quarta-feira, março 21, 2012
Da poesia, da ternura, dos bolsos rasgados e das sementes
Apeteceu-me dizer aqui da breve manhã.
Celebração do dia da poesia numa escolinha do 1.º ciclo de Setúbal, pertinho da minha antiga escolinha Luísa Todi (mesmo agrupamento).
No programa um poema antigo revisitado vezes sem conta por muitos meninos em apresentações deste tipo: "O bibe". Desta vez pela voz de uma turma e dois projetos Scratch de outra.
A turma do Scratch já eu conheço bem...
...mas fui conhecer muitos outros meninos que contavam com a presença da "escritora" e a acharam assim normal como as pessoas são. "Até és professora e tudo!"... "Tu é que escreveste este poema que nós vamos dizer?"... "Porque é que tens essa coisa nos dentes?"... "O que é isso?"... "Não cai?"... "Oh pá chama-se aparelho e eu também preciso!"...
Durante a sessão, a menina autista (que encontrei pela segunda vez) da turma Scratch - 2.º ano sentiu que estaria segura nos meus braços e assistiu às apresentações ao meu colo. Estendi-lhe as mãos, ela olhou para elas e para os meus olhos e aceitou(-me). Dançámos sentadas enquanto Fernando Pessoa e Zeca Afonso desfilaram à nossa frente, em apresentações com música feitas pelos meninos mais crescidos. "Fui bailar... no meu batel...". As mãos dela entrelaçadas nas minhas, as palmas em cada final, o seu sorriso fascinado com tudo o que se passava à sua volta foram parte muito especial da manhã. A poesia e a música abrem estradas em todos os corações e a diferença nesses momentos únicos é apenas uma palavra sem som.
Terminou-se a sessão com os projetos Scratch apresentados pelos alunos da professora Carmen e lá fui eu para o microfone desafiá-los a eles e aos professores para experimentarem. Queriam saber como lá chegar, como fazer o que os meninos da Carmen já fazem. No final um professor do Ensino Especial revelou interesse em aprofundar a questão e já ficaram trocas feitas para que todos se possam deixar contaminar e as sementes possam dar flor.
Então, por que razão esta espécie de nostalgia quase triste que acompanha o bom aroma do dia? Só consigo ouvir hoje na minha cabeça os muitos professores que me dizem (sobretudo nos ciclos de ensino a seguir ao 1.º) que não se pode fazer quase nada enquanto treinam alunos para testes intermédios e exames. E depois escutar os professores das universidades a dizerem-me da pobreza de conhecimento que cresce, cresce, também acompanhada de "questões disciplinares", como se o secundário se prolongasse por lá sem fronteira. O que andamos a fazer? Que coisa é esta a que nos atrevemos a chamar educação? Como é possível persistir no erro, sem sequer aceitar que podem existir outros caminhos? Perceber que não temos alternativa senão mudar?
Estou num daqueles dias de bibe rasgado, desesperadamente em busca de qualquer doce no bolso que já não tenho nem há. E eis que recordo os meninos desta manhã e as palavras que escrevi há anos: "onde vou buscar surpresas, onde vou buscar um sonho quando deles precisar?"
Eu sei. Afinal sei.
Fui buscar isso tudo a esta manhã mágica, e a tantas coisas boas a acontecer em muitas salas de aula. Foi a isso que me agarrei para espantar o Adamastor que às vezes aparece para nos escurecer a esperança.
Crescer não é fácil. Nunca foi.
Mas eu sei, sei tão bem afinal onde mora a fonte dos sonhos e surpresas de que preciso em alguns dias cinzentos. O segredo são as pessoas, certas pessoas.
Tu, tu... também tu. Vocês.
Essa luz.
Tiro do bolso um botão
uma moeda, um carrinho
um papel de rebuçado
uma flor velhinha e seca
um segredo amarrotado
um berlinde e um pauzinho
um fio azul, um pião.
