terça-feira, março 04, 2008

Não sei se é amargo, se doce...

The classroom is like perishable art. It has an evanescence that makes it, for me at last, energizing and joyful, but also bittersweet, because the events are impossible to hold in time as a complete entity. Being a teacher-researcher, however, has given me some capacity to grab onto fragments of life that is streaming by me.

Karen Gallas
(citada em The Art of Classroom Inquiry, de Ruth Hubbard e Brenda Power... ver aqui)

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Que professor querem todas estas leis? Não é este de que fala o texto, não é este que procuro ser... O tempo chega apenas para fazer e a correr. Não chega para captar, reflectir, pensar, estudar, melhorar. A não ser que, como eu, acabemos frequentemente a dormir 5 horas por noite durante a semana... ou menos, em dias de desespero e trabalho acumulado. Assim será hoje. Ver a última turma de testes, preparar a avaliação de mais uma turma e tentar, se for possível, melhorar o índice desconexo da tese que terá de ser apresentado na aula da noite de amanhã na faculdade, depois de mais uma manhã de aulas. Que fiz hoje? Aulas desde as 8:15 às 12:30. Durante a tarde: reunião/acção de formação informal no âmbito do plano de matemática, com o programa sketchpad. Na próxima semana serei eu a formadora informal e oferecerei o meu conhecimento aos meus colegas no programa scratch. Novamente o dia inteiro fora. Agora a noite para tentar arrumar a vida, sabendo que transbordará e será impossível conter o excesso de tarefas que sobram sempre, sempre, sempre.

Não é queixume. Sou pouco dada a eles. Continuo apenas serenamente o exercício de desocultação, porque estou cansada de ouvir falar de nós como uma classe sem brio, uma classe com medo da mudança, uma classe com receio de ser avaliada. E esse cansaço cansa-me bem mais do que o de noites passadas a trabalhar para poder ser mais e dar muito mais aos meninos que tenho nas mãos. Quem foi que disse que os alunos não estão presentes nas nossas palavras? É por eles que me movo. Que luto. Se eu for melhor, eles recolherão o benefício da minha entrega. Não estarei na rua dia 8 para fugir a nada. Por cor nenhuma, bandeira alguma. Será a minha segunda manifestação em 45 anos (a primeira foi no sábado que passou). Estarei presente para defender o direito a estar mais perto daqueles de quem me querem afastar... o direito/dever de poder estudar com condições e progredir intelectualmente o que, estando consagrado no ECD apenas porque fica lá bem e é bonito, não é possível na prática. Repito que para frequentar as aulas de mestrado, tenho de faltar a algumas reuniões de Departamento e não poderei nunca ser excelente por conta disso e de mais coisas de que já falei, não importa o que o meu currículo diga, ou a minha história de vida e entrega confirmem...

Que me dizem a isto os especialistas em educação de todos os quadrantes e funções, que parecem saber de tudo sem nos visitar, olhando-nos lá de longe e do alto?

Escolhi ser professora por causa dos alunos. Ainda hoje sonho ser a melhor do mundo, mas as leis não querem e ainda me chamam nomes... (Luta desigual.)

2 comentários:

Fátima Campilho disse...

Oi T !
Já dei a minha parcela na direção do sindicato por muitos anos. Hoje trabalho para sobreviver e sustentar meu filho que precisa muito de mim. Tem quase dezesseis anos e hoje disse que das poucas lembranças que tem, só vê uma cena: a mamãe corrigindo provas. NÃO VALE A PENA! Eu também tenho poucas lembranças dele porque quando eu saía ou chegava, ele dormia. Espero poder curtir meus netos!
Também durmo cinco horas por noite. Não fiz nem farei Mestrado
porque não vi melhores salários nem mudanças radicais na vida profissional dos meus amigos.
Continuo lendo meus livros e sinceramente espero ter anos de vida suficientes para ler metade deles.Vivo num país de terceiro mundo e sei que nossas realidades são muito diferentes, porém gosto do que faço e estou cada vez melhor. Ainda bem.
Você chegou a linkar o site da editora do livro que quer para ver se eles mandam para outro país?
Abraços,
Fátima.

3za disse...

:) pois...
(Acabei arranjando a versão original! Obrigada!)
Abraço grande grande