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sexta-feira, junho 03, 2011

Mais recursos EduScratch... e etc.

Depois de uma interrupção ditada por um relatório de estudo de caso de uma Escola, com prazo, como contributo para um outro estudo de casos múltiplos (obrigada Paizão pela ajuda imprescindível na revisão desse trabalho algo solitário)... da última fornada de avaliações dos alunos (ainda em curso - agora avaliar e dar notas)... continuação do relatório de actividades (lançamento das actividades em atraso), do lançamento e preparação das acções de formação da próxima semana... Da divulgação de uma história muito bonita com um projecto especial...
... Hoje foi dia de divulgar mais alguns recursos de apoio à utilização (obrigada FFred!) no Portal EduScratch... AQUI, AQUI e AQUI...


Segunda-feira? Escolinha do 1.º C do Montijo... Apresentar o Scratch a alunos e Professor...
Terça-feira - Sessão prática de Scratch na ESE/IPS (inscrições abertas)
Quarta-Feira - Sessão prática de Scratch na ESE/IPS (inscrições abertas)
Quinta-feira - em vez de aulas e Clube, Festa do Agrupamento (fui caçada para cantar umas canções no Palco da Festa... ui!)

Sexta-feira? Só descobri ontem que era feriado (os alunos avisaram enquanto eu fazia planos para uma aula inexistente)...
A aceleração do costume... nada de novo!

sábado, fevereiro 26, 2011

Cuidar dos sonhos com carinho, mesmo ao sábado...

O sábado começa cedinho depois de uma semana densa.
Loucura?
Não.
Necessidade, vontade de manter tudo a rolar bem oleadinho.... que quando a vida nos concede oportunidades de realizar sonhos, temos de zelar por eles com carinho.

Então, desde as 6 da manhã...
- crónica para o CE (mês de Março) esboçada. Melhor... já escrita e aguardando depuração...

- concluído o lançamento de actividades do nosso Centro de Competência TIC da ESE Setúbal na aplicação da ERTE/DGIDC...
- pago online o alojamento e o domínio do meu, um pouco abandonado, site Sabor Saber, ao qual um dia hei-de regressar :)
- ver as novidades no portal EduScratch (inscrevam-se que vale a pena!)... sobretudo no Forum, porque temos alguns membros muito activos que estão já a arrancar em força (precisei de actualizar um recurso e a notícia referente a ele...). Ver aqui o Trinca Espinhas 1.0 do Edgar Martins e aqui o contributo indispensável da Isabel Campeão e do Fernando Frederico na organização de galerias com projectos Scratch que sejam bons recursos educativos.
- às pinguinhas ir enriquecendo a entrada desta semana do blogue do Clube Scratch time com os textos que os alunos vão enviando... O blogue estará em destaque numa iniciativa da ERTE - pela mão da Teresa Pombo - à qual me associarei para partilhar um pouco da minha experiência com blogues em Educação, no dia 10 de Março (cliquem na imagem).






E, qualquer dia (lá para 21) a apresentação formal do projecto EduScratch e do portal
(em Lisboa no espaço Noesis... ao fim do dia).

Se a lista está acabada?
Não...

As minhas listas nunca se acabam... só se multiplicam!

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Tudo a andar... e a correr...

... por todo o lado... :)

Quarta dia 9 foi workshop em Santarém... Registos do dia aqui




Vórtice dos testes, das aulas, do clube... da semana da Segurança na Internet.



Gripe finalmente curada...

Tudo a andar... e a correr.. sim! :)

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Tecendo e semeando aqui e ali...

Clube Scratch time (blogue)




Site do CCTIC da ESE IPS (actualização coma s últimas notícias)




 (ontem, dia inteiro em missão EDU Scratch para os lados do Algarve...
amanhã... DGIDC, reunião em Lisboa com a equipa da ERTE/PTE)


Actualização do EDU Scratch no Facebook e do portal EDU Scratch em construção...

Preparação de alguns materiais de apoio...



... e mais umas coisinhas :)

A aceleração do costume...

terça-feira, dezembro 28, 2010

Outros fios...

... muitos fios.

Depois de ficarmos sem a conta do Facebook... houve que levantar de novo, sacudir o pó e recomeçar...
Agora... actualizando Facebook EDU Scratch (novo... página-site) e site CCTIC, trabalhando no portal, revendo recursos...
É por isso que a teiazinha......





sábado, julho 17, 2010

Em jeito de balanço... (fazer o pino?)

Depois do mestrado, este foi o ano mais intenso que alguma vez vivi.
Para além dos meus 28 alunos na escola, tive cerca de mais 28 x 22 alunos (do 1º, 3º e 5ºs anos) que acompanhei de perto, me conheciam o nome (de muitos também eu sabia o nome), o sorriso e os imensos desafios com que os provocava nas aulas. Criámos laços grandes e fui sempre recebida (por eles e pelos professores) com um carinho que atenuava qualquer cansaço e renovava a energia em cada novo dia de "acompanhamentos" (que eram aulas dadas em par pedagógico com as suas professoras e professores... às vezes durante um dia inteiro: dois turnos de primeiro ciclo de manhã e outros dois à tarde, das 9 às 17:30).

Em fase final de avaliação dos portefólios dos formandos, dou com esta foto dentro de um deles e as memórias regressam todas. Não, não era uma aula de educação física... Para as crianças mais pequenas, se rodarmos uma figura, ela passa a ser uma figura diferente com uma outra designação. Uma das formas de ajudar a desenvolver o sentido espacial e levar os alunos a progredir corrigindo as suas intuições primeiras é usar o corpo neste processo. Tenho sempre voluntários para servirem a causa. O João à noite quando se deita, deixa de ser o João? O João de pernas para cima... já não é nem se chama João?