Nunca o bolso está vazio
quando nele meto a mão!
Quando tiver de crescer
e o meu bibe se rasgar
onde vou buscar surpresas
onde vou buscar um sonho
quando deles precisar?
sexta-feira, dezembro 02, 2011
A longa (e bonita) viagem de um postal de Natal feito com o Scratch...
Já passaram quase três anos sobre o seu nascimento...
Viajou pelo MIT - http://scratch.mit.edu/projects/teresamar/344195 - onde foi destacado pela equipa (um dos featured projects na altura).
Viajou para o portal Scratch SAPO, quando ele nasceu, e aí se manteve sossegadinho à espera...
No ano passado, o Scratch invadiu a EB1 de Aiana de Cima pela mão da professora Ana Chambel e, este ano, todos os professores dessa escola foram contaminados.
Resultado?
Todas as turmas de Aiana de Cima estão a trabalhar com o Scratch em sala de aula... Quatro turmas do 1.º ao 4.º ano.
Um dia descobrem este postal e têm uma ideia: por que não cantar esta canção no momento em que todos os meninos da escolinha se apresentam na festa de Natal do agrupamento?
O professor de música escuta/vê o postal no computador... escreve uma partitura (que a autora não percebe nada de música) e ensaia todas as crianças em conjunto com os professores.
Os meninos produzem projetos Scratch alusivos ao Natal para projetar durante a canção e aqui a 3za é convencida a estar presente, enquanto autora do postal e da canção (e enquanto parceira de aventuras com as TIC), para acompanhar com a sua guitarra (o professor de música também, um de cada lado) as quatro turmas a cantar na festa.
Resultado?
Dia 15 lá irei de manhã para o ensaio geral... Dia 16 lá estarei na festa de Natal ao lado dos meninos que tenho acompanhado enquanto elemento do CCTIC-ESE/IPS. O papel do técnico tem de ir muito mais do longe do que apenas o apoio eficaz, eficiente e distante... Ele deve ser motor de sonhos, entusiasmos e de sementes. Um jardineiro. Porque não deixa nunca de ser professor, ao lado dos seus pares, adoptando como seus os meninos de outros, enquanto não regressa às suas turmas. É assim um professor com o desejo de chegar a mais escolas, mais meninos, abraçando mais causas do que apenas a sua.
Porque as TIC são feitas de gente... e só entrelaçadas com as pessoas chegam mais longe e mais fundo até ao lugar mágico onde se aninha o coração...
domingo, novembro 06, 2011
CREATIVE ESCAPES - Marjorie Yang: innovation is the key to lifting people out of poverty
28 Oct 2011-South China Morning Post
CREATIVE ESCAPES
(...)
Such examples exemplify how women can play a much more active role in incubating and promoting change. Women’s keen abilities in observing, relating and questioning are important skills for an innovator. Society needs to provide women with an empowering environment with opportunities for exposure, networking, taking risks and experimenting with new ideas and initiatives.
In the long term, at a macro level, education is key for innovative environments. Much is done to foster creativity at college level, but this will only have a limited effect if the effort is not extended to education at secondary and even primary levels.
Fortunately, bright innovative minds are working to address this problem. One project of note is Scratch, computer software developed by MIT Media Lab, that allows young children to create programs and multimedia content. It is now used by many schools worldwide. Education systems should seek to nurture and reward the creative, problem- solving mind.
Those who innovate hold the greatest potential to bridge societal gaps. In particular, women, who are the core on both domestic and professional fronts, are in a position to build a culture for innovation at home, work, and across society."
Marjorie Yang is chairwoman of Esquel Group and a non- official member of the Executive Council. This article is part of a monthly series on women and gender issues developed in collaboration with The Women’s Foundation
Semear... crescer... ramificar... (depois secar?)
Tudo começa com sonhos.
Sonhos teimosos.
