segunda-feira, março 23, 2009

"...uma moral convergente: o infinito afinal fica aqui ao pé da gente! "

Para encerrar mais um dia denso de trabalho com um sorriso e os olhos já postos nas coisas felizes de amanhã, aproveitei a sugestão de um leitor da teia e também partilho este ROMANCE INGÉNUO DE DUAS LINHAS PARALELAS de José Fanha (roubadinho ao seu blogue Queridas Bibliotecas - entrada de Janeiro 2008).


Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.

Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra linha
sorriu-lhe e disse-lhe assim:
“Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim...”

Diz-lhe a outra: “Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!”

Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas
fica uma história banal
com linhas e entrelinhas
e uma moral convergente:
o infinito afinal
fica aqui ao pé da gente!


José Fanha

4 comentários:

Ana Lutetia disse...

Hi,
whenever possible, please update my blog in your blogroll. My blog is no longer being update on blogspot.
Thank you!

Ana Lutetia

CCF disse...

Tanto infinito dentro das coisas mais simples!
Abraço,
~CC~

3za disse...

É esta magia das palavras...
Abracinho

3za disse...

Ana Lu, done!