sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Agostinho da Silva


A IC hoje deu-me o mote certo nas suas memórias de homenagem a Agostinho da Silva.
Tal como ela, deixo-o falar por si... (como ele gostaria, imagino).
É bom recordá-lo... muitas vezes.



"Sou destas confianças como lição do passado e destes optimismos como vontade de futuro; sobrámos das catástrofes para sermos o que quisermos: e nada há melhor para ser, depois que acendermos a chama em nós, do que espancar com elas as sombras que atemorizam os outros e pelo medo os podem destruir; chegou o tempo de nos prepararmos para as novas viagens, que o soltar das amarras vem aí; e, embora saibamos da eternidade da cruz neste mundo nosso, talvez fosse bom que se substituísse, nas velas que se soltem, pelo liz do Norte dos mapas, do Espírito Santo da Rainha Isabel e da perfeita Trindade, e que, em lugar do que ouvimos no Restelo, repetíssemos os versos do Poeta que já citei:

Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
o inteiro mar, ou a orla vã desfeita -
O todo, ou o seu nada.

Com uma pequena correcção: a de pormos agora mundos em vez de mares; e uma dúvida: a de que talvez não esteja certa a vírgula entre o verbo querer e o poder."

Assim encerra Agostinho o seu livro
educação de portugal


Para melhor o recordarem, podem ir até:

Instituto Camões

2 comentários:

Teresa Lopes disse...

Que comentários faria Agostinho da Silva se hoje estivesse entre nós? O seu discurso, mesmo o oral, era de uma cadência fora do vulgar.
Também partilho esta tua leitura...

Tit disse...

"Sobrámos das catástrofes..."
Das grandes, a nível mundial e das pequenas, a nível mais local. Mas vamos sobrando. Grande responsabilidade!...