sábado, janeiro 31, 2009

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Problemas e tecnologias variadas...

Um problema...

Tempo... paciência... não impor modelos de resolução... Deixá-los pensar... relacionar... compreender e procurar os seus caminhos...
Corrigir "indicações"... apoiar aqui e ali...

.


Fazer a síntese das várias estradas usadas e reforçar a importância de se encaminharem (quem ainda lá não chegou) para a "elegância" e simplicidade que o cálculo matemático empresta à resolução dos problemas, sem termos de nos suportar sempre "em muletas gráficas de apoio"... importantes, mas para aos poucos irem sendo substituídas por formas de resolução mais eficazes...



Depois dessa aula, na mesma tarde, um aluno recria em Scratch toda a situação.

(Estudar pode ser de tantas formas!)

Scratch Project


Continuaremos as aventuras pelos problemas...


E eu adoro quadros negros, lápis, papel e, também, "outras tecnologias"...

quinta-feira, janeiro 29, 2009

O tempo não chega para tudo...

... mas para eles nunca pode faltar.
Todo o tempo do mundo...

Ajudo, mimo e teço por onde consigo

http://scratchtime.blogs.sapo.pt/

http://gtscratch.blogspot.com/

http://www.geracaobest.blogspot.com/



Destaco algumas das produções que aqueceram a semana neste tempo frio:

Scratch Project




Scratch Project

Scratch Project

(Há mais... mas precisam de um cantinho só para eles :)

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Insólito matinal...

Um dos gatos bem esticado, de pé na janela da cozinha, significa novidade... gato novo nas redondezas... pássaro perto... ganhámos o hábito de ir espreitar quando os vemos espreitar em pose entusiasmada.

Estava longe de ver o que vi .
No jardim encostado ao meu, passeava-se uma garça-real enorme e majestosa (pelo menos um metro de altura), passo ondulante em direcção... ao pequeno laguinho com peixes. (Já as havia observado, de longe, mas sempre nas zonas de rio e estuário... não em zonas habitadas num espaço tão pequeno... coisa rara.)
Por ali ficou pousada nas pedras do lago até voar para o meio do "campo da bola", onde consegui uns registos de fraca qualidade apenas para recordar o momento (eram cerca de sete da manhã... fraca luz e grande distância).

Depois levantou voo e foi para longe.

Na contabilização feita depois do almoço... parece que antes existiam sete peixes no lago... e agora se contam cinco.






Fotos da autoria de outros (para se perceber melhor a beleza da imagem matinal...):

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Grey_Heron_I_IMG_0267.jpg

http://www.avesdeportugal.info/ardcin.html

terça-feira, janeiro 27, 2009

Armadilhas e ratoeiras...

Pois...


Pior do que constipações fortes...

e até o acumular de trabalho a um ponto em que não sabemos bem para onde nos virar... são os problemas de digestão das ficções construídas como se de realidades se tratassem.

E como preciso de uma dieta de recolhimento e concentração, quiçá alguma mudança de hábitos de vida (que implica, também, algum jejum de televisão e telejornais, menos tempo de computador, mais exercício físico e uma alimentação mais ecológica a ver se o sistema imunitário arrebita), fico-me por aqui, sem mais, aproveitando os escritos de quem anda de olhos abertos.


Avaliação internacional da política educativa para o 1.º ciclo elogia as melhorias introduzidas entre 2005 e 2008
Terrear

Já Repararam?
'Umbigo

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Silêncios

Muito trabalho
.
+

=
Falta de inspiração
para
tecer
.
Logo que possível...

domingo, janeiro 25, 2009

Stormy weather...

De a_cor_do com a cor do dia...

>

Perder-me no "espaço" e no azul...

... só por um instante.


Andei na semana que passou a tentar curar de pé uma constipação... recaída este fim-de-semana... o que não admira. Pouca disposição para seja lá o que for. Ainda assim... tomar uns comprimidos e trabalhar... que a vida é como é. Pelo meio, nos intervalos de descanso breve, resolvi cumprir um objectivo sempre adiado: organizar o meu eu mais musical... Faltava este pedaço de mim... separados da teia que estão já a educação-tecnologias e a poesia...
Para um dia regressar à composição (saudade), à poesia das canções ou só mesmo cantar (gravar) coisas velhinhas com um certo piano prometido a acompanhar...
.
Estou sempre a desenhar filmes de futuros...
.
MySpace... here I go!

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Hyperscore - MIT (pintar música)

Mais uma ferramenta tentadora...
(Terei de aguardar por um tempo com mais tempo)

Pistas e a minha primeira experiência...
AQUI

ER - Emílio Remelhe & pseudónimos

Assim simples.
Um homem de palavras e de desenhos e de muito mais coisas que nem se suspeitam.
Contá-lo entre os amigos: enorme privilégio.
Poder dizer que entrelaçámos texto e imagem e assim começou a história: outro privilégio

O norte tem sido generoso comigo.
Podia ser só a musicalidade das vozes de que gosto tanto... mas são os amigos que por lá vivem sempre tão perto do meu sul que lhe conferem o maior encanto...

http://emilioremelhe1.weebly.com/er.html

Mimos especiais...

[troféu+2.jpg]

A Turma dos Golfinhos , o Netescrita e o Miguel ofereceram-me carinhosamente o prémio Dardos

e... três mulheres especiais mimaram-me com o prémio Blogue de Ouro

[blogue_de_ouro.jpg]

Isabel

Anabela

Margarida

Mesmo sem seguir as regras... que o tempo está emaranhado... queria agradecer a todos as distinções... que são como abraços e festinhas na cara que nos alentam e empurram suavemente para a frente...

Obrigada!

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Branco...

Repouso o meu cansaço em ti branco gato onde não preciso de escrever nada.
Os dias pintam-se e molham-se uns atrás dos outros densos à nossa volta sem silêncios pelo meio e eu a precisar deles, dos silêncios, como de folhas brancas, espaços, ar, carinhos mansos, espuma, neve, leveza sem nome, valsa ao luar, nome de princesa, nome de fada... Pergunto-te baixinho por que corremos tanto, em que Primavera ficou o cheiro das minhas rosas?

Ao menos tu escutas o que não tenho para dizer e agradeces os gestos com que afago a nossa solidão sem som. Dom teu e meu este de parar no tempo como se o tempo pudesse mesmo ser parado assim, separado do outro tempo que corre.