E como estas, muitas outras aventuras do crescer foram vividas com intensidade. Entre adultos, com as crianças. O saldo é muito positivo, depois da avaliação feita. Nos grupos apenas uma desistência por motivos de saúde... Os restantes concluiram com sucesso a formação e mesmo aqueles que estavam em dificuldade para redigir o trabalho, acabaram por ganhar coragem com o estímulo e a ampliação do prazo (uma das razões pelas quais este ano só conseguirei fechar a "loja" no final de Julho). Mas eles mereciam esse meu esforço de atender às suas dificuldades porque trabalharam muito e nem sempre nas melhores condições. Estão todos de parabéns os meus 28 "meninos" crescidos. Mais laços, mas abraços. Acho que já não sei passar pela vida sem misturar tudo. A dimensão humana das coisas faz mais pelos professores do que a legislação imposta, os chicotes sem nexo, os abusos com que passámos a conviver regularmente.


Também eu fiz o pino o ano inteiro tentando que nada falhasse...


Ainda me falta um pedaço de coisas para colocar em ordem. Na escola ajudar o grupo a pensar o novo programa. Na ESE encerrar a nossa oficina de formação com um trabalho que... me vai custar a fazer (ano longo e denso) mas terá de ser feito. E acabei de aceitar um convite para integrar um grupo do Instituto de Educação... produzir alguns exemplos de trabalho com as TIC, nas nossas áreas científicas, que permitam levar os alunos a atingir determinadas metas de aprendizagem nesta área transversal das tecnologias. Reunião em Lisboa sexta... Não devo ter muito juízo... mas isso não é novidade para ninguém.

Arranjar energia para encerrar o ano... embora agora o compromisso seja entregar os tais exemplos até.... 15 de Setembro... Já se vê...
1,2 e 3 Aveiro, ProfMat
A agenda nunca fica vazia.

Não é como a agenda do Silvestre que mora no meu jardim e o considera já o seu lar, seu retiro seguro, o seu porto de abrigo (e onde tem uma casinha feita de propósito para ele... pois mais um em casa é complicado... os machos fazem resistência e acabariam todos feridos e zangados).

Ai Silvestre... Confesso que às vezes sinto uma certa inveja...


sábado, junho 19, 2010

Despedida...

Oh professora, toque aquela... e a outra.... e o rock... e a da avó e a do Elvis...

(Assim nos despedimos de mais um ano lectivo, por entre computadores e guitarras... sem tristezas e com muitos sorrisos!)

Depois ficaram eles responsáveis pelo fundo musical, enquanto alguns ainda ultimavam projectos no Scratch. Veja-se bem a diferença de posição... Muitos são alunos de Conservatório... usam a guitarra com o rigor merecido e apontam-me os erros (de quem aprendeu alguma coisita há muito tempo, apenas com os amigos).

A reportagem foi deles (nem sei por que mãos andou a máquina).



Agora...
Continuar a avaliação dos formandos (leitura de portefólios), preparar (com a equipa) o seminário final do Programa de Formação para cerca de 300 pessoas - 8 de Julho, continuar a minha própria formação (oficina na ESE Set - Junho e Julho), concluir os trabalhos da escola próprios da época.
Até quase ao final de Julho na roda-viva do costume.
Depois...
Yes!!!!!!!
(A Teia continuará como tem estado: um bocadinho intermitente.)

quinta-feira, junho 17, 2010

Olhar e ver... melhor

Final de tarde em testes para saber se é possível fazer o tempo andar quase um ano para trás... Experimentar pela primeira vez, só uma hora... aprender a colocar. Andar pelo supermercado a ler rótulos com letrinhas impossíveis. Depois dessa hora avaliar efeitos, danos eventuais, intolerâncias. Exame passado com distinção. Pareço ser boa candidata, embora a condição acumulada de ver aceitavelmente bem ao longe e menos bem ao perto não seja das mais vantajosas nestes casos. É aqui que ajudam outras tecnologias permitindo a construção de lentes com as duas graduações em círculos concêntricos. Se conseguirmos adaptar-nos... Vitória!
Mais uma semana de experimentação e a decisão final.

Neste momento, pela primeira vez (desde há quase um ano) a trabalhar sem óculos no portátil (uso sempre uma resolução de écran com letrinhas minúsculas) e com o conforto de poder, numa fracção de segundo, deixar o olhar voar até ao écran da televisão lá longe sem sentir diferenças, sem o fazer olhando por cima dos óculos, ou esquecer que os tenho e vendo tudo desfocado por alguns momentos até levar a mão à cara ou os olhos ao céu.
Saudades deste conforto, deste gesto natural, que a idade nos rouba devagar quase sem darmos conta. Optimista quanto aos resultados. Sou persistente.
E porquê?
Porque me falta (mesmo) a paciência para o ritual do tira e põe constante. Porque pela primeira vez, há um mês, senti a falta deles em algumas aulas (onde nunca precisei de os usar) quando o transferidor foi o objecto central. Porque danço demais com os alunos e olho muito para todo o lado e para todas as distâncias sem tempo de respirar ou colocar outros gestos de permeio. Porque detesto ter coisas penduradas no pescoço e ao peito (para além do coração) e a mala está cheia de outras ferramentas tecnológicas que excluem o espaço para mais uma caixa.

