quinta-feira, setembro 07, 2006

A HISTÓRIA DEVIDA


Há tempos divulguei numa entrada muito especial uma história (As lições do Joaquim) contada em voz alta num programa da RDP - A História Devida. Era de um certo senhor chamado Eduardo Martinho.
Exactamente. O Pai que é o meu.


http://tempodeteia.blogspot.com/2006/06/alegrias.html

Com apresentação de Nuno Artur Silva e Miguel Guilherme, A História Devida baseia-se num conceito do escritor Paul Auster e pretende dar a conhecer as histórias de vida dos ouvintes da RDP.

Hoje
esta minha entrada volta a ser muito especial. Nela vão ouvir uma outra História Devida (Recordando outros tempos) desta vez... escrita por uma senhora chamada Maria da Piedade Pinheiro.
Exactamente. A Mãe que é a minha.

mms://195.245.176.20/rtpfiles/audio/wavrss/at1/122294-0609061833.wma

Nasci em 1962. Sou uma das 3 irmãs do Paulo Miguel...

Na história não se revela, mas a mana mais nova perguntava se o Paulo, quando estivesse na guerra em África, podia vir almoçar a casa...
E o Tio Berto? O mais querido e doce tio do mundo...

(Só muito mais tarde entendi a dor.)
Outros tempos. Sim. Mas eles continuam a partir. Outras causas, sim.
A guerra essa... parece-me sempre a mesma.

As palavras e as histórias sempre fizeram parte, na família, da nossa história devida...
Percebem agora melhor esta teia?




Blog do programa da RDP
http://www.ahistoriadevida.blogspot.com/

Outras histórias
http://multimedia.rtp.pt/area_home_podcast.php?rcanal=1

7 comentários:

IC disse...

Não tenho irmãos e o meu primo não foi à guerra dispensado por doença (faleceu ainda novo). Mas vi morrer nela dois jovens que eram como família. Um, ainda meu primo embora não em 1º grau, morreu lá com a licença no bolso para vir a Portugal - vinha conhecer a filha recém nascida. A mulher era minha companheira de infância e como família, estavam casados há um ano, ela nunca mais quis refazer a sua vida. Também outro amigo de infância, muito próxio, lá ficou.
O 25 de Abril libertou as famílias portuguesas desse pesadelo, e libertou também os que lutaram contra a ditadura de perseguições, prisões e torturas (excepto os que morreram assassinados pela Pide ou em campos de concentração como o Tarrafal)
Será que são precisas situações dessas para forjar homens e mulheres capazes de lutar com sacrifícios e riscos? A democracia conquistada com o 25 de Abril veio a descambar em "um luxo dos ricos", mas nem para uma lutazinha que apenas implica uns euros a menos num(nuns) vencimento(s) grande parte das novas gerações está disposta quando as políticas/medidas que lhes caem prepotentemente em cima passam por cima até de leis do Estado ainda dito Democrático?
(Desculpa, Teresa, o "desvio" - memórias e presente andam sempre no meu pensamento)

3za disse...

E com toda a propriedade Isabel, com toda a propriedade... Será que é por conta dos provérbios "o carácter tempera-se na adversidade", "o que não mata fortalece"? Será que fomos adormecendo gradualmente sem dar conta?
Beijinhos

Hindy disse...

Um beijinho :o)

Eli Sheba disse...

Dá gosto saber que ainda há famílias assim. Um grande e doce beijinho***
(Boa sorte para o novo ano lectivo!)

asn disse...

Que maravilha, que realismo, pareceu-me estar a viver aquele tempo, desde que comecei a ouvir na rádio "Angola é nossa/Angola é nossa" até à minha ida para Moçambique pela tropa. Estive lá de 1969 a 1971. Mas fui dos felizardos, na medida em que a minha "arma" era a caneta. Estive no SAM (Serviço de Administração Militar).
Mas...um dia tive um acidente de automóvel e fui em estado de coma para o Hospital Militar de Nampula (Julho de 1970). Nessa altura, decorria a célebre operação militar "Nó Górdio". O "nosso" General Kaúlza e Arriaga, com quem tive ocasião de falar uma ou duas vezes, era o Comandante da Região Militar. Quando acordei do coma, quase 24 horas depois, de madrugada, estava na sala de reanimação. Gritos, soldados a chorar, etc etc até me arrepio quando lembro esse episódio.
Mas era à sua mãe que eu queria homenagear pelo texto, belo na crueza da narração, na descrição viva que mexeu com a minha memória.
Tem uns pais que merecem todo o meu respeito, apesar de não os conhecer.
Um grande abraço...alargado!
António

Teresa Lopes disse...

Quanto ao teu pai só posso dizer que, por algum motivo, "quem sai aos seus..."
Quanto à história, à guerra, também eu a vivi de perto, também lá tive familiares que, felizmente regressaram, mas tive amigos com menos fortuna.
Também os meus pais tinham a vigilância da Pide e, em minha casa, sempre ouvi histórias que mais tarde me apercebi serem verdadeiras.
Já passaram mais de trinta anos... Daqui a outros tantos já não haverá memórias vivas. Vamos deixar morrer o sonho? Nunca!

3za disse...

Obrigada pelas vossas palavras e testemunhos nas visitas a este cantinho... Eles são o melhor desta teia de encontros...
Abraço a todos.