Agora, devagarinho, entramos cada vez mais nas salas de aula, com a ajuda dos professores que se vão rendendo à alegria de ver os seus alunos criar, produzir, pensar, refletir, crescer através do uso de tecnologias entrelaçadas com humanos gestos, humana mediação, ao serviço da invenção, da produção de conteúdos. Quando vemos crianças nos primeiros anos a usar o X e o Y para se localizarem no espaço, crianças do pré-escolar a desejarem escrever para animar as suas próprias histórias, a desejarem ler para compreender as instruções que lhes permitirão dar voz a projetos seus, compreendemos que há ferramentas que nos levam mais longe no conhecimento (mais cedo e mais depressa). Em vez de as "treinar" apenas no consumo de jogos, que tal ensiná-las a criar os seus próprios jogos e animações?
Não abdiquemos da exigência.
As tecnologias podem estar ao serviço dela e não do oposto.
No 9.º ano já não precisam?
Engraçada, superficial e leviana afirmação.
Escuto testemunhos de professores universitários: os alunos sabem tão pouco. Uma complicação usar um editor de desenho, uma drama definir itinerários ou observar/interpretar estruturas com o google maps ou com o google earth... Skype? Ah... nunca usei (aconteceu-me há pouco com uma aluna - no contexto de uma cadeira de tecnologias na educação - que queria entrevistar-me e se preparava para uma deslocação física sem sentido). Questionam-se alunos-futuros professores: como usarias a tecnologia nas tuas salas de aula? Conheces ferramentas? Ah... levava uns jogos educativos e powerpoints...
Sabem muito sim. Telemóveis, jogos, escutar música. Usar o computador como máquina de escrever... e mal. Pesquisar... sem critério. Muitas vezes, sequer anexar um ficheiro numa mensagem de correio electrónico. Arriscar-se sem consciência. Desrespeitar direitos de autor. Copiar. Deixar numa identidade digital, inconscientemente desenhada, vestígios de uma reputação duvidosa que, no futuro, regressará como boomerang penalizador de percursos pessoais e profissionais. Divertir-se mais do que aprender, sem tirar todo o partido possível dessa ferramenta que só vale a pena se a alma não for pequena. Porque são pessoas que as utilizam, são as pessoas que definem os modos. A tecnologia é inerte.
Sabem muito sim. Na maioria das vezes não sabem o que deveriam saber.
Consumir, consumir, consumir. E criar?
Talvez valha mais a pena refletir sobre o currículo atual das TIC no ensino básico/secundário e enriquecê-lo de tempo e conteúdos para o tornar ainda mais exigente no que se refere ao conhecimento/utilização de ferramentas de produção, à importancia do rigor nessa produção (partilhada com o mundo e imagem de nós), ao desenvolvimento do sentido crítico relativamente ao universo digital em que vivem afogados, ao desenvolvimento de uma ética de utilização social que se entranhe, como se fizesse parte natural de cada um, e (n)os torne dignos da designação "digital natives"... em todos os sentidos.
E sem dúvida que puxaria a brasa à "nossa sardinha": aprender a programar, conhecer os bastidores de tudo o que utilizam (e o Scratch é uma boa porta de entrada) deveria ser uma meta fundamental desde muito cedo no ensino básico.
Acabar com as TIC...?
Uma sentença de morte no desenvolvimento e no futuro.
Um retrocesso colossal (para usar palavras em voga).
*Foto minha (ESE/IPS) editada com AdobePhotoshop textura aqui)
segunda-feira, outubro 17, 2011
Grãos de uma romã (Dia Mundial Pela Erradicação da Pobreza)
sábado, outubro 01, 2011
Faz sentido
Fui ali buscar um de entre os muitos livros que tenho dele. E depois descobri isto.
Nuno Júdice diz poemas da sua autoria from Pastoral da Cultura on Vimeo.
E li... e escutei... e agora vou ver se a roupa acabou de lavar para a estender...
E depois tentar avançar na publicação de recursos no portal EduScratch.