Sim...
... não sou uma pessoa fácil.

E estou a entrar em época de balanço. Mais silêncio que palavras. Mais escutar-me e ao mundo, do que dizer-me e dizê-lo. Necessidade de alguma distância. Nota-se nas ausências da Teia. Hoje uma excepção cheia de palavras, depois de um dia de despedida de aulas e clube. Não gosto de despedidas, por isso na verdade não aconteceu nem se deu por esta. É como se para a semana tudo continuasse. Trabalhámos fracções na última aula e sorrimos muito no clube. Nenhum tempo para demorar pensamentos sobre o ano que vem e como virá.
Porque... desafios novos no horizonte. Nova reconfiguração de tarefas e de dádivas em perspectiva. Conversámos esta semana sobre o assunto. Não sabemos ainda muito bem o que o futuro nos vai reservar.

Quando tudo se focar com precisão, hei-de partilhar.

quinta-feira, maio 27, 2010

Várias coisas...

... muitas coisas.

Entre portefólios da formação (ler, avaliar, dar feedback), aulas dos meus meninos, a minha própria formação, rescaldo do Scratch day (fotos, notícia, site do PFCM da ESE IPS e site do evento), escrita de parte de um artigo para a próxima revista da APM (Scratch e conexões), adopção de manuais (parecia que ia ser mais simples, não parecia??? Pois. Mas não, não é... Muitos manuais na mesma, muitos papéis para preencher, manuais ditos certificados por instituições de ensino superior... mas com erros...), não ando muito inspirada para tecer aqui na teia, nem com muito tempo... talvez até acusando algum cansaço e alguma vontade de ir desacelerando no final deste ano lectivo que foi (não são todos?) particularmente exigente (sobretudo pela diferença e pela necessidade de me preparar para os muitos desafios novos que vivi).

Amanhã e segunda-feira missões de amor em torno dos livros (Bela Vista e Manteigadas, Setúbal e, depois para semana,Venda do Pinheiro - na sequência do trabalho que venho desenvolvendo com a EB1 e a Biblioteca Mil Maravihas http://bemilmaravilhas.blogspot.com/ )
Terça de manhã antes das minhas aulas, talvez também outra missão de amor noutra escolinha de Setúbal. Estava prometido. São algumas das escolinhas dos meus formandos... e aparecerei aos meninos vestida com outras roupas: a professora de Matemática, como se habituaram a chamar-me, será a escritora Teresa.
Gosto de lhes fazer estas surpresas.

E assim vou tecendo os dias.
Sempre em alta velocidade.

A cabeça já pensa nos desafios do ano que vem. Novamente diferentes...
A seu tempo contarei.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

De madrugada até ao infinito...

Oh professora Teresa, hoje é para a nossa aula que vai? (Apanham-me na rua e aquecem logo o início da manhã, pelas 8, para contrabalançar o frio tremendo de hoje)
É.
Sorriso
E o que vamos fazer?
Supresa...


Antes, porém, a turma de 5º ano de percurso alternativo. Apenas 6 apareceram. São tão grandes, tão mais altos que eu, tão pequenos como todos os outros no essencial...
Com eles lembro-me sempre do principezinho e da rosa. Primeiro estranharam-me. Agora acho que já estou entranhada neles e acolhem-me sem desconfiança e até com um toque de carinho meio disfarçado de rebeldia.



A professora quando se for embora podia levar a Matemática consigo? É que eu não gosto nada disto!
Não, não levo comigo a Matemática... Já tenho de sobra nas minhas aulas...Mas gostava de levar uma coisa comigo...
Que coisa?
Uma boa recordação do trabalho convosco.

Período de concentração mais que curto, mas foi possível algo bonito, mais uma vez.
E trabalharam e fizeram descobertas.
E em vez de carrinhos eu posso fazer corações?

Podes.

(O pormenor da legenda que fui encontrar depois é verdadeiramente delicioso)




Corrida de Setúbal para Azeitão e toda a tarde na Escola. O FFred esteve connosco no Clube e foi maravilhoso ver a felicidade deles quando perceberam que tinham à sua disposição o misterioso e virtual Avô Fred, que comenta todos os seus projectos, para os ajudar. A sala tinha mais de 25 alunos hoje (Clube). Não dou conta do recado...
Obrigada FFred!!!
.

Passaremos a ter o FFred uma vez por mês connosco...
E foi assim que projectos complexos hoje conseguiram ver a luz do dia. Porque eles são pequeninos, mas tenho ali um núcleo de craques que avança voando e eu já sem asas que lhes cheguem.

Deixo amostra do que já se consegue fazer por lá... (Eles têm apenas 10 anos.)


Scratch Project


E o Driggo juntou-se a nós. Um pedido de uma colega para um menino da turma do filhote: ele ouviu o Bernass... e como o Bernass adora... a mãe do Driggo pediu que quando houvesse uma vaga.
Não há vaga nenhuma... mas o coração tem dificuldade em olhar para o outro lado...
Deixa lá vir o menino!
E ele veio...

E ainda tenho de fazer a entrada no blogue do clube

E ainda tenho testes para ver

E os dias começam de madrugada e esticam até ao infinito.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Dizer...

Sessão de formação de 2º Ciclo de hoje adiada por conta de umas reuniões intercalares coincidentes... O dia estendido de mais algumas horas sem horário marcado, sem necessidade de sair a correr para estar em Setúbal às 15:30 e regressar já de noite.

