segunda-feira, setembro 11, 2006

O Diário de Ma Yan

Aos sábados um amigo envia-me sempre a crónica do Miguel Santos Guerra, escrita para
La Opinión de Málaga (http://www.laopiniondemalaga.es)

Recomendo. São sempre palavras inspiradoras e fortes, mas a última crónica tocou-me de forma especial e preciso de a levar mais longe.

(...)Conviene tener presente esta inmensa fortuna que es poder acercarse al conocimiento de una manera tan fácil, tan segura, tan organizada. Habituarse a tener bienes nos puede hacer pensar erróneamente que todos los tienen y que siempre se han tenido. No es así. Entre nosotros el analfabetismo estaba muy extendido hace no muchos años. Y en el mundo siguen existiendo hoy día millones de personas privadas de un mínimo bagaje intelectual."Quiero estudiar", grita Ma Yan cuando su madre le dice que no podrá continuar en la escuela. Una escuela que está situada a cinco horas de distancia de la casa familiar. Camino que recorre a pie. Ma Yan permanece en la escuela en régimen de internado de lunes a viernes. Durante dos años Ma Yan escribe con palabras sencillas y a la vez desgarradoras la tragedia de su pobreza y de la imposibilidad de seguir en la escuela por falta de recursos. Hasta que el diario cae en manos de unos periodistas franceses. Un reportaje sobre su caso aparecido en el periódico Libération cambia su suerte ya que lectores sensibles y solidarios deciden ayudar a los niños que están en la situación desesperada de Ma Yan. Me gustaría que leyeran este diario algunos alumnos que consideran un suplicio tener que acudir a la escuela, tener que leer y tener que estudiar. Me gustaría que conocieran estas situaciones que no son excepcionales en el mundo algunos estudiantes que nadan en la abundancia. Dice Ma Yan: "Sigo sin encontrar mi bolígrafo. Tengo el corazón destrozado. A lo mejor podéis pensar: "¿Qué más da? ¡Sólo es un bolígrafo! ¿Cómo te puede causar tanta tristeza?" ¡Si supieras cuánto he tenido que sufrir para conseguir este boli! Estuve ahorrando de mi paga durante dos semestres" (...)
(o excerto tem ligação para o texto integral)

A curiosidade levou-me a pesquisar e descobri que o livro a que Miguel se refere está traduzido em língua Portuguesa pela ASA : O Diário de Ma Yan


Ma Yan tem catorze anos e vive na província de Ningxia, no noroeste da China. Filha de camponeses pobres, sabe desde cedo que a espera uma vida difícil. Porém, quando se apercebe de que os pais não têm meios para a manter na escola, todos os seus sonhos se esfumam.Numa missiva pungente, Ma Yan descreve toda a revolta e impotência que sente face a um destino impiedoso. A mãe, transtornada pelo desespero da filha, confia a carta, bem como os três pequenos cadernos que perfazem o diário íntimo da filha, a um grupo de cidadãos franceses que estão de passagem por aquela aldeia do fim do mundo. Entre eles está o jornalista Pierre Haski… O pedido de ajuda acabará por chegar a bom porto!No diário, Ma Yan conta o seu quotidiano na escola e na aldeia onde vive. Com palavras simples, traça a história de uma infância penosa, a miséria da família, o sacrifício feito pela mãe, que trabalha até ao limite das suas forças para que os seus três filhos conheçam um destino diferente. E é através da sua escrita – e dos comentários de Pierre Haski, o jornalista francês que tomou a seu cargo o caso de Ma Yan – que ficamos a par da pobreza, física e intelectual, em que vive; mas também da sua coragem e determinação de menina decidida a superar todas as adversidades e a continuar a acreditar nos seus sonhos.A história de Ma Yan, contada por Pierre Haski em Janeiro de 2002 no Libération, de que é correspondente em Pequim, provocou uma onda de solidariedade e permitiu a criação de uma associação cuja acção fez com que Ma Yan e mais uma trintena de crianças das redondezas reencontrassem o caminho da escola.

Vou ler. Vou partilhar com os meus alunos.
Porque se não lhes dissermos, eles nunca saberão e não podemos esperar que adivinhem.

Porque é preciso conhecer outras realidades para crescer.

1 comentário:

Tit disse...

Obrigada pela partilha Teresa... É uma verdade As aulas têm de ser muito mais que conteúdos matemáticos... A vida é muito mais que televisão, play station ou patins em linha - mas é preciso que alguém o mostre!
Um bom ano de trabalho ;)
Beijinhos