Deixa-te ficar só mais um bocadinho a fingir que és meu. Sem nada de importante ou urgente para dizer. A ver se o cansaço voa e restamos apenas nós sem pressa de chegar a outro dia qualquer depois deste.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Iniciativas (a lei no centro)...

Divulgando
'Umbigo

Importante ler e...

(eu vou contribuir)

Desafiar muito... reconhecer... desafiar mais...

Ainda há pouco estava na aula de Ciências com os meus pioneiros do Scratch e, ao dar um pulinho rápido ao portal português, descubro que os desafios da aula já estavam a frutificar.
Mas frutificaram de forma doce: num aluno que este ano ainda não havia regressado ao Scratch, apesar de ser um programador com muito talento.

Se o acontecimento é alheio ao evento de sexta?
Não. Recolhemos e recolheremos por muito tempo o fruto de terem visto o seu trabalho reconhecido e valorizado. Algo tão simples e tão poderoso.
E mais dois alunos vão regressar. O entusiasmo uniu-os a todos de novo em torno do desafio de chegar mais longe.

Porque vivemos tempos de muitas solicitações e, na vida deles, não há lugar para tudo. Têm de fazer escolhas. E depois alterá-las se sentirem que vale a pena.

Dou-me por feliz quando sinto que os desafios têm eco neles.
A minha Buterfly (só com um t de propósito) saíu da aula com um esboço feito no caderno para um projecto sobre o sangue (aqueles planos dela são sempre preciosos) e o Bocas já levava o dele na cabeça sem me dizer nada.
Falávamos há umas horitas da constituição do sangue e das funções dos constituintes e aí está já um projecto sobre os temas que abordámos hoje na aula... Só mais umas pequenas correcções e fica perfeito (por isso não publico ainda aqui). Podem consultar na sua conta Scratch: http://kids.sapo.pt/scratch/users/bocas



Eles já sabem... quando levo a mão à cabeça e interrompo um pensamento... dizem: Lá vai a professora ter mais uma ideia e fazer-nos uns desafios para projectos no Scratch...:)

Não se enganam. É mais forte do que eu.

Conhecem-me (tão) bem! (E eu a eles...)

Bipolaridades

Coisa muito comum na docência.

Na vida.
Sono imenso (é cedo). It's oh so quiet...


Daqui a pouco as aves a cantar despertando o dia. Sentidos alerta.

Oscilações...
Que seria de nós sem elas?
(E sem a música?)




terça-feira, janeiro 20, 2009

Cavaleiro andante... professor?


As expressões numéricas com números racionais...
Testes corrigidos no fim-de-semana. Progressos e alegrias, recuos e apreensões.
Muitos alunos já voam, outros continuam perdidos...
Mais uma vez regresso e procuro o caminho novo na semana nova. Tentar convencer... mesmo quem acha que não se vai deixar convencer. Exigente, paciente, exigente, paciente... ralhando, dando a mão, pedindo, dando a mão, concentrar toda a sua energia e atenção em mim, porque são quase trinta e o tempo urge. Só se salvam aqueles a quem consigo fazer acreditar que é preciso e possível serem salvos e aqueles a quem convenço a incluir o desejo de salvação entre o rol de mil desejos que os povoam, juntamente com um telemóvel da moda e uma psp da cor certa. Pedir-lhes tudo. Nada de mínimos, meias coisas. É para saber, é para dominar não é para ser só assim-assim, só suficiente, qualquer coisinha que se aproveita e pronto. Cada vez mais quero mais e cada vez mais é mais difícil que dêem mais. Desistir? Colocar-lhes a calculadora na mão como já escutei alguém dizer e passar a fazer? Ignorar e culpar? Não. Há momentos para a companhia das máquinas, momentos certos. Outros são momentos da mente sem dedos pelo meio. Outros são momentos da mente aprender com as máquinas. E tudo tem de se entrelaçar na salvação do futuro.
Um brilhinho no olho aqui, um brilhinho no olho acolá. Acho que sim. Agora percebi. Posso dizer? Posso ir ao quadro? Dedo no ar. Afinal é assim? Oh, eu não tinha percebido nada. Sinais de escuta atenta. Perguntas (oh como gosto de os ouvir perguntar, o supremo sinal), interrupções, dúvidas, respostas. Não sei para a próxima se mais dois... se mais três... se muitos... Mas darei tempo às sementes tentando refrear a ansiedade e a pressa.
Quando estou com os pedaços de papel na mão, sem os olhos deles por perto, não é fácil perceber as razões de tantos erros. Coisas tão repetidas vezes sem conta, tão explicadas, tão depois não consolidadas por eles nesse vórtice de vida que os suga para tantas outras coisas que lhes enchem o peito bem mais do que a escola consegue. Mas de nada me serve dizer de culpas da casa, da família, deles, desta vida, deste presente, dos jogos, da tecnologia, das televisões... Eu sou o cavaleiro andante. Tento salvar cada um tal como é, como a vida o fez e continua a fazer. Porque não posso, digo-lhes, estar em vossas casas convosco. Mudar linhas do que se escreve por lá. Têm de ser vocês a decidir o que é importante e a fazer o que é preciso. Autonomia, iniciativa, rumo próprio sem o adulto omnipresente, polícia das horas e dos dias, ou só negligente. Aos 10, aos 11, aos 12... ainda acreditam. Acreditam se o cavaleiro for alguém onde consigam perceber carinho e preocupação verdadeiros no olhar. E acontecem surpresas doces. Já vi tantas. Mas tenho sempre este receio preso na dúvida do ser ou não ser capaz de os salvar quando os vejo em apuros. Acho que temos todos esse medo. E fazemos disso desafio para tentar sempre salvar mais e mais longe.
Então... depois dos sustos que as fraquezas deles me trazem, levanto-me, sacudo o pó (as minhas próprias fraquezas) e lá recomeço acreditando sempre que é possível fazer a diferença e que, por cada alma salva, a escola se redime do mal que (apesar de tudo) ainda encerra neste desajuste profundo entre a vida e o passado (mais que passado) preso dentro dos muros dela.

Justiça?

Recebi a notícia (mensagem enviada por uma colega da escola) sobre a posição crítica da provedoria da Justiça, relativa à avaliação dos professores, antes da enésima simplexifico-correcção sair para a rua.
Hoje essa posição foi divulgada.
E há mais.
Há pelo menos sempre o desejo de que se faça justiça, se remova a trapalhada e se regresse à seriedade.
Gosto de bananas (especialmente se forem da Madeira e um pouco verdes).
Repúblicas delas... não.

