segunda-feira, fevereiro 20, 2006

How Children Fail - 3


(...) O que eu quero salientar agora é que os termos “sucesso” e “fracasso” são conceitos de adultos que nós impomos às crianças. Estes dois conceitos andam a par e são faces opostas da mesma moeda. É absurdo pensar-se que podemos transmitir às crianças um amor pelo “sucesso” sem lhes darmos simultaneamente um igual receio do “fracasso”. Ao aprenderem a andar, os bebés caem com frequência, as crianças de seis e sete anos que aprendem a andar de bicicleta também caem muitas vezes, mas nem uns nem outros pensam, sempre que isso acontece: “Falhei outra vez.” Os bebés e as crianças, ao tentarem atingir objectivos concretos quando caem, limitam-se a pensar:”Bolas, ainda não foi desta, tenta outra vez.” Nem sequer pensam, quando finalmente começam a andar ou a pedalar: “Boa, estou a conseguir!”Pensam o seguinte: “Estou a andar! Estou a andar de bicicleta!” A alegria reside no facto em si, no caminhar ou andar de bicicleta, e não numa qualquer ideia de sucesso. Na verdade, mesmo para os adultos, o “sucesso” (se não relacionarmos o conceito com enriquecer e ficar famoso) aplica-se apenas a tarefas específicas, como, por exemplo, completar um puzzle ou ganhar um concurso, em que simplesmente se consegue ou não. Isto não tem nada a ver com a maioria das tarefas e exercícios que fazemos constantemente durante toda a nossa vida, melhorando com o passar do tempo sempre que os fazemos... (...)

JohnHolt - Dificuldades em Aprender


Lembrei-me hoje da dificuldade dos alunos em lidar com os momentos em que tomam consciência de não ter conseguido atingir determinados objectivos e da falta de persistência e empenho para voltar novamente a pôr mãos à obra, trabalhando para ultrapassar as dificuldades. Lembrei-me do medo de falhar, de desapontar os outros. Do receio de se confrontar com as suas limitações, com a frustração de não ser possível conseguir tudo à primeira.

Demasiadas palmas de cada vez que conseguiram algo que nos agradou, em casa e na escola?


Curioso. Não lhes reconheço estas limitações - tão comuns na escola - quando treinam nos seus skates, patins em linha, ou...

Onde estará a diferença?

6 comentários:

emn disse...

li uma vez, a respeito do bom resultado no PISA na Finlândia, um artigo sobre o ensino primário nesse país... já para não falar de que andam descalços na escola (veja-se o conforto) o ensino desenvolve-se por módulos (como o nosso ensino recorrente) sem qualquer pressão do tempo... quando aqueles objectivos específicos estão interiorizados, então passa-se aos seguintes... (sempre com calma, sem pressão)... o 'sucesso' pode tardar, mas chega sempre...

3za disse...

Tens razão...
Depois de te ler, acrescento à minha pergunta: "Demasiadas palmas de cada vez que conseguiram algo que nos agradou, em casa e na escola?" Outras duas: "Pouco tempo para a prática das competências? Demasiada pressão para a obtenção de resultados sobre curricula demasiado extensos?" E deve haver muitas mais que se podem fazer...

Teresa Lopes disse...

A velha questão do elogio... Será que devemos elogiar só porque o aluno acertou na questão? Não seria suposto acertar? Que coisa é essa de elogiar para dar confiança?... Estou a ficar confusa...

Miguel Pinto disse...

A capacidade de equilíbrio é desenvolvida enfrentando e superando desequilíbrios. A dor e o prazer, avanços e recuos, “cenoura e chicote”, progressões e regressões. É esta a ambivalência da aprendizagem e da vida.

3za disse...

Concordo. E Teresa... eu não resisto a elogiar... não sei é se faço bem. Como tu, estou confusa. Mas muitas destas crianças são já tão frágeis que necessitam frequentemente da confirmação exterior, pois a motivação intrínseca está pouco ou nada trabalhada. Mas faço um esforço para os ir encaminhando, reconquistada a confiança, para a "zona" em que a recompensa é a própria capacidade de ir enfrentando os desafios e ir progredindo com as dificuldades. E, atenção, não bato palminhas! O elogio não é fútil. Procuro que contenha pistas de reforço mas, sobretudo, de chamada de atenção para o prazer que cada conquista pode dar, mesmo quando estamos sozinhos e da necessidade de não nos deixarmos desmotivar pelas dificuldades. E há meninos que, aos poucos, vão descobrindo esse mundo... nomeadamente em casa ao estudar pela primeira vez de forma autónoma e ao trazer para a aula o relato do que foi superado e a lista das dúvidas para esclarecer. Nem preciso de dizer nada: o sorriso já vem com eles. Crescer é, como o Miguel diz, este percurso ambivalente.

Monica (aluna) disse...

"Onde estará a diferença?" Não sei...tavez porque... eu não sei... Nunca tinha pensado nas coisas dessa maneira, mas a verdade é que fazem sentido...

Monica (aluna)