Posso vir à teia...

Dizer do X (que exaspera tudo e todos desde o início do ano... professores, direcção, colegas) uma história tranquila. Aquelas de que mais gosto porque se vestem de esperança no que há-de vir. Mais uma vez fui cedo para a aula... Agora a maioria vem mesmo atrás de mim. Que não é preciso, que podem esticar o intervalo de almoço mais um bocadinho, mas quem quiser... desde que venha com espírito de aula e não de recreio... pode aparecer. Adiantamos coisas, conversamos um pouco. Começa a ser ritual. O X também veio. Pela primeira vez. Só há pouco tempo eu e o X encontrámos uma forma um pouco mais serena de conviver em aula. Mesmo no Clube era complicado... mas gradualmente fomos encontrando os fiozinhos necessários para o tempo se passar com menos zangas e mais coisas de aprender. Esses fiozinhos foram também caminhando até à aula, mas ainda não de forma completamente estável. A agitação e a fala sem controlo continuaram, embora o trabalho e organização tenham vindo a melhorar aos poucos.
Hoje entrou agitado. Mais uma vez e outra e outra... chamada de atenção. Levantou-se e veio dizer-me baixinho que tinha razão para estar eléctrico (já se habituou a uns quantos rótulos que escutou e usa-os como arma e desculpa): Sabe, professora, a minha Mãe foi operada ontem... Pois é, X, não concordo nada contigo... Não devias estar mais eléctrico... Olhos baralhados, atenção captada (ainda não tinha tocado para a entrada, estavamos no nosso tempinho "pré"). Vou contar-te uma história... Tive uma vez uma aluna que passou pelo mesmo... a Mãe estava muito doente e ela decidiu, pelo contrário, portar-se cada vez melhor e ter os melhores resultados para lhe poder dar sempre as melhores notícias e ninguém se queixar de coisa nenhuma. Sabes... Às vezes o melhor carinho que podemos fazer aos pais, sobretudo quando eles precisam de calma para recuperar, é tirar-lhes as preocupações connosco do caminho... Por isso, acho mesmo que devias fazer um esforço para dar esse miminho à tua Mãe. Ela vai precisar disso e não de mais queixas por andares... eléctrico...
As palavras pareceram ter algum efeito... Encostou a cabeça ao meu braço (como faz no Clube) e regressou ao lugar mesmo à minha frente. Ainda se agitou por mais uns minutos mas, subitamente, disse em voz alta sem aviso: prometo que me vou portar sempre bem a partir de agora... 1, 2, 3... começou agora a contar... E calou-se. Abriu o caderno. Colocou o dedo no ar (queria saber a data, a lição... que habitualmente pede várias vezes em voz alta a propósito e a despropósito, amuando se lhe chamo a atenção... agora assim já não vou escrever nada nem a data nem a lição!!!!)
E mais dedo no ar... para responder, para colocar dúvidas... Sempre silêncio, dedo no ar... dedo no ar... dedo no ar. Corpinho pequenino direito, contido, sem a habitual agitação. Aguentou hora e meia de comportamento irrepreensível, trabalhando serenamente e sempre atento e concentrado. Um exemplo para muitos numa aula que sendo viva, não é (nada) fácil.
No final da aula, depois de tocar, pedi-lhe a caderneta. Deu-ma meio intrigado, mas já adivinhando. Escrevi à Mãe (no meio de mil recados acumulados este ano queixando-se do seu comportameto em todas as aulas)... expliquei o que havia acontecido, a promessa dele, o comportamento excelente durante esta aula. Foi assim uma espécie de contrato a que procurei vinculá-lo, pois a história ficou escrita com rasgados elogios à sua conduta e com o registo do prometido. Aproveitei para desejar rápida recuperação por escrito, e reforçando oralmente ao X, porque as crianças têm vida e têm família. Todas elas. É fácil esquecermo-nos disso nesta forma de organizar o tempo da escola e dos professores, que pouco tempo deixa para respirar, escutar o outro, prestar-lhe atenção. Vórtice absurdo. A ele disse-lhe: não chega uma aula, X. Não chega ser apenas na minha aula. O esforço que fizeste hoje mostra do que és capaz. Tens de continuar a fazê-lo e vais ver como até sentirás que és tratado de outra forma... com mais paciência, mais carinho, mais atenção (da boa, por boas razões).
Despedimo-nos. Em educação não podemos ter a veleidade de achar que resolvemos os problemas todos de uma vez. Este caminho anda a ser traçado desde o primeiro dia... veremos como evolui a partir de hoje. Sem expectativa excessiva, mas registando mais um passo na estrada. Mais uma pequena conquista.

Dizer que tive tempo para adaptar uma ficha de trabalho e enviá-la, como prometi na aula aos meus meninos. Já só me faltam cinco endereços de correio electrónico e foi uma maneira de estender o contacto, uma vez que este ano corro demais e sinto uma imensa falta de tempo para aprofundar os mil caminhos que gosto de fazer com eles.

Dizer que de manhã ainda estive no bairro das mil gaivotas para mais uma aula trabalhada com paixão por uma Professora especial. Primeiro ano (tão pequeninos) e um universo de fantasia com os números, que os envolveu da primeira à última gota da aula.