A ler:

A Verdadeira Razão Do Simplex2?
'Umbigo

.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Lutar pelo direito delas ao tempo e à atenção...

Quando se sabe que no mundo de hoje cada vez mais os adultos têm menos tempo para as suas crianças e lhes dispensam progressivamente menos atenção de qualidade (excepção feita à atenção que lhes é dada enquanto potenciais consumidores) seria de esperar que a escola se organizasse (como em certos países que estão entre aqueles com melhores resultados nos testes internacionais) para lhes garantir esse tempo, tantas vezes subtraído em casa e na vida pela configuração da correria dos tempos modernos, tempo que é cada vez mais necessário à medida que a sociedade da informação e da tecnologia os afoga numa oferta impossível de gerir sem apoio e ajuda.

Mas não. Somos um país muito especial.
Em vez de fazer os investimentos com mais sentido, à luz do exemplo dos melhores, apostámos exactamente no sentido oposto para poupar uns tostões.
As turmas passaram a ser de maior dimensão, independentemente de integrarem ou não crianças do ensino especial, crianças que não dominam o português, crianças com graves problemas sócio-económicos e familiares (que foram excluídas dos normativos e perderam o direito ao estatuto de alunos com necessidades educativas especiais - tenho mais do que uma em mãos)...
Nem seria preciso que existissem. Sei bem a diferença entre ter 20 alunos ou 28... independentemente de quem lá esteja. Eles precisam TODOS de uma atenção que a escola, neste momento, não lhes consegue dar. Quarenta alunos era coisa que funcionava num tempo que não é o nosso tempo. Ou é para lá que caminhamos?
Os professores deixaram de ter tempo para apoiar, escutar, estar com os seus alunos em projectos paralelos e enriquecedores (sempre usei o meu tempo na componente não lectiva para garantir mais e melhor para os meus alunos e, frequentemente, tal traduzia-se em actividades como ensaios, encontros, trabalho extra e depois apresentações à escola e aos pais). Agora o tempo do professor é distribuído aleatoriamente pelas turmas da escola que não são as suas, em substituições (algumas anedóticas... obrigar as crianças a ter aula de substituição para coisa alguma, das 17 às 18:30, no período em que um professor de Ed. Física gozou a sua licença de paternidade, em vez de irem para casa depois de um dia inteiro metidas na escola!), em apoios de 45 minutos semanais por turma que não chegam para compensar as dificuldades de muitas crianças, em actividades extra-curriculares para as quais não existe tempo de preparação, nem tempo de trabalho de acompanhamento, no caso, por exemplo, de se relacionarem com as tecnologias ou outras actividades que impliquem mais tarefas do que as exclusivamente feitas nesses parcos tempos (que o diga eu ou a Nena que costura fatos noite fora para o seu núcleo de dança renascentista...).
Os professores (a escola) correm agora de um lado para o outro apagando fogos, preenchendo mil papelinhos, reunindo vezes sem conta para pouca coisa, sem tempo sequer para ver os testes ou preparar melhores materiais e melhores aulas dentro do tempo de componente sem aulas que lhes está atribuído.
E não me venham falar da minoria que pouco fazia. Eu não tenho culpa nem tenho de ser prejudicada, ou ver os meus alunos prejudicados, por conta de quem não cumpria. Quem não cumpria, continua a não cumprir, porque o coração não está onde devia estar. Não são mais horas na escola e papelinhos bem preenchidos que definem o bom professor. Está no sangue. É coisa de essência, de alma, de entrega genuína, de postura de escuta e de respeito pelos seres pequeninos à nossa frente. Amor mesmo. E ninguém ama ninguém só por ser obrigado a estar mais tempo com esse alguém sem projecto, sem sentido, apenas porque sim.

Portanto,
este estatuto não serve as crianças que são o mais importante na escola, divide, exclui os melhores, não estimula a formação docente, o investimento sério e aprofundado em coisa alguma...
este modelo de avaliação coloca qualquer um no papel de avaliador sem critério justo, não ajuda o professor que precisa de ajuda para ser melhor professor, permite ao medíocre ter Bom, mas nem com óculos de forte graduação, ou um microscópio electrónico, identifica ou valoriza o trabalho do professor Excelente. Cola-lhe um rótulo qualquer com contas de merecearia e pronto, está feitinho...

Não é rebeldia vã, não é birra, não é nada a não ser um profundo carinho pelas crianças e um medo imenso, intenso, de que tudo o que tem sido feito pela tutela acabe por destruir o que de mais bonito conseguimos construir ao longo dos anos na Escola Pública. Sei bem da minha tristeza agora quando entro pelos portões da escola. Tristeza que só se apaga quando fecho a porta da sala de aula atrás de mim. Passei muito nestes mais de 20 anos e nunca senti nada parecido com o que sinto hoje. Confio no meu juízo, na verdade e honestidade dos meus sentimentos. Não pretendo ser heroína de coisa alguma, nem mártir, ao desistir de ser titular, ao combater este absurdo na escola em todos os espaços desde o primeiro dia, ao decidir não entregar os objectivos individuais nem ser cúmplice deste colossal e perigoso equívoco de trevas em que o sistema educativo vive mergulhado, que afasta os professores dos alunos, que rouba às crianças um tempo precioso que é seu por direito.
Estou apenas, e só, a ser Professora, Mãe, Leoa protegendo por todos os meios ao seu alcance as suas crias e as crias desta terra: o bem mais precioso do futuro de qualquer país.

...........

Dá-me um prazer imenso, no pouco tempo que tenho, escutar as crianças falar do seu trabalho... Precisam dessa atenção para crescer do lado certo da vida. Aqui, no Clube, com alunos que às vezes não são meus (é o caso da Supergirlie - 5º ano, 10 anos) procuro seguir o exemplo do mestre Zen que explicava ao seu discípulo como se alcançava a iluminação da verdadeira sabedoria: comendo, bebendo e dormindo. Ao espanto do aluno que, como argumento, insistia que todos faziam isso, o mestre respondeu: pois é... mas nem todos comem quando comem, bebem quando bebem e dormem quando dormem. Queria ele significar que a nossa mente tem de reaprender a estar onde nós estamos, atenta ao que fazemos, à magia do momento presente, sem fugir sempre, divagar para onde as preocupações a arrastam. Treina-se essa postura e capacidade com os gestos simples e mais acessórios, para que perdure nos que são verdadeiramente essenciais.
Quando escuto uma criança, escuto-a. Não estou noutro lado qualquer. Estou com ela. Apenas com ela. É como beber uma chávena de chá sentindo o aroma, o sabor, o calor da chávena nas mãos e tomar consciência de tudo isso sem deixar a mente desviar-se um milímetro sequer das sensações ali, naquela hora.

