quarta-feira, fevereiro 01, 2006

How Children Fail - 2


(...) Não é o tema da disciplina que torna uma aprendizagem mais válida do que outras, mas sim o espírito com que o trabalho é feito.
Se uma criança está a aprender o tipo de conhecimentos que a maioria das crianças aprende na escola, quando aprende alguma coisa – engolir palavras e depois despejá-las para o professor quando lhe perguntam – então está a perder o seu tempo, ou melhor, estamos a fazê-la perder tempo. Esta aprendizagem não vai ser permanente, nem relevante, nem útil. Todavia, uma criança que está a aprender naturalmente, seguindo a sua curiosidade, até onde esta a levar, adicionando ao seu modelo mental de realidade tudo o que precisa e tudo o que vai apreendendo e rejeitando, sem medo, nem culpa, aquilo de que não precisa, está a crescer em conhecimentos, no amor pela aprendizagem e na capacidade de aprender. Está no bom caminho para se tornar o tipo de pessoa de que precisamos na sociedade e que as nossas “melhores” escolas e universidades não estão a produzir. Essa criança é o tipo de pessoa que, nas palavras de Whitney Griswold, procura e encontra significado, a verdade e o prazer em tudo o que faz. Ela continuará a aprender durante toda a sua vida. Todas as experiências vão tornar o seu modelo mental de realidade mais completo e mais verdadeiro relativamente à vida e, portanto, vão torná-la mais capaz de lidar com todas as experiências novas que a vida lhe coloca no caminho, de uma forma realista, imaginativa e construtiva. (...)

www: JohnHolt, Dificuldades em Aprender, Ed.Presença

Acho que tive muita sorte... com a Família, com a Escola, com a Vida, com as experiências/vivências que foram sendo semeadas dentro de mim. Recordo vários professores excelentes e não apenas um ou dois..

Talvez por isso...
Talvez por isso mesmo continue a procurar e a encontrar significado no que faço. Continue a achar que sei tão pouco e me falta tanto caminho. Que vale a pena combater o mal, lutar por dias mais luminosos.

Talvez por isso duvide tanto e goste tanto de perguntar?

Talvez...

3 comentários:

Teresa Lopes disse...

Como na maioria das vezes, continuo a concordar com Holt. Sucede que, na nossa realidade, as turmas são muito heterogéneas e as crianças têm curiosidades muito diversas. Vêm de meios socio-culturais pobres e com perspectivas de vida muito baixas.Poucas são as que trazem hábitos de pesquisa e vivências diversificadas. Gerir todas estas situações numa mesma turma é complicado. A nossa mestria está aí. E eu nem sempre tenho mestria para tal...

Aijin disse...

Na verdade não posso deixar de concordar com esse post. No meu ponto de vista é essencial motivar as crianças para que elas façam pesquisas e acima de tudo coloquem as suas próprias questões, decidam por elas mesmas. O ser humano sai muito mais enriquecido.
Outro dos benefícios será sem duvida a entrada e a permanência no ensino superior, já que neste tipo de ensino a pesquisa e curiosidade dos alunos é essencial para se obter bons resultados, e é aqui que reside o problema! O choque ao entrar para o ensino superior não é em grande parte por os alunos terem mais trabalhos, mas sim, por até então não lhes ter sido incutido o espirito de procurar, de pesquisar, de trabalhar gradualmente e de maneira saudável. É precisamente nas idades compreendidas entre os 12, 13 anos que deve ser incutido este espirito.

Parabéns pelo Blog.
Inté

3za disse...

John Holt não é um provocador... quem lê o livro percebe que ele acredita e vai "desacreditando" em si próprio vezes sem conta... numa postura de dúvida e questionamento muito saudáveis (qualquer professor deveria cultivar esta postura). As certezas são inimigas do crescimento. Tolhem-no. O facto de escolher estes textos não é, claro, casual, mas eu própria questiono o que tu, Teresa, questionas, as condições reais de exequibilidade, em certos momentos e em certas turmas, a aplicabilidade em toda a sua beleza das técnicas activas de trabalho com os alunos... Por outro lado, Aijin tocou numa ferida dolorosa mas muito real... que miúdos estamos nós a preparar para o futuro? Qual o papel da escola e das universidades? Como trabalhar com os constrangimentos sem perder de vista o que é possível fazer? As incertezas são bem mais do que as certezas que, a bem dizer, são nenhumas. Ou, talvez... seja sempre bem melhor o trabalho global para o desenvolvimento de competências "usáveis" do que a caminhada estéril pelos conteúdos devidamente alinhados (dar não é sinónimo de fazer aprender, continuo a repetir e os efeitos estão por aí à vista). Teremos talvez que encontrar outros desenhos de escola e trabalho, a longo prazo. Para já, sempre que possível, devíamos tentar. Com mais ou menos mestria, piores ou melhores turmas, talvez seja possível encontrar um bocadinho "fazível", um céu "alcançável", uma utopia realizável, por entre o cinzento de certos dias... Ou é esta alma de poeta a falar?
(Obrigada eu, Aijin, pelas tuas palavras... Sempre que te apetecer... estaremos por aqui a tecer uns fios... ou por aí fora a visitar o Mundo.)