Dizer que vou aproveitar para descansar um bocadinho, porque o fim-de-semana precisou de mim algumas vezes para colocar o trabalho em ordem e não está escrito em lado nenhum que não podemos descansar um pouco à terça, se trabalhámos no Domingo. Antes... ler algumas coisas para levar para a reunião de amanhã na ESE. Já não precisará de ser à noite como sempre nos dias em que há sessão ou acompanhamentos de aulas. Vou deitar-me cedo, como gosto, e levantar-me muito antes do Sol, como sempre.

Dizer que tive tempo para fazer compras (muita fruta, legumes e outras coisas boas e em falta)... que tive até tempo para fazer uma sopa! (Escolhi o caldo verde.)


Ganhar um bocadinho de tempo extra no dia é como saborear uma sopa quente em tarde fria. Um pequeno enorme e merecido prazer...

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Enleando e desenleando...

A semana foi longa e cheia de coisas dentro.
Longa e densa, portanto.

O momento mais doce?
Ontem levei para o Clube alguns microfones de PC. Molho de fios embaraçado que não tive tempo de desembaraçar. Eram para eles, claro. Queriam gravar voz em projectos Scratch. Pedi ajuda.
O T. aproximou-se e perguntou:
É para desenlear?
Desenlear... desenlear... Oh T., se soubesses como é bom ouvir um jovem da tua idade (10 anos) dizer esta palavra tão bela e tão pouco comum no vosso vocabulário...
O meu Avô usa muito esta palavra...
Enquanto íamos desenleando os fios, serenamente, as palavras abraçavam-se umas às outras em conversa amena...
Pois... é uma palavra assim poética... faz todo o sentido teres aprendido essa palavra com um Avô. Eles conhecem tantas palavras belas. É uma palavra mesmo mesmo cheia de poesia.
Outros escutavam
Sabem, eu tenho um blogue com poesia. Um dia digo-vos o endereço.
T.: a minha Avó também tem um...
R.:Eu já li os poemas dos livros da Professora e gostei muito. Eu nem sabia que a Professora tinha livros na Biblioteca! Descobrimos por acaso e a senhora da Biblioteca disse-nos que eram duma professora!
Pois... eu não vos contei tudo sobre mim... ainda...

É quando sou mais feliz na escola. Um espaço onde possa respirar com eles sem toques, sem pressas, sem ansiedades. Das 15:15 às 17:45 sem interrupção, sem intervalo, sem correria, sem rumo, ao sabor deles, enleando e desenleando palavras, trabalho, desafios, exigências, carinhos, até abraços baixinhos, até mão dada com que me puxam de um lado para o outro para ver isto, ou aquilo. O espaço de liberdade e construção de conhecimento e de laços e de crescer, onde finalmente consegui tecer fios doces até alunos mais complicados.

A semana acaba... com muito trabalho enleado nas mãos que tem de estar concluído e desenleado até segunda. Nada de novo.

Talvez por isso me apeteça fechar a semana uma melodia doce, daquelas que desenleia qualquer nó por maior que seja... Gosto da voz do Chico Buarque nela, da voz da Maria João... Escuto-as vezes sem conta num dos muitos CDs que me acompanham em viagem. Mas hoje quero a Beatriz sem palavras. Porque assim pode até ter o meu nome, ou o nome de qualquer pessoa que precise de desenlear ou destecer uns quantos fios da vida por um bocadinho... para logo de seguida se voltar a enlear nela e a retecê-la com cores diferentes em cada passo por dar...

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Imagens do dia...

A caminho, antes das 8...
Pena não ter conseguido captar a magia do nascer do Sol no topo da Serra... Não há forma de parar o carro no alto... nem a meio... nem nunca onde vale a pena.
Ficou este momento breve em movimento... já quase no sopé.


8h 10 min na Escola das Mil Gaivotas (2,3 com Secundário)...
Não entrei logo para a sala de professores... andei a passear por ela, Escola,(espaços exteriores tantos e tão extensos!) e a tentar guardá-las, às gaivotas, comigo.
Um pequenito (que não conheço): A professora gosta de tirar fotos às gaivotas?
Gosto muito...
Um muito grande (turma de percurso alternativo - 5º ano - que estou a acompanhar): Olá! Hoje vai para a nossa aula?
Não. Só em Fevereiro...
Gosta de Gaivotas?
Muito! Gostava muito que na minha escola poisassem gaivotas como na vossa...
Havia de ver ao pé da minha casa... são aos montes!
Acredito...
Mas às vezes temos de ter cuidado... são perigosas...
Sim? Porquê?
A rir... Podem cair assim umas coisas na nossa cabeça...



Aulas da manhã... 5º ano... Crivo de Eratóstenes... Múltiplos, divisores, primos...
Saber que o aluno, de que falei aqui há tempos, saíu algemado da escola um destes dias por tentativa de agressão a adultos (incluindo polícias) e descontrolo total...
Não podemos salvar todos...


Almoço e depois Escola do1º Ciclo, (hoje um 1º ano). Abraços dos que me conhecem e vêm a correr cheios de mimo para dar, mal entro no portão.
Teresa, hoje vens para a nossa sala?
A uns digo não, a outros digo sim... prometendo aos do não que será em breve...
Estava a demorar-me... o André desceu, deu-me a mão e levou-me com ele escada acima: hoje ela é nossa.
Muito trabalho, muita animação, muitas descobertas.
Sair e ainda ter de ir à outra turma dos pequeninos de 1º ano que chamavam por mim em coro, no extremo do corredor. Arrastaram-me, abraços e mil beijinhos e...
.