Isso só pode acontecer numa Escola crítica, com tempo, respeito, serenidade, pacificação...
Essa é escola que eu imagino, desenho mentalmente todos os dias... muito diferente desta que temos. É por uma Escola digna desse nome que cumpro os gestos diários com as crianças que acolho e escuto. É por ela e por elas que luto.

Mais uma vez...

(Roubado ao 'Umbigo AQUI)

domingo, janeiro 18, 2009

Não desistimos... nem ele, nem eu...

Ele regressou…

No recanto "muito mais" continuo a contar a história e a partilhar os nossos diálogos... Finalmente hoje consegui tratar os vídeos de quinta-feira para colocar no blogue do Clube e fazer a adenda...

Receei perdê-lo. Ainda bem que não. Gostava que esta(s) história(s) acabasse(m) sempre com "viveu feliz para sempre". Mas não posso ter certezas. Só posso dar de mim e estar lá por inteiro quando o tenho mesmo à mão de semear flores e números e ele quer e deixa. Esses são os meus objectivos... mas não deviam ser individuais... deviam ser colectivos, estar inscritos numa missão com condições para ser construída na prática e começar de cima com o exemplo do carinho e do respeito pelo outro...

Esta é...

uma noite. Mais uma noite.


Quase sinto...

... o sabor que não tem
este

www.vladstudio.com

Descobri este poema antigo perdido na teia, escrito por causa disto... e que, por alguma razão estranha, não ficou a morar no Sabor de Palavra (logo ele...). Agora mora exactamente onde deve estar... (Aqui entre nós... com os muitos testes para ver e a tarde que me espera, continuação da manhã, só mesmo, na ausência de uma tarte, trincar e roer um poema de maçã.)

Sem pressa...

... quase


sábado, janeiro 17, 2009

Gosto de histórias

Partilho uma de que gostei.
(Vão perceber porquê.)

Sabedoria chinesa

A luz e o escuro...

O lado luz:

Acabei de descobrir aqui:
http://cisnedourado.blogspot.com/2009/01/sapo-kids.html

A pipoca (cisnedourado no Scratch - presente no evento) fala do dia de ontem por sua iniciativa... :)

São estas as coisas doces, as conquistas, a autonomia que se desenvolve perante os nossos olhos, sinais do crescer que vão deixando espalhados por aí. Têm onze anos e qualquer dia, mais uma vez, terei de me despedir deles e deixá-los voar para o 3º ciclo. É isto que me faz continuar a lutar com todas as forças para evitar que a mágoa provocada pela desinteligência deste sistema educativo nos congele e abata o espírito e nos faça desistir de dar muito mais aos nossos alunos. Eles merecem cada pedaço de esforço e retribuem, sem pedirmos nada, com um carinho infinito que nos alenta.

(Depois de criarmos o blogue da turma, GTScratch, alguns alunos, sobretudo alunas, motivados pela ideia e pela prática, criaram os seus blogues individuais onde vão aprendendo a partilhar interesses e trabalho com o mundo, mais ou menos regularmente.)




O lado escuro:

...Pena tenho eu da escola, com este Ministério da Educação, ter passado a estar organizada sem componente não lectiva que permita aos professores acompanhar virtualmente e presencialmente esta vertente do trabalho dos seus alunos, aproveitando o seu natural interesse pela "máquina" para desenvolver competências de comunicação escrita e muitas outras relacionadas com o desenvolvimento da fluência tecnológica. Confesso que não estou a conseguir fazer o acompanhamento destes seus espaços como desejaria e, assim, embora se aproveite algo, ficam por lá os erros (não gosto nada)... espelhando que há esforço, mas não há quem os acompanhe (nas minhas turmas apenas eu vou tentando fazê-lo e não chego a tudo... corrigir entradas... comentar... responder aos apelos deles...). Nos Objectivos Individuais do ME deve constar qualquer coisa como: oferecer muito equipamento aos alunos (à escola, ainda estamos para ver... continuo a lutar com as mesmas dificuldades da falta de acesso a equipamentos e número insuficiente de computadores para os alunos na aula... e só não tenho o problema recorrente da internet porque ofereci um linksys à escola e criei uma rede sem fios estável fora da fraca rede portáteis CRIE, para os meus alunos poderem trabalhar com o Scratch sem desilusão continuada...) e retirar todo o tempo disponível aos professores para eles fazerem alguma coisa interessante com os recursos tecnológicos disponíveis, que devem servir apenas para pôr os alunos a consumir um monte de jogos previamente instalados... para "debitarem" as aulas da mesma maneira mas com uns powerpoints giros... e, ainda, acrescentar à vida dos docentes umas quantas burocracias a ver se eles deixam de ter tempo de pensar e até de se queixar... e penalizar aqueles que se lembrarem de fazer mais coisas do que devem com os alunos, porque é perigoso e subversivo desenvolver o sentido criativo e crítico nos cidadãos...

Adiante.

Melhores e mais iluminados dias virão. Há é que lutar por eles com persistência que eu cá não acredito em milagres (a não ser os que nascem das nossas mãos)...

Não entregar os Objectivos Individuais - razões

Via 'Umbigo
Comentário No Público





Acrescento que, entre muitas outras razões, um modelo e uma escola que penalizam os professores na sua avaliação por faltas dadas a servir a causa da educação não é coisa séria e prejudica fortemente aquilo que deveriam ser "os objectivos individuais" (estarão escritos nalguma folhinha de papel?) do Ministério para melhorar a qualidade da educação e do trabalho nas escolas. (Ontem, para apresentar a comunicação no evento de apresentação do Scratch no Sapo Kids, tive uma falta que me retiraria a hipótese de ser excelente, já que é preciso 100% de assiduidade para tal... e encontrei um colega de outra Escola, coordenador TIC - foram convidados para o evento - também a faltar por conta das suas férias por não lhe ter sido justificada a falta de outra forma.)

