempos e modos em que vivem hoje os professores. Muitas vezes cercados, muitas vezes asfixiados. Muitas vezes (excessivas vezes) maltratados.
Aqui estaremos. Sempre ao lado da dignidade e exigência profissional. Sempre entreabrindo fendas nos muros que nos impedem o caminho. Sempre assinalando recursos muitas vezes invisíveis. Tecendo os laços de uma confiança que apesar de tudo temos de persistentemente tecer.
Milhares de professores conhecem-nos e sabem a verdade das palavras e dos compromissos. Por isso haveremos de continuar. Tecendo o largo círculo aberto de uma comunidade de profissionais cada vez mais alargada e mais solidária. Sempre. Para sempre.
José Matias Alves
quinta-feira, setembro 28, 2006
ECD - Não esquecer...
Porque a palavra tem de passar e o silêncio não é permitido.
Porque é preciso conhecer as ideias que temos, o que pensamos.
Unidade não é pensarmos todos da mesma maneira. É unir pensamentos em torno de algo.
Suplemento do Correio da Educação
25 de Setembro 2006
Ed. ASA
http://creazeitao.googlepages.com/ECD.doc
quinta-feira, setembro 14, 2006
As nossas mãos, encontro de sentidos
Tento despejar de mim todos os cansaços passados, todos os desalentos, todos os pensamentos, preocupações, todos os escuros. Tento acender luz nova nos meus olhos para os teus sedentos. Quero ajudar-te a sentir o prazer de olhar e ver as coisas profunda, vagarosa e demoradamente. Assim nascem as melhores perguntas, as que mais nos fazem caminhar e aprender.
Serás novo para mim. Eu nova para ti.
E haverá no nosso mútuo olá de primeira vez uma coisa fresca de fruta doce de Outono. Hei-de ajudar-te a distinguir os sabores que o saber pode partilhar. E o gosto apurar-se-á em cada colher de sopa mágica que tomarmos na mesa que vamos partilhar. Sei que te darei tudo o que puder, mas pedir-te-ei muito mais do que aquilo que te posso dar. Para que sejas tu a progressivamente saborear, a construir (e não eu através de ti).
E já sei que, provavelmente, as minhas mãos se encherão das tuas. Nelas vais ler os muitos anos na companhia de ti sem seres exactamente tu. Perceberás as mil texturas de que é feita uma estrada. E descobrirás que também consegues moldar formas novas, tornar macio o áspero, encontrar o quente que se esconde no frio.
Te direi, um dia, das minhas causas, das minhas lutas, porque as não esqueço e é por ti que elas se desenham e cumprem. Mas apenas depois de crescermos os dois um bocadinho mais, nesse exercício de aves aprendendo a voar juntas e separadas. As tuas causas, as tuas lutas serão as tuas.
O ano começa e vou até ti de mãos nuas. Porque quero ter espaço para ti em mim.
Quero os meus sentidos livres no encontro com os teus.
Sacudo os restos do pó acumulado do ano que já foi. Lavo-me (procuro lavar-me?) de tudo o que fere o sorriso que te quero dar. Afasto o cheiro menos bom do que é velho e desnecessário, perfumo a preciosidade antiga que faz falta, decido partilhar o aroma dos futuros possíveis. Das flores que semearmos a meias. Mereces um sorriso fresco e claro. Um cheiro a cama feita de fresco. Tudo novo por ser mesmo novo ou apenas porque o é aos olhos de quem vê pela primeira vez o que pensava já conhecer.
E sei que, nos anos contados a partir desse sorriso primeiro, iremos entrelaçar-nos numa teia macia que não prende, e ajudará o difícil exercício de libertação. E abraçar-nos-emos de mil formas possíveis, percorrendo com o corpo bem desperto todos os caminhos reais e sonhados. E hei-de escutar-te sempre, mesmo quando não te ouvir. E ajudar-te-ei a descobrir essa arte preciosa de saber colar os ouvidos ao universo infinito que nos habita por dentro e ao mundo, que tantas vezes dizemos ser pequeno, desarrumado fora de nós. Na escuta se aprende o prazer e a importância do som. Se cresce em cada aventura entranhada nos dias. Tudo é música, até o silêncio.
Vais descobrir. Basta quereres, deixares, aceitares as minhas mãos, quando bater à tua porta. Acreditas em mim se disser que está também nas tuas mãos?
E as minhas mãos na companhia das tuas passarão a ser as nossas mãos.
(Com um cuidado especial, segredo que todos os Professores deviam conhecer:saber sempre, em cada minuto partilhado, onde acabam os meus dedos, onde terminam os meus sentidos e começam os teus... As tuas asas?)
