quinta-feira, janeiro 21, 2010

Gonçalo M Tavares ?


Escutei-o em entrevista há tempos. Gostei.

Ando sempre com tantos livros técnicos e educativos a tiracolo, que tenho parado pouco para me informar sobre alguns dos novos grandes nomes que por aí andam. Confesso sem pudor a ignorância, até ao momento em que o vi e ouvi e depois o esmiucei aqui e ali para me redimir do desconhecimento.

Gonçalo, fui à FNAC na semana passada escolher alguns livros teus para os minutos em sobra da vida... Prometo ler logo que possível aqueles que são mais densos e longos. (As pinturas a óleo?). Para já peguei nas aguarelas breves... Os Senhores este e aquele... O Sr Brecht fez-me o precioso favor de ser o primeiro a ser devorado, abrindo-me o apetite, em alguns minutos (posso dizer que li um livro em alguns minutos?), para o que se há-de seguir. (Já escolhi o próximo: Aprender a rezar na Era da Técnica)
Hei-de conseguir encaixar-te no puzzle de leituras que preciso mesmo de fazer agora, porque também me faz falta um texto apanhado num jardim diferente daqueles em que ultimamente os colho (tantos números que eles têm! Quase tantos como palavras!). Um texto de repousar os olhos, de inquietar o espírito e de invejar a arte. No caso do Senhor Brecht, um texto para subir leve e breve de balão de ar quente até ao lugar onde nos rimos de nós e das coisas. O pior é que os teus Senhores são como as cerejas e tinha aqui ao pé de mim o Senhor Valéry... Acho que não passa de hoje depois de lhe ter espreitado o recheio.
Ainda bem que, para já, deixei os outros Senhores na prateleira da livraria... Mas confesso que da próxima vez que por lá passar regressarei com mais uns deles debaixo do braço.
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Encontrei AQUI e AQUI estas referências, para quem deseje partir à pesca, ou à caça...
O Senhor Brecht é um contador de histórias. Senta-se numa sala praticamente vazia e vai contando pequenas histórias entre o absurdo e o humor negro. A sala vai enchendo aos poucos, o que lhe trará no final um novo problema: o público tapa a porta de saída – e o senhor Brecht fica assim encurralado com o seu próprio sucesso.

«Por um curto-circuito eléctrico incompreensível o electrocutado foi o funcionário que baixou a alavanca e não o criminoso que se encontrava sentado na cadeira. Como não se conseguiu resolver a avaria, nas vezes seguintes o funcionário do governo sentava-se na cadeira eléctrica e era o criminoso que ficava encarregue de baixar a alavanca mortal.»

Excerto de "Avaria" d'O Senhor Brecht, Editorial Caminho, 2004.

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O Senhor Valéry é um homem que leva a lógica até aos limites, na tentativa de explicar o mundo. As suas explicações são sempre acompanhadas de desenhos. Tem um animal doméstico nada usual e uma casa de férias muito estranha. Chega a explicações absurdas, apenas porque nunca prescinde da sua lógica. Há quem tenha dito que lembra Tati ou o Principezinho.


«O Senhor Valéry era pequenino, mas dava muitos saltos. Ele explicava: Sou igual às pessoas altas só que por menos tempo.»

Prémio Branquinho da Fonseca Gulbenkian/Expresso.

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3 comentários:

Existente Instante disse...

Um enorme escritor que Eduardo Lourenço profetiza dos maiores da Língua Portuguesa. No meu blogue referi-me a ele várias vezes com referência a textos de uma finura de humor, de ironia como poucos!
Tenho quase tudo dele, mas " Biblioteca" e "O Homem ou é tonto ou é mulher", são duas obras-primas.
Tenho pena que não tenha continuado a Poesia I, porque é simplesmente um grande poeta.


Aqui no Porto, no "supermercado cultural" chamado FNAC , os livros que cita, bem como os restantes da série "O Bairro" estão na estante de livros para Crianças! Quem não perguntar, não encontra os Senhores, sejam eles o Swedenborg, o Kraus, ou o Henri!

Boas leituras!
Como vai essa recuperação?

Existente Instante disse...

citei-o várias vezes em vez de "referi-me a...".
Cansaço obriga!

3za disse...

SEnti isso e depois descobri isso em todos os registos que encontrei sobre ele. Gosto de o sentir antes de o saber. Trouxe o que encontrei (felizmente estão todos juntinhos na FNAC do Fórum Almada...) mas eu já sabia do Bairro e de muita coisa quando o procurei (ainda pedi por outros senhores, mas não tinham todos).
E sei, tenho a certeza, que depois das leituras de ontem, vou ter de reservar uma prateleira para o Senhor Gonçalo. Muito obrigada pela partilha das referências preferidas.... guardo na memória e seguir-se-ão na lista das compras.

A recuperação vai-se fazendo sem agruras de maior :) O caminho é o do optimismo, como sempre :)