A única nota triste do bonito dia de ontem é que as palavras Escola de Azeitão, alunos, professora foram várias vezes falados mas, como me dizia esse colega, aparentemente estávamos ali apenas em representação pessoal (fomos obrigados a usar um dia de férias para tal...) e não do Ministério da Educação nem da escola onde estamos.

Não consigo calar estas injustiças, mas posso com palavras e gestos dizer da minha tristeza e revolta.
Um sistema que conta pontos sem nexo, cria avaliadores quase por geração espontânea e penaliza quem mais se dedica, não me merece confiança. Isso não significa que trabalhe menos, já devem ter percebido. Renasce-me a esperança sempre que leio as notícias e as posições de muitas escolas país fora que se conseguiram organizar para dizer não de forma clara e alta. Bem hajam por isso.
Poucos ou muitos, ajudaremos no possível não entregando os nossos por aqui. São posições individuais. Cada um aje de acordo com a sua consciência e visão das coisas...

E há quem faça muito mais...

Demissão da nossa Presidente do CE
A Presidente do CE da Esc. Sec. Seb. da Gama
(Setúbal) anunciou hoje numa reunião Geral de Professores que irá pedir a demissão do cargo no dia 21 de Janeiro de 2009. Este anúncio foi recebido pelos professores presentes com uma salva de palmas. ver aqui
AQUI

Apresentação do Sapo Kids (Scratch)...



Mitchel Resnick e equipa da PT Inovação que trabalhou na criação do portal e na aplicação portuguesa. (fonte)

Álbum completo AQUI

Notícia PT - AQUI

Clarificando o essencial...

O Scratch sempre permitiu construir projectos em língua portuguesa. Foi um objectivo central do trabalho do MIT disponibilizar para o mundo uma ferramenta que qualquer criança pudesse usar. E tem sido usado no mundo inteiro nas várias línguas. Na opção linguagem podia e pode sempre escolher-se a língua desejada (recentemente, com a versão 1.3, foi até possível estender as opções a caracteres cirílicos, árabes, chineses...). Tem havido alguma imprecisão nas referências a esta questão que importa esclarecer, porque é a essência de todo o trabalho do grupo do Mitchel Resnick e do MIT - uma visão sempre dirigida para o mundo e para qualquer criança nele. (As experiências na Índia com crianças abandonadas e abusadas, recolhidas em centros, e onde as tecnologias se fundem com a terra... com toda a natureza e tradições, é algo de absolutamente maravilhoso que tive oportunidade de conhecer na conferência no MIT em Julho de 2008).

O que vai acontecer de inovador?

Uma das inovações será a existência de uma aplicação portuguesa (concebida por uma equipa da PT Inovação, em colaboração com a equipa do MIT) que permite instalar o Scratch em computadores com monitores pequenos (e outros, claro) e com uma tradução de muito superior qualidade que substitui a oferecida na aplicação do MIT.

Mais inovador ainda, e central nesta parceria, é a estreia mundial da criação de um portal português de alojamento dos projectos que permitirá aproximar, "aninhar" e facilitar a partilha, comunicação e construção de saberes entre os scratchers de língua portuguesa por todo o mundo. Como o Mitchel sublinhou na sua intervenção, é importante que um portal não sirva apenas o propósito de recolha e partilha de projectos. A comunicação e trabalho em equipa que se desenvolve dentro dela é fundamental no processo de desenvolvimento de competências e isso só se torna possível quando as crianças estão num espaço onde a sua língua está representada extensivamente. Ora isso não acontece no portal do MIT que "fala essencialmente o inglês" tornando-se pouco acessível aos mais pequenos, sendo difícil a criação de comunidades mais locais. A partilha dos projectos nesse espaço português é feita através dessa aplicação nova que pode ser instalada a partir do portal Sapo kids. Mais uma vez, foi a equipa da PT Inovação que construiu esse repositório ainda a precisar de contributos dos utilizadores para ir sendo aperfeiçoado e enriquecido ao longo do tempo.

Esta experiência permitirá ao MIT avaliar os resultados de uma localização, que era sua intenção implementar, procurando a definição de bons modelos e exemplos para a generalizar a outros países interessados (e há muitos... mas é preciso encontrar parceiros com visão e com a dimensão adequada dispostos a investir para que o MIT possa continuar o trabalho de investigação e aperfeiçoamento do Scratch). A nós, professores, educadores e investigadores, interessa-nos a questão educativa e tecnológica e é ela que nos fará procurar o melhor para os nossos alunos e para a escola, aproveitando bem os recursos que são disponibilizados e contribuindo para os aperfeiçoar e enriquecer em múltiplas dimensões.

Temos em mãos a oportunidade de traçar um caminho novo e servir de exemplo para a progressiva criação de portais alojados noutros países e ligados por um cordão umbilical ao "portal-mãe" no MIT. Era um sonho da equipa Scratch do MIT, era um sonho nosso e Portugal foi o primeiro a concretizá-lo.

Uma coisa que não é coisa pouca. Estão todos de parabéns!

sexta-feira, janeiro 16, 2009

(start) From scratch... with Scratch

("subtraído" no twitter SAPO)


O mais especial do dia?

Eles comigo, as suas carinhas sorridentes, a atenção que lhes foi dispensada... O Mitchel Resnick perto de nós. A possibilidade de escutar as suas palavras sempre intensas e cheias de convicção. No final uma foto de grupo com ele. (Acabei de a enviar para o correio da turma.)


Coisas mesmo muito muito especiais?

Estar com com o Fausto de Carvalho da PT Inovação de Aveiro... e com o Carlos Santos da Universidade de Aveiro... onde tudo começou... Não sonhei.
Abraçar a minha Idalina (ai que saudades!) e fazer planos para o futuro com o Scratch pelo meio
Rever alguns amigos... um deles colega de liceu que não encontrava há cerca de 30 anos...
Conhecer pessoas novas com vontade de construir aventuras em torno do Scratch e perceber que esse fio se entrelaça em outros.

Uma coisa saborosa?

O jantar de ontem com o Mitchel, no Lisboà Noite - Bairro Alto (roubei a foto no twitter - SAPO). Só posso agradecer o convite... Foi bom. Muito bom. E divertido...



E chega finalmente o momento de roubar um script scratch do P8... de tanto o cansaço e de alguma apreensão pela antecipação de um fim-de-semana de acumulação de tarefas, por conta das excessivas missões (sem enquadramento)...



Tenho claramente de colocar uma espécie de travão nos meus sins ou...


..........................................

