sábado, julho 28, 2007

Noite perfeita...

Chegámos pelas 21 a Lisboa.

Em frente ao Cabaret Maxime (Praça da Alegria) o LA Caffé... ar sofisticado no exterior, entrada moderna - zona de cafés, de computadores, livros e revistas, balcão estilizado, sofás vermelhos. O escuro a convidar.
Logo a seguir a zona do restaurante.
Muitos casais. Ambiente romântico, vista sobre a Avenida da Liberdade, velas e candeeiros iluminando apenas o necessário.
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Massas era o mais rápido. Tínhamos alguma pressa.
Ai a de pato com molho de citrinos! A repetir... Atendimento 5 estrelas.
Lá acabei por perceber que se tratava do Caffé da Lanidor (daí o LA)... por baixo a loja.
Ideia boa, bom marketing, bons preços, ambiente suave.

Tomei o café na zona da entrada.



Dali para o Maxime... apenas atravessar a rua. Aguardar o Tiago... e entrar.

A surpresa de encontrar o antigo Cabaret exactamente como sempre foi. Local onde agora se dança, se apresentam livros e canções, se bebe... se come...



Não conhecia. Bom ir ficando atento às iniciativas que por lá passam.

O reencontro com o Fernando Júdice. Desfiar umas quantas memórias, saber do que foi feito pelos anos fora.
Sempre a mesma doçura e serenidade. Agora com dois filhotes pequenos.


Percebemos que se começaria tarde...
Ambiente intimista, é da praxe atrasar. Deixar a casa encher... passava da meia-noite quando "Na hora secreta" finalmente os SAL começaram a "Despir a escuridão".
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E percebemos logo que a noite ia encher-nos a alma e o corpo.

Umas vezes "Coisas do mar", outras "Instante de paz"...

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"Mesmo à minha frente" a Ana Varela não se contentava em roçar-nos a superfície da pele, entrava por nós adentro. "Ai mas ai de mim" que sem escudo protector me fui envolvendo e emocionando de canção em canção. Ora "Fado fingido", ora "Um sim um não", e nós deixando-nos ir de nota em nota, de surpresa em surpresa. Foi "Pra me perder" que os fui ver e perdi-me... "Um nó cego" enlaçou-nos ao encanto e à magia dos arranjos soberbos combinados com a voz poderosa.
E não foi "Flor do acaso"... este SAL é feito com gente especial que sabe o que faz e o faz com uma entrega e um amor que se percebem som a som.
Eles foram a "Alma do prazer" da noite. Nada mais era necessário.
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Sim , servi-me descaradamente de alguns dos títulos dos excelentes poemas do Tiago Torres da Silva(que neste momento se encontra a escrever para cerca de 26 artistas... onde se encontram cantores e fadistas portugueses e muitos mais daqueles nomes que fazem parte do universo dos consagrados... em Espanha, no Brasil, em Portugal... ). E sabiam que tem ido a escolas falar com os alunos sobre a escrita de livros, de poesia, de canções? Só me ocorre que nunca ouvi alguém falar do Tiago na televisão (embora passe a vida a ouvir falar de gente que pouco ou nada faz). Pena de ver sempre esquecidos neste país aqueles que melhor projectam o seu nome para o exterior... mas que se há-de fazer?
O Tiago continua a ser aquela pessoa simples e empenhada de sempre, trabalhando na sombra para fazer brilhar muitas vozes conhecidas.


No final... lá cedi à tentação de pedir: CD autografado por todos.
E inesperadamente o reencontro com o Amândio que foi o excelente técnico de som que "fez" o nosso CD... agora mais virado para a imagem... novamente dois dedos de conversa com o Fernando Júdice, acabar de matar saudades.
E passava já das 3 da manhã quando nos fizemos ao caminho de volta.
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Os SAL começarão a percorrer o país em concertos a partir de Outubro.
Estejam atentos... se eles passarem por aí façam um favor a vocês mesmos:
não deixem de os ir escutar!

O meu poema preferido?
Sem sombra de dúvida este:
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Um sim um não
.
um fez/ um tem
um sem talvez, um sem porém
.
um vem/ um vai
um sem ninguém, um sem pai
.
um vê/ um diz
um sem porquê, um sem raíz
.
um par/ um só
um sem lugar, um sem dó
.
às vezes basta entrar
pra ir atrás da porta da saída
às vezes basta amar
pra esquecer o amor à vida
às vezes basta um par
prá gente ir passear na avenida
às vezes basta errar
para sentir o prazer da recaída
.
um véu/ um bis
um sem chapéu, um sem nariz
.
um tal/ um rei
um sem rival, um sem lei
.
um é capaz de ter pudor
um é capaz de ter razão
um é capaz de tudo aquilo que dizem
dele e mais o que for
um é capaz de ir em missão
um é capaz de ser traidor
um é capaz de ver a lua nascer através
das escuras grades de uma prisão
um é capaz de se indispor
um é capaz de dizer não
.

2 comentários:

Fernando disse...

Olá teresa! depois do nosso encontro no maxime tive de execcer a minha natural curiosodade e vir espreitar o teu blog. E cá encontrei os teus amavéis comentários. É muito agradável mas igualmente estranho constatar o efeito que o nosso concerto tem nas pessoas que têm a ousadia de dar o difícil primeiro passo na nossa direcção. É que com a dificuladade que temos sentido de dar a conhecer a nossa música, chegamos a duvidar de nós próprios e do caminho que escolhemos de tentar ter prazer no que fazemos e de sentirmos a realização de percorrer um caminho novo e da aventura de o continuar a descobrir com quem nos ouve.
Obrigado pelo teu apoio e entusiasmo. E boa sorte para a tua placa de som nova e para o uso que fazes dela.
Fernando Júdice

3za disse...

Obrigada eu... pela visita aqui à teia e pelo prazer que nos deu o reencontro contigo, acompanhado, ainda por cima, de tão bela música!
Perfeito.
:)