E lá começou tudo de novo. Sim, vai ser mais um ano de corridas... de aulas misturadas com um projecto exigente... de mais um ano de Clube... mas... ... a verdade é que tinha saudades deles. E eles sabem.
Três alunos novos... embora já conhecesse dois deles de outro contexto. O terceiro aluno (porque falámos da possibilidade de usar vídeo este ano... feito por eles) disse-me que tem no youtube vídeos a andar de patins. Respondi: se os pais autorizarem, é uma coisa muito interessante para colocarmos no blogue da turma... todos ficam a conhecer-te melhor e às coisas que gostas de fazer.
Deambulei, como sempre... Eu lá sou capaz de ir a direito! Oh professora... estava a falar do material e ainda não disse todo... Ah! Pois era... já estava aqui toda entusiasmada com as outras ideias... (A professora não mudou nada...) Falei dos planos para este ano ("ideias novas para novos trabalhos" como disseram os alunos quando lhes pedi ajuda para o sumário), do material necessário, da necessária mudança de comportamentos, da urgência do estudo e trabalho exigente, da organização do trabalho... e... já levaram um pedido de actividade que lhes colocou um sorriso na boca:"Roubar" o interior de um rolo de papel higiénico, construir-lhe duas bases e trazer o modelo do cilindro para aula. Nem sabem o que os espera amanhã... :) Pelo caminho recuperámos a ideia da importância do cálculo mental e descobrimos (já nos 15 minutos de intervalo na hora de almoço,gostamos sempre de ficar mais um pedacinho) que a aluna nova é uma craque no cálculo mental e no primeiro ciclo (em Lisboa, onde vivia) aprendeu técnicas que recorrem "aos amigos do 10" (exactamente o que agora preconiza o reajustamento do Programa de Matemática). Explicou a duas colegas como fazia e na competição mental vs escrito... ganhou sempre o seu cálculo mental. Temos o mote para uma próxima aula: a I. vai ajudar os colegas a melhorarem as suas técnicas de cálculo mental...
Saio sempre das aulas numa espécie de encantamento. Amanhã estaremos juntos novamente. Têm aula quinta e sexta (seguidas). Tenho de fazer marketing cerrado ou esquecem-me de uma semana para a outra... Hei-de contar o que ando a inventar... para os enfeitiçar :)
(Sons do intervalo de 15 minutos depois primeira aula)
... um dos "livros" que George Steiner não escreveu.
Hoje a pista/semente foi-me passada por mão amiga (obrigada, Paula). Apenas esse capítulo lido (o tempo pouco mais permite) porque será útil... o resto apenas aflorado. A escutar o mar. A olhar o céu por entre as linhas. Sim, praia finalmente. Uma mochila com coisas para ler... acabei embalada nas palavras de Steiner que não levei comigo e alguém trouxe ao meu encontro, porque achou que eu iria gostar e precisar. Era verdade.
Os livros que não escrevi Gradiva (mais informação AQUI)
Não sendo a porção que utilizarei... destaco aqui estes excertos... porque continuo a sentir que é urgente, se não acreditam em nós, pelo menos escutar os grandes pensadores. Estaremos todos errados?
" (...) 'Que fazer?' (...) Como já disse, a panóplia da legislação sobre o ensino, dos planos de reforma, das audições federais sobre a crise das escolas, conhece proporções descomunais. Quantas nobres árvores não terão sido reduzidas a pasta de papel para se tornarem suportes deste desperdício oficial! Há certos remédios ao alcance da mão. Até mesmo os professores do ensino básico mais competentes são sistematicamente humilhados e impedidos de fazerem bem a sua tarefa por montanhas de papelada regulamentar e restrições impostas cada vez mais rígidas. Os professores são escassamente remunerados e tratados com condescendência. Os efeitos traduziram-se numa espécie de automatismo autodestrutivo. (...)"
Já pedi como prenda para o Natal. E procurei George Steiner nestes universos digitais. E tenho estado a escutá-lo, entrevista de Julho 2007, enquanto faço outras coisas, prometendo-lhe uma escuta mais atenta, sem tarefas que lhe neguem a exclusividade da minha atenção, um outro dia. Guardo-o aqui como pedra preciosa em teia feita caixinha de madeira que herdei da Avó. Regressarei.
Antes, já sabem... partilho. (na parte dois da entrevista, no final, fala deste seu último livro...)