Tanto mar (Pouco mar?)
Sei que há léguas a nos separarTanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Dizia Chico Buarque num tempo sem teias. Um tempo de maiores distâncias. Oceanos mais vastos.
composição 3za - baseado em imagens do office clipart
Agora é assim:
Em OUTRÓÒLHAR, há tempos, esta adenda levou-me ao Brasil numa fracção de segundo.
Adenda: Vá ao outro lado do oceano para conhecer a
OFICINA DE PROJETOS.
Fui ao encontro das teias do Vicente e percebi que há mais quem tenha o sonho de fazer destes tempos, tempos de partilha, crescimento, apoio e construção de algo novo em educação. Tempo de pensar uma Escola sem muros.
O Vicente fez o percurso inverso e e navegou até este lado do oceano, deixando por aqui os seus sinais. O seu abraço.
Continua a fazê-lo e, para além da Oficina de Projectos, gostaria de divulgar aqui hoje outras teias suas que conduzem a outros caminhos educativos. Do outro lado encontro as mesmas preocupações, medidas que dificultam a tarefa educativa, queixas e reflexões gémeas das nossas, orientações e apoio ao trabalho do professor. É como olhar no outro lado do espelho...
Tique de professor / informes & reflexões
(antes TIC NA EDUCAÇÃO / CAPACITAÇÃO)
e
MATEMÁTICA NAS OITAVAS
O destino é assim.
Este mar agora já não nos separa. Aproxima-nos. Ele e a língua cheia de cumplicidades.
A teia vai crescendo. A seda chegando mais longe.
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
(Agora, estes belos versos poderiam referir-se apenas à distância entre o que sonhamos, cá e lá, para a educação e este presente conturbado que nos prende e puxa para trás.)
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Naveguemos.
Porque navegar é preciso... (Embora viver também... não é preciso o extremo da anulação, embora o poema traduza um intenso sentimento de dedicação à causa, que é comum a muitos professores...)
Navegar é Preciso
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa in Obra Poética
[Nota de SF
"Navigare necesse est; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]