... finalmente de regresso a casa, 9 horas depois.
Um dia bom e até quase curto....
(Nos dias das sessões de formação são 12 horas em cada dia... seguidas... pouco mais de meia hora para almoçar.)
.
ADENDA: Faltou dizer... Alguns dos meninos que deixei nas salas são os que vão ficar das 9 até às 17 e tal presos na escola (acrescentando ao seu horário em regime normal - 9 - 15:30) mais umas quantas AECs (Actividades extracurriculates) até que alguém os venha salvar...
Tenho pena destes meninos todos. Muita pena.
Se eu hoje fosse menina outra vez, acho que precisaria de ir ao psiquiatra por conta de uma depressão por passar tantas horas longe de casa, da família, dos meus brinquedos...
Feliz eu que nunca conheci na pele a escola a tempo inteiro...

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Don't dream is over...

Comprei umas botas impermeáveis porque às vezes parece que chove mais do chão do que do céu. Nas ruas da cidade, para onde vou muito cedo de manhã, são muitos e estão por todo o lado os chapéus de chuva mortos. Não gosto de chuva com vento. Não gosto de vento com sol. Não gosto de vento com frio. Não gosto de vento, pronto. Às vezes imagino como seria ter um emprego onde pudesse andar vestida de princesa, em vez desta espécie de armadura juvenil e prática que me permite correr melhor o mundo de porta em porta, de coração em coração. As botas são bonitas, mas parecem-se com as que os miúdos usam na escola. Tenho umas botas de princesa mas raramente um baile onde as levar. Lembro-me das palmeiras muito pequeninas sem tronco na Praça de Portugal quando tinha 22 anos e descia a rua que me levava à escola que iria ser minha por mais de 20 anos. Hoje percebi que estão altas, muito altas, quando finalmente os meus olhos, depois das 19, no regresso a casa (quase doze horas depois de ter saído dela) coincidiram com a direcção dos faróis. Não escolhi lá muito bem o CD que me fez companhia no caminho. No regresso troquei-o pela rádio e dei com os Crowded House - Don't Dream It's Over. Nostalgia(s) no plural. No carro sou dada a elas. Muito mais do que uma por dia. São pensamentos uns atrás dos outros. Filas deles. Da maioria nem me lembro. Hoje recordo que reparei nas palmeiras e nos anos que as fizeram enormes. Terão envelhecido elas? Terei crescido eu? O coração tem mais espaço para escutar. Se envelhecer é isso, não é uma coisa terrível. As botas são assim coloridas com uma espécie de azul marinho escuro, fechadas com atacadores longos serpenteando e umas coisas a fingir de sol para alegrar os dias escuros. Gosto mais de viajar de dia do que de noite. Não sei porquê. É assim e pronto. É como não gostar de vento. É como gostar das coisas de que gosto: a cor azul, o Verão, a Lua cheia, o som de um piano e alunos sedentos, meus e de outros, a descobrir o mundo com muitas perguntas e olhos grandes. Acreditamos sempre que amanhã há mais coisas para viver. E que os obstáculos são apenas barreiras para saltar. Don't dream is over. Sonha apenas que todos os dias são, para sempre, quase a roçar a eternidade, começos de novos dias.
.

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Resoluções radicais...

O meu Paizão enviou-me a notícia (clicar para ampliar) que também encontrei AQUI.

Pois...

Sem radicalizar, realmente este foi o ano em que encerrei alguns espaços (o twitter e mais uns três). Já não tenho tempo para o SL (embora confesse saudade dos encontros de Educação promovidos pela Universidade de Aveiro). E não é mentira que, se não tivermos cuidado, acabamos encerrados nestes universos, sem que disso resulte algum bem para o mundo à nossa volta, ou para nós. Temos de os usar a nosso favor, não contra nós.

Utilizo pouco o telemóvel (desde criança que não gosto de telefones) e com excepção da Teia, do Sabor de Palavra (lazer), e dos espaços das turmas... (este ano Clube e turma D), os restantes (Muito mais e Facebook) alimentam-se dos principais e não me ocupam mais tempo do que uns minutos de actualização quando se justifica.

Ok. Também assumi criar e manter o site da ESE - programa de Formação - mas isso vou contabilizando na dádiva à causa da formação... podia ser de outro tipo, mas distribuímos o trabalho por todos e funcionamos bem. Para além de que não é um espaço onde precise de estar regularmente.

Estou a pensar em voz alta, já perceberam. A época é propícia... Uma resolução para 2010 é, decididamente, menos cadeira e mais acção (exercício, pois). O que pode implicar, realmente, menos tempo por aqui, por ali e acolá no digital. Estas coisas têm um tempo... têm os seus momentos... e tão depressa me apetecem rosas, como borboletas, ou nada disso. Os gastos de tempo agora são muito reais com as deslocações às escolas e há prioridades. Neste momento uma delas, para além dos meus meninos na escola, é a leitura e a aprendizagem pessoal (não apenas porque preciso, mas porque quero) e o feedback a formandos (ao vivo, ou digitalmente - tarefa exigente).

A melhor resolução? Continuar a manter-me fiel a mim. É quanto basta. Não preciso de mudanças radicais para isso. Vou-me ajustando e adaptando à evolução dos tempos e das tarefas... com a esperança de ver a Escola perceber que de nada serve ocupar até à exaustão os professores, com intermináveis burocracias, não criando as condições para lhes exigir que possam continuar a estudar, a reflectir, a progredir na sua missão... e recompensar realmente o mérito encontrando formas justas de o reconhecer.