Deixo-vos a apresentação que suportou a intervenção feita no lançamento de hoje do Sapo Kids, para contar a história do trabalho realizado com a ferramenta Scratch, na Turma G do 2º Ciclo. Trata-se apenas de um suporte... as palavras faladas completaram-no.




From scratch... with Scratch
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quinta-feira, janeiro 15, 2009

Tools For Creative Thinking - Mitchel Resnick

http://www.novemberlearning.com/podcasts/Mitch.m4a

We invite you to listen to Dr. Mitchel Resnick from MIT Media Lab. This podcast was recorded at the Building Learning Communities Conference in Boston, MA July 2007.
In this keynote address, Dr. Resnick discusses Tools For Creative Thinking.

http://nlcommunities.com/podcasts/1798/blc06/entry145897.aspx

quarta-feira, janeiro 14, 2009

La fille bien-être e sem palavras interditas

Dois blogues no feminino... de duas Amigas muito especiais.

Serão mais dois blogues da casa, nestes tempos em que a distância se ameniza ao sabermos dos amigos através destes espaços virtuais.

Tenho-vos na outra ponta de um dos meus laços mais especiais. (Vocês percebem...)

Quem desejar perca-se neles e nelas...
Vale a pena!

http://www.lafillebienetre.blogspot.com/


Aves ao peito e ao colo...

Eu já levava as minhas avezinhas ao peito...
Mas ontem, o convite foi estendido aos seus biquinhos sedentos e assim podem ir ao colo, o que é muito mais divertido.

Quando lhes falei do evento e perceberam que eu iria estar por lá, perguntaram logo:
Podemos ir com a professora conhecer o senhor do Scratch?
Eu gostava muito. Mas acho que é assim uma coisa para os crescidos... Levo-vos comigo no pensamento, sempre, e falarei muito de vocês e do vosso trabalho. Sei que é pouco, mas...

Hoje a notícia.
Podem ir. Foram convidados.
Yeeeeeessss!
Organizar pais (terão de ser eles a levá-los e só posso agradecer a paciência e carinho dispensados a estas aventuras todas ao longo do último ano...), boleias, formas de ter lá os seus/meus pintainhos que são o centro de todas as coisas bonitas que aconteceram com o Scratch. Se alguém merece lá estar, são eles. Felizmente, vão ter a oportunidade de conhecer o "Pai do Scratch" (Mitchel Resnick do MIT). Ainda estamos a reunir as tropas para levar o maior número possível de alunos... :)

E ele vai apertar-nos a mão?
E como falamos com ele? Nós não sabemos muito inglês!
Eu ajudo... mas vêem bem a importância de aprender uma língua estrangeira para poderem comunicar-se com pessoas de todo o mundo. O inglês é muito importante!
Oh professora, quem diria que isto ia acontecer e íamos conhecer estas pessoas todas!
O fred também lá vai estar? E o "meo comandante"? (Fausto, da PT Inov)
Sim, vão estar com todos eles!

Matemática da vida:
Às vezes pode colocar-se um expoente na alegria.
E os sorrisos podem estender-se a quase mais infinito em momentos onde o trabalho feito é reconhecido e valorizado.
Tê-los lá é tudo o que poderia desejar para esse dia.

Agora, sim, o coração vai estar inteiro no dia 16.

Porque há sempre (bocadinho de) Beatriz no corpo...

E tinha uma saudade (sede) imensa de escutar...



terça-feira, janeiro 13, 2009

Carta com uns dias de atraso

Eu não me esqueci de ti.
Não. Não foi isso.
A minha cabeça não anda boa para datas nem essas coisas dos números que não sejam os números que ensino às crianças. Se não fossem umas pequenas ajudas, tinha falhado, entre o final do ano passado e o que andamos aqui a semear de novo, alguns dos aniversários mais importantes. A muitos dei os parabéns no dia seguinte e desculparam-me. A outros não dei, mas lembrei-me que os não havia dado. Já foi um passo importante.
Tu és diferente.
Não há maneira de te desentranhar de mim. Vives aqui dentro quer eu queira, quer eu não queira. A verdade, confesso-te, é que quero. Quero sempre. Todos os dias. A verdade é que escolhi ter-te permanentemente comigo em forma de sorriso e a dizer coisas belas serra fora reparando nas aves e nas ondas de pedra. Nada a fazer. Fiz minha esta forma de viver os dias e, por conta desse caminho traçado cedo, tornámo-nos inseparáveis como as palavras o são das folhas onde escrevias os dias uns atrás dos outros.
Vais desculpar-me a carta chegar com alguns dias de atraso. Eu sei que vais.
E sabes porquê?
Porque o que está no centro do caminho não és tu nem sou eu. São as coisas pequenas mais importantes do mundo. E gostamos de cuidar delas. Acho que me inspirei no teu amor para dar forma ao meu. Tanto me faz que sejam crianças, flores, pássaros... é no respeito e no carinho com que as olhamos que revelam a grandeza incomparável que se aninha nelas. Coisa fora do alcance de muitos homens. É preciso ser jardineiro cuidador para perceber. Tu sabias da importância de viver feliz na escola. Da exigência que sabe estender a mão. Procuro em segredo os teus passos sempre que a falta de luz tenta perder-me do caminho.
E por um acaso cheio de intenções mágicas, acabei a viver na tua terra como se mais terra nenhuma fosse possível. Talvez te quisesse ainda mais perto do que já estás. Para me lembrar melhor.
Para não esquecer nunca aquilo que é importante.
Perdoas-me?



Nem só de tecnologia...

Esclarecendo...
A verdade é que na escola uso muito menos tecnologia do que precisava e deveria... Não confundam o meu entusiasmo, partilha de pistas, produção e experiências... com imensidade de recursos disponíveis a todas as horas na escola. Nem confundam o meu entusiasmo com a ideia de que tudo gira em torno da tecnologia para mim. Nem só de tecnologia deve viver a escola, nem a vida... Nós é que escolhemos a importância e o tempo que ela ocupa a nossa existência.
Mas gostava, claro, de poder fazer a opção sem estar condicionada pela permanente falta de acesso ao equipamento...

A maioria do tempo que passo com os alunos é sem computadores por perto em quantidade suficiente para colocarem as mãos na massa (sala com um PC e quadro electrónico portátil é bom, apenas uma vez por semana em Matemática, mas não chega para pôr em prática as muitas coisas que gostaria de fazer com os alunos).