TMM
Correio da Educação, nº 265 , 11 de Setembro
ASA
quarta-feira, maio 17, 2006
Arqueologia dos Sentimentos

Divulgado no suplemento nº 69, 1 de Maio, do Correio da Educação... apontei-lhe uma seta, por pressentir que precisaria dele... fechei os olhos, acho que pedi um desejo, e pronto... Como por magia está nas minhas mãos. (Sorrio, que faz falta sorrir.)
Não resisti a uma visitinha breve, porque são já tantos os livros acumulados para as férias, que vou matando a sede como posso... Abri-o, portanto, e demorei-me um bocadinho mais do que podia, um bocado menos do que queria...
Adeus, até já meu livro. Quase já. (Será que resistirei? Mas há outros ali que decerto ficarão com ciúmes se me aninhar mais tempo em ti...). Tenho o Rubem à espera... (A Boa Nova dos Dias)
Um bocadinho dentro dele que me soube bem, perceberão porquê, foi este:
Necessidade da arqueologia dos sentimentos (p.17,18)
O que esteve soterrado durante muito tempo pode, um dia, converter-se numa fonte de interesse, de valor, de beleza, de felicidade. É, pois, necessário estarmos conscientes do enorme potencial que constitui, tanto para cada indivíduo, como para a instituição escolar, esse incalculável tesouro dos sentimentos e das emoções. Sentimentos para consigo próprio, para com os outros, para com a escola, para com a sociedade. Sentimentos gerados e desenvolvidos na escola. Sentimentos em relação a todos os que a integram.
(...)
A arqueologia contém uma importante dimensão pública. É que esse património, essa riqueza, não pertence, exclusivamente, a cada indivíduo considerado isoladamnete. pertence a toda a colectividade, a toda a sociedade. Os tesouros apenas o são, devido a acordos consensuais entre quem os descobre, analisa, expõe e contempla.
São objecto de estudo, não apenas os conteúdos das emoções, como também os procedimentos e métodos existentes (e que podem ser inventados) para os conhecer com rigor e os trabalhar de uma forma exigente.
Sentimos orgulho nos nossos tesouros, desfrutamos deles, protegemo-los. O sentir não é a única forma de prazer. Pode também existir prazer no conhecer, no descobrir, no partilhar.
Não faz sentido vivermos de costas voltadas, indiferentes e desdenhando riquezas tão deslumbrantes como os sentimentos e as emoções de todos os membros da comunidade educativa."
Miguel Santos Guerra
Arqueologia dos Sentimentos
Estratégias para uma educação de afectos
Edições ASA - Março de 2006
E percebam, também, o meu sentimento por este autor. Não tenho pudor de o confessar. Por isso regresso tantas vezes aos seus ninhos de palavras.
segunda-feira, maio 01, 2006
Persuasão (manipulação) em nome da liberdade
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Porque é que saber que se pode recusar uma coisa nos leva a aceitá-la?
Algumas das técnicas de persuasão assentam no pressuposto da liberdade do persuadido. A palavra "liberdade" designa algo que nos é caro, e alguns especialistas desconfiam que a sua invocação, oral ou escrita, é suficiente para incitar alguns indivíduos a realizarem dado comportamento. Por outras palavras, dizer a alguém que é livre para fazer alguma coisa, normalmente leva essa pessoa a fazê-lo.
Em 2002, os investigadores fizeram uma experiência em que se solicitava a pessoas na rua para doarem dinheiro, referindo que as pessoas eram livres de o dar. Os resultados revelaram que neste segundo grupo havia mais 30% de sujeitos a doar dinheiro e que davam cerca do dobro da quantia média dada pelo primeiro grupo.
Esta experiência foi comprovada posteriormente em condições comerciais e escritas, revelando assim a importância do sentimento de liberdade para desencandear comportamentos espontâneos individuais. Note-se contudo que o referir limites e restrições à acção dos indivíduos (como referir o montante que gostaríamos que fosse dado) normalmente tem como efeito anular a eficácia desta evocação da liberdade.
In Nicolas Guéguen
100 petites experiénces en psychologie du consommateur
(Publicado no Correio da Educação nº 238, 14 Novembro 2005
CRIAP ASA)

Será possível existir uma ilusão de liberdade?
Parece que sim...
Muitos anos depois, existem agora outras formas, bem mais subtis, de condicionar a liberdade individual e colectiva. Olhos atentos e bem abertos para evitar recuos! (Uma Escola que se preze deve ajudar nesta missão do fazer despertar e não contribuir para o entorpecimento da mente.)
História da origem da celebração do primeiro de Maio