Regressando às resoluções radicais... com o namorado espécie de marinheiro que arranjei, o meu único remédio é mesmo aproveitar bem o que o digital oferece (ainda me lembro de um tempo sem computadores e sem telemóvel onde ficava dias e dias sem saber nada dele).

Oh Lily, sem computador e sem telemóvel??? Nunca! :)

segunda-feira, agosto 17, 2009

Formação Contínua em Matemática - um novo desafio

Agora sim, é definitivo e já posso partilhar.
Foi autorizada a minha mobilidade para integrar, como formadora, a equipa do Programa de Formação Contínua de Matemática.

Logo Programa de Formação Contínua em Matemática

O convite veio da Escola Superior de Educação de Setúbal, pela voz da Ana Boavida que eu não conhecia. Sei de onde partiram algumas das referências que a fizeram chegar até mim, pois vem de longa data a participação em iniciativas da ESE Set e as partilhas e trocas constantes que tanto nos têm enriquecido.
Não, não deixo de ter contacto com alunos. Vou ter uma turma na minha escola e acompanharei várias turmas e muitos outros meninos de outras escolas em contexto de sala de aula, onde serei parceira dos seus professores (de primeiro e segundo ciclo).
Mais um desafio, pois.
Hesitei. Há muitos anos que hesito quando surgem convites desta natureza. Até hoje a resposta foi sendo negativa e lá continuei por mais de 20 anos a recolher a experiência no terreno, que é onde gosto mais de estar. Sempre a velha sensação de que não sei o suficiente para me colocar na posição formal de ajudar alguém a descobrir outros caminhos.
Mas, segundo percebi, esta formação é muito mais uma parceria do que uma coisa de hierarquias. Não se "assistem" a aulas, participa-se no acto educativo em muitos contextos diferentes. Estarei muitas vezes com outras crianças e poderei, espero, ajudar a introduzir nos seus recantos algumas ferramentas e ideias que enriqueçam os ambientes de aprendizagem.
Apesar de tudo, já cresci alguma coisa desde o primeiro convite que me foi feito para integrar a ESE, quando tinha cerca de 26 ou 27 anos... (pouco tempo depois de me ter efectivado na Luísa Todi e ter coordenado o projecto Minerva).

Acima de tudo, desta vez aceitei por sentir que vai ser muito mais o que vou aprender com os outros (grupo de formadores, formandos e suas crianças) do que aquilo que irei "ensinar".
Desculpem esta visão algo egoísta, mas para mim os desafios têm de conter em si sementes de aprendizagem e progresso. Foi o que me empurrou para o sim que dei em Julho.
Acho que chegou a altura de novas aventuras (logo eu tão pacata e caseira... a ter de viajar pelas escolas das redondezas...)

Um novo ano, um novo desafio.
Pelo meio a preparação da defesa da tese.
(Como se percebe, já regressei ao trabalho em casa... e larguei a praia que, a partir de hoje, será visitada com menos regularidade.)

A vida e os seus ciclos...

quinta-feira, julho 16, 2009

A vida não pára...

Hoje, os 26 professores "pOISnão" (como nos designamos) foram entregar um relatório crítico (não a ficha de auto-avaliação) num gesto concertado em encontros prévios.

Nele consta um preâmbulo escrito em conjunto explicando as razões das nossas posições e da não entrega da ficha de auto-avaliação do Ministério mas, como não o havíamos endereçado, foi-nos dito que seria recebido e simplesmente colocado nos nossos processos individuais.
Juntámo-nos de novo e decidimos... endereçá-lo com uma folha de rosto, para que seguisse o caminho que pretendíamos.
Aguardaremos o destino.


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Aproveitando a presença de muitos professores do 1.º ciclo neste grupo, decidi sondar todos sobre a possibilidade de fazer uma acção informal sobre o Scratch na próxima quarta-feira (cada um trazendo o seu portátil e internet - caso o resto falhe e surja mais gente do que o previsto).


Se algum dos leitores da teia estiver interessado e morar a distância compatível, fica o convite: Quarta-feira, dia 22, 9:30, sala polivalente... EB 2,3 de Azeitão ... primeiro contacto com o Scratch!

Deixem em comentário a eventual intenção de presença, para eu poder gerir o número.

Sendo uma época de arranque de férias para muitos, não criei muitas expectativas... mas pela resposta positiva hoje de manhã (1.º e 2.º e até 3.º ciclos) ... já vi que sozinha não fico! :)

Apareçam!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Hora de almoço...


... recheada, para não variar (gasto menos tempo a comer do que a trabalhar).

Aproveito sempre para tentar deixar a entrada do Clube pronta antes de regressar à Escola para as aulas da tarde... A trabalhar desde as 8:15 e de pé desde as 6. Poucos minutos de intervalo (não mais que dez minutos de descanso de manhã e um suminho de laranja bebido a correr - os meninos têm sempre coisas para contar, pedir, dizer... nos dois intervalos de 15 minutos cada... e há sempre uma ficha para entregar ou levantar na reprografia).
Não me seduz esta escola sempre a correr de um lado para o outro.

Ainda o dia vai no adro... e quando regressar ao fim da tarde... nem sei em que pegue... tese ou, mais provavelmente, início do trabalho de avaliação individual de cada aluno (ontem passei grande parte do dia de greve a corrigir testes)...
Na semana que vem terei de entregar as notas aos Directores de Turma.
.
Assim se fazem dias de professor. Para que se saiba. Se desoculte.



sexta-feira, agosto 29, 2008

A meio caminho de gafanhoto (faltam as asas)...