A turma G não pode aceder a computadores em nenhuma aula que tem comigo (equipamentos e duas salas sempre ocupados com TIC de 3º ciclo). Às vezes Estudo Acompanhado... Só às vezes. A turma B pode aceder apenas em Área de Projecto, quando não há reuniões na sala dos portáteis.

Em síntese?
Verdade, verdade, cada turma tem direito a apenas 45 minutos semanais de clube. Sim. Depois também trabalham um pouco em casa e assim se vai conseguindo a produção que partilho. Pouca para a quantidade de alunos que tenho, essa é que é a verdade, embora de muito valor e qualidade, porque eles são empenhados e eu tento não os desamparar.
Como fiz para ampliar um pouco este tempo? "Colei" a aula de apoio de cada uma das turmas (ficando com muito mais trabalho) a esses 45 minutos de clube para garantir que entre tira portáteis do armário, liga portáteis, desliga e arruma não estivessem apenas meia hora por semana nos computadores e pudessem ficar pela sala mais 45 minutos enquanto apoio quem precisa (mesmo quem não esteja designado para ser apoiado). Não tem sido tarefa fácil: é como se fosse uma aula normal com estratégias diferenciadas... e demasiados alunos, no tempo de estabelecimento e nos 90 minutos da "redução por idade" para além da minha ainda densa componente lectiva (que eu sou velha com horário de menina). Mas... acham que lhes recusaria a inscrição voluntária no clube, quando mais nada têm de parecido como oferta? Pois...

A sessão de clube dos pequeninos tem 90 minutos, mas esses não são meus alunos e não sei que mais tempo têm. No clube são sessenta miúdos ao todo, distribuídos por três sessões, duas das quais têm oficialmente 45 minutos e não 90, como tento fazer todas as semanas com esforço, como se imagina.

Hoje, tal como a Turma G faz habitualmente, alguns alunos da Turma B surpreenderam-me com o pedido de 90 minutos de apoio a Matemática... mesmo com os PCs à mão de semear. Aproxima-se avaliação... e pediram ajuda.

Claro que os acolhi. Que valorizei a sua escolha e decisão (mesmo sabendo que deviam ter o direito a não ter de fazer a opção dessa forma algo cruel: ou uma coisa, ou outra, nesse bocadinho único que temos uma vez por semana).

E foi assim hoje a sessão do clube e do apoio: eu correndo de um lado para o outro (nada de novo aí), fracções, números, do lado do grupo que trabalhava no apoio, coordenadas no projecto do sistema digestivo da Mel e do Anjobranco, os desejos de 2009 da Lilimix e da V. e o cartão animado de Natal do H. do lado dos scratchers...

A seguir saí a correr, sem o segundo intervalo (já tinha perdido o primeiro), para mais uma aula de Matemática. Das 8:15 às 13:15 sem parar um minuto pelo meio.


E, para concluir, provando que o sistema recompensa bem os filhos da nação que tentam empenhar-se em alguma coisa... partilho (mais) um espanto. Aproxima-se um evento importante onde se vai firmar um protocolo "especial" com a presença de um elemento do MIT e me foi dada a oportunidade de falar e contar a história do trabalho com o Scratch nas aulas e fora delas... Aceitei o convite. Passei o fim-de-semana a preparar um slideshow digno e bonito que honre o nosso país aos olhos de um investigador estrangeiro e estimule o público português presente. Uma apresentação com sentido, que motive, que cative, que ajude a semear... Como o evento é na sexta... tenho de faltar nesse dia (em que estarei a trabalhar de outra forma, não só para a escola, mas também para outras escolas...). Mesmo tendo convite formal provando a necessidade da minha presença para apresentar trabalho feito na escola, com crianças da escola (entre os presentes estarão também coordenadores TIC), já me foi respondido (à pergunta se havia uma maneira da escola justificar a minha presença por lá) que esta falta não tem "enquadramento legal" pelo que terei de usar uma falta normal por conta de um dia de férias.
Acrescento apenas que... só muito muito raramente falto. E este ano só tive de o fazer uma vez a uma aula de Área de Projecto (ficando o meu par pedagógico com os alunos)... também para dar uma aula a alunos de mestrado da FPCE da Univ de Lisboa, a convite da professora, sobre o Scratch e o trabalho que desenvolvo na escola. Tudo em "tempo de férias"... porque nada disto é trabalho... tudo isto é triste... provavelmente... tudo isto é fado...
De mim só querem, ao que parece, a entrega dos objectivos individuais.
Um papel estéril que nada dirá sobre quem sou e o que ando a fazer. O "sistema" ficará sem ele, porque para mim há coisas muito mais importantes e dói-me ver a educação e a avaliação dos professores reduzida a esses nadas. Uma empresa privada teria por mim, penso eu, maior consideração. A avaliação serve afinal para quê? Me carimbarem como a um bezerro ou me ajudarem a fazer mais pela escola? Me darem condições para ajudar outros a conseguir um pouco mais, um pouco melhor?
Acontecimento como o de sexta, objectivos que tenho traçados há muito e ando a cumprir com esforço, tantas vezes sem condições, isso não é importante nem interessa muito... De tal forma que terei de fazer esse trabalho... mais uma vez... num dia de férias.
Pois.
(Vou até ali ver uns testes e depois continuar a preparar a apresentação e depois tentar ler alguma coisa - ai a minha tese sem aconchego esta semana! - e depois morrer de cansaço até às 6 da manhã debaixo do fofo edredon novo e dos lençóis de tecido polar. Ninguém me rouba a alegria de participar nestas aventuras! A alegria de partilhar. É que a minha alegria, felizmente, não precisa de enquadramento legal e posso usufruir dela sempre que quero sem pedir autorização a ninguém...)

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Sowing the Seeds for a more Creative Society - Mitchel Resnick



Junto um texto que já divulguei há uns meses na Teia...

Sowing the Seeds for a More Creative Society
Mitchel Resnick
(2007)

Mitchel Resnick (MIT - Scratch) em Portugal

Portugal vai ser o primeiro país no mundo a ter uma aplicação local de Scratch e um portal próprio em língua portuguesa.


Notícias AQUI



(...) O projecto e o novo Sapo Kids que vão estar disponíveis já este mês serão apresentados na próxima sexta-feira numa sessão em que estará presente o responsável do Scratch e professor do MIT (Massachussets Institute of Technology), Mitchel Resnick.

domingo, janeiro 11, 2009

Muitas formas...

de sentir, dizer e fazer...