... mas com um apetite voraz por folhinhas de macieira bravo-de-esmolfo.
Sim.
A minha tem dois anos...
Tão pequenina... este ano prometeu duas maçãs. Uma caiu. A outra está a meio caminho de maçã de comer.
No primeiro ano: duas... bem saborosas. No segundo ano... nenhuma.
Digamos que... ainda a menos de meio caminho de macieira?

E a tese? Vai andando...
Precisei de parar um minuto para invejar a serenidade verde deste bicharoco... e logo de seguida me alegrar com os desafios que imponho ao intelecto.
Cada um escolhe os caminhos que pode escolher e que quer escolher.
Digamos que... estou assim a meio caminho de aprender um milionésimo de meio grão de pó de conhecimento. Mas... grão a grão...





terça-feira, agosto 26, 2008

Como vejo o mundo (Einstein e eu... :º)


Em busca de uma citação que me dava jeito, buscando a fonte original dei com esta surpresa.
A fonte inteirinha online à mão de quem queira. Não queria tanto, mas pronto...

The world as I see it (versão em língua inglesa)


A citação nem tem nada a ver com o pedacito de teia que estava a montar agora aqui na tese, a propósito da importância das TIC na escola... e da minha decisão de as usar no trabalho com os alunos... mas acaba por me provar (ao vivo) o propósito da coisa: se tentasse contabilizar a quantidade de problemas que resolvi acedendo à net, a quantidade de respostas que encontrei, o imenso que tenho aprendido e, sobretudo, a quantidade de gente preciosa que conheci e muito tem contribuído para o meu crescimento... nem uns anos chegariam...

Eu à solta sem rédeas nem trelas, com uma epistemologia muito própria (esta é do meu amigo Fernando Costa) e com a dose especial de heterodoxia que me caracteriza (esta foi do meu amigo Matias Alves) a que não consigo escapar-me ... escreveria uma linda tese! Um poema vivo :) Não me parece é que a coisa pudesse singrar os ortodoxos caminhos da classificaçãozita...

Mas vou tentando docemente misturar as minhas palavras aromatizadas com mel e borboletas, com as palavras objectivas e necessárias de circunstância, para que a escrita não se torne um peso (como é realmente em certas alturas - o que eu gosto é mesmo de fazer, é de acção) e possa dar algum prazer escrevê-las... prazer que espero alguém possa sentir ao lê-las...
Equilíbrio nem sempre fácil.

Mas procurarei ter presente algo que ouvi Bernard Charlot dizer num encontro na FPCE (deixei aqui na teia registo) para não cair em tentação e me enrodilhar em armadilhas que produzem dezenas e dezenas de páginas... enfim... (desculpem lá todos os que se empenharam e empenham para produzir 500 e muito mais páginas de árduo trabalho, mas as teses de doutoramento - de mestrado devem ser ainda mais pequenas - a que tenho tido acesso do MIT... não excedem as 200... e há algumas que nem 150... assim como as de Zurique, ETH, onde trabalhou precisamente... Einstein e alguns prémios Nobel foram conquistados)... E o que disse Bernard a propósito de teses e da montanha de páginas para dizer tanta coisa que... enfim.... ? Dizia algo como...."por exemplo, estou a ler uma tese de um aluno e vejo 20 páginas a falar da técnica da entrevista... ora quem escreve 20 páginas a falar de entrevistas não tem tempo para fazer as entrevistas que são o mais importante!"

Ora bem... tenho 19 para transcrever... já consegui fazer 11 (média de cinco, seis páginas por aluno... gostei tanto de os escutar... e aprendi tanto...), sem falar depois do trabalho de as analisar e aprender com elas, ver se encontro lá algumas ajudas para responder às questões... É apenas um pedacinho do que tenho para fazer... já que ter enveredado por métodos mistos... enfim... exigirá um esforço grande de organização... no tratamento e no contar da história para não adormecer ninguém... Bernard... vou mesmo tentar concentrar-me no que é importante! Se me ponho a dissertar sobre métodos, nem mil páginas chegam! Ai como preciso mesmo de encontrar essa tal de epistemologia muito própria e muito heterodoxa... (ainda crio para aí um qualquer "paradigma" - outra palavra de que não gosto mesmo mesmo mesmo nada e de que fujo a vinte pés e a catorze asas... é esta minha maneira muito infantil "de olhar o mundo"... o que se há-de fazer? Haja orientadores com paciência para me aturar...)

Adiante.

E qual era a citação de Einstein que eu procurava? Uma que já deixei há muito tempo na teia (estas coisas estão sempre entretecidas umas nas outras... é como os raminhos das cerejas):

Não basta preparar o homem para o domínio de uma especialidade qualquer. Passará a ser então uma espécie de máquina utilizável, mas não uma personalidade perfeita. O que importa é que venha a ter um sentido atento para o que for digno de esforço, e que for belo e moralmente bom. De contrário, virá a parecer-se mais com um cão amestrado do que com um ser harmoniosamente desenvolvido, pois só tem os conhecimentos da sua especialização. Deve aprender a compreender as motivações dos ho­mens, as suas ilusões e as suas paixões, para tomar uma atitude perante cada um dos seus semelhan­tes e perante a comunidade.

(E pronto.... lá vou eu a correr para os deveres depois desta necessidade súbita que tive de deixar uma mosca na teia... procrastinar, é o que é... ficas de castigo e não almoças! :)