Top model ruiva...

Toda a semana foi semana de asas e fotografias nas breves idas à cozinha com janela grande sobre o jardim. Sem tempo para mais do que apenas fixar alguns breves instantes. Até um gaio visitou o jardim (muito cedo, sem luz para registos).
A novidade foi a nossa ruiva.
De esquiva com raríssimas visitas, a toutinegra fêmea passou a presença constante com direito a poses diárias para a câmara. Até hoje fotos bonitas mas sem o necessário sol que lhes desse o contraste sem ser necessário grande ajuste. (O macho também vai aparecendo mas menos frequentemente e fica satisfeito com um bago ou dois... já ela... verdadeiros e longos banquetes sem preocupação de dietas).
Talvez por ser Domingo, presenteou-nos hoje com poses dignas de top model. Qualquer dia, em vez de fotografar filmamos o entusiasmo com que se delicia com as últimas romãs (depois teremos de comprar algumas mais e fixá-las à árvore para manter o interesse, sustentar o vício e garantir os regressos que tanto prazer nos dão).



sábado, janeiro 10, 2009

Pôr a vida em ordem... e uma história a fazer de lareira

Embora não saiba bem para onde me virar (desvantagem de não ser um catavento que, mesmo não sabendo, sempre aponta o que é suposto apontar), lá vou tentando pôr ordem no que posso.

Entre muitos papéis, pelo menos consegui fazer a entrada lá para os lados do Clube onde a animação continua. Eles gostam de ver e eu gosto de partilhar.

Acumulam-se outras coisas, que a vida é cada vez mais carrocel (a funcionar com painéis foto-voltaicos) que nem com falta de electricidade pára.

Tenho um poema a bailar na cabeça, e mais palavras a querer sair... Bem tento sacudir, que o tempo é de escrever coisas dos factos e não coisas da imaginação, mas é de tal ordem a vontade que ontem na aula de EA, por conta de um desafio curto de escrita criativa feito às crianças (a precisar muito do exercício da escrita), acabei fazendo o mesmo trabalho que elas tiveram de fazer: concluir uma história com princípio oferecido. Foi apenas um miminho para elas, feito em poucos minutos que, em silêncio, a escutaram já no final da aula, perto das 18:30, com um frio a tentar invadir o corpo e a alma, depois de outras actividades concluídas nas salas feias onde temos de viver.
Uma forma de ajudar a recuperar o gosto pela escrita, pela leitura, depois de termos decidido criar no blogue da turma a rubrica "sugestão de leitura". Ontem já a C me dizia: comecei a ler um livro (algo raro nela) e depois vou ao blogue contar.
Os livros, as palavras e as histórias podem ser assim uma mantinha quente, uma lareira farta que nos aquece e ajuda (um bocadinho) a esquecer o facto de sermos esquecidos...
(Vocês bem sabem que não me alimento apenas de tecnologia... Alguns pediram no fim que lhes desse a história. Vou copiá-la e colocá-la no seu cantinho Geração Best como prometi.)

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Não vai ser um dia fácil na escola...

(Azeitão é o norte do centro/sul...)
Mas, como disse uma vez um engenheiro do ME, na sua infinita sabedoria, enquanto apreciava, a pedido da escola, a urgência de certas obras:
conforto demais não é bom para aprender...

(Há argumentos extraordinários para se justificar a poupança e os nãos...)

Ontem tive de colocar algumas crianças a correr dentro da sala de aula para aquecerem (tremiam)... enquanto outra andava de porta em porta a pedir por favor um aquecedor. Primeiro que não, que não havia. Depois uma funcionária desencantou um radiador que já de pouco valeu, dada a dimensão da sala e o posicionamento dela (barracão antigo no jardim). Hoje vai ser pior do que ontem.

Objectivos individuais? Pois... Como se eu não tivesse nada de importante para fazer... e me sobrasse tempo para devaneios e retóricas.
Criar uma aula de Matemática que os anime, os aqueça e os arranque ao torpor do frio é a minha única preocupação...



E não é que uma das minhas rosas inglesas (David Austin) preferidas (Eglantyne) insiste em não se calar e por mais frio que faça continua a florir como se fosse (para) sempre Primavera?

Pois... :)

ois... Sois CoisA alguma. Pois...

Os Objectivos Individuais No DR 1/2009-A

Os Objectivos Individuais No Decreto Regulamentar 2/2008

via 'Umbigo

quinta-feira, janeiro 08, 2009

E lá para os lados do Clube...

... a energia positiva mantém-se!

Sentia saudades deles e deste espaço quase mágico onde vão simplesmente porque querem e lhes apetece...

Falemos da avaliação das actividades do professor...

Em Julho entreguei um projecto formal para um Clube de actividades extra-curriculares (Clube Scratch time), em impresso próprio, destinado a ser analisado e avaliado no Conselho Pedagógico, com o objectivo de decidirem sobre a adequação das suas (minhas) intenções e actividades para implementação neste ano lectivo.





A avaliação foi positiva e comecei desde o início de Setembro a preparar os materiais e as actividades. Papéis úteis que fazem sentido e mais um blogue de suporte e divulgação.
A primeira sessão do Clube iniciou-se em Setembro e já tinha cerca de 40 alunos (agora são 60).

Findo o primeiro período, nada mais normal do que a exigência de um balanço das actividades que permitirá à gestão avaliar se as coisas estão a correr como previsto e se continua a justificar-se o investimento de tempo feito. Acabei de o redigir para o entregar daqui a pouco na escola.




Não entregar objectivos individuais não significa recusa em ser avaliado. Não significa que não esteja (e estou) a dar o meu melhor. O que eu não preciso é de gastar papel a dizer o que vou fazer, se já o vou fazendo por outras vias tantas vezes (não entreguei o projecto com intenções? Não estou agora a entregar um papel com auto-reflexão e provas do funcionamento da actividade que me comprometi desenvolver?). Se me foi atribuído tempo para apoios e se espera que eu dê o meu melhor por lá... se me foram atribuídas turmas, anos, disciplinas... e não se imagina que eu possa escrever: não tenciono apoiar as crianças, não tenciono ser a melhor professora que possa (e me deixem ser)... então por que razão tanto papel a mais?

Em síntese.
A avaliação do meu trabalho nunca cessa.
Inventar burocracias que nada lhe acrescentam e apenas a tornam numa caricatura em estilo manga-de-alpaca não é servir o bem da educação.