E comecei o dia a fazer pão. Um pão inventado (na máquina) porque não gosto de pacotes prontos cheios de misturas que não escolhi.
O melhor da vida é podermos cosê-la e cozê-la com os retalhos e os ingredientes de que mais gostamos e com os outros, os necessários, para ela se cumprir com alguma alegria e organização.
A felicidade para ser perfeita tem de ser absolutamente imperfeita.
Há pouco, no alta definição, o Zé Pedro dos Xutos dizia que, sobretudo, gostava muito de viver. E também disse que era bom a arrumar a casa.
Faz sentido.
quinta-feira, setembro 01, 2011
Receita simples e saudável?
Não prescindir do melhor, não economizar no essencial, planear sem eliminar o espaço para a surpresa, ou a magia, que a química das coisas sabe fazer acontecer com sabores inesperados. Confiar.
Verificar com cuidado os resultados enquanto tudo acontece e no final também... olhando de todos os ângulos, sentindo os aromas, saboreando cada pedaço de flor que nasce devagar, para poder sempre aperfeiçoar o necessário na vez seguinte. Resistir à tentação de fazer toneladas, fazer igual, industrial, copiado. Gostar da palavra grama, da palavra quilo. Menos é mais.
Podia ser a política educativa, podia. A educação, uma aula. A forma como cada um de nós trabalha o mundo à nossa volta. A forma como vivemos cada minuto de vida.
Assustam-me coisas que escuto. Muitos mais exames, muito maiores turmas, muito mais do mesmo sem nunca se falar do que é essencial.
Mas hoje é apenas uma receita de amor sem nome para concentrar num só pedaço denso de quase pão (para corpo e alma) ingredientes que já provaram merecer estar presentes na nossa vida: farinha integral, farelo de aveia, gérmen de trigo, sementes de chia, de linhaça, de sésamo, de girassol, flocos de aveia, sal, leite de soja, lecitina de soja, mirtilos secos, azeite...
Usem a vossa criatividade nas proporções, amassem tudo bem, tendam pedaços grandes, disponham em tabuleiros e cozam-nos no forno durante o tempo necessário ao vosso gosto... Podem congelar-se como pão. (Se preferirem doces... há mel... há frutose... há melaço... há malte... aventurem-se!)
É rápido, é bom e faz bem enquanto se caminha com as mãos pela massa (a paz doce de re_criar re_inventar alimento) e quando finalmente se saboreia.
Talvez muitos políticos devessem aprender a cozinhar com ternura e sapiência antes de exercerem o seu poder sem estratégia, sem conhecimento, ao sabor de nem se sabe bem o quê...
quarta-feira, maio 25, 2011
Século XXI: Os cromos (a tradição ainda é o que era)
Um dia destes cheguei a correr, pedacinho de pão na mão, vinda de uma entrevista feita por uma aluna de mestrado. O tempo já não era muito e gosto de me sentar no banco do recreio, no meio das meninas da turma, a fingir que também sou menina e a escutar, a perguntar, a conhecer...
Falavam de cromos. Achei que devia ser outra coisa e perguntei: Cromos? Cromos como?
Então, professora, aqueles cromos que se compram e colam numa caderneta! (Ar de espanto.) Não sabe o que é?
Oh meninas... eu sou licenciada em cromos!
E, já agora, cromos de quê? (lembro-me tão bem da minha caderneta da série de TV "Espaço 1999"... numa altura em que 1999 era um futuro de ficção... sim sempre fui um bocado aternativa na escolha das minhas cadernetas...)
Oh professora! É claro que é do Justin Bieber!!! Nunca ouviu falar dele? É liiiindo!!!! Não acha lindo???
Oh meninas... nem por isso... E enfim... prefiro os rapazes da minha idade... Hummmmmm... e o que fazem com os cromos?
Então professora (já meio a rir) colamos na caderneta e depois ficamos a olhar para ele muito tempo...
Por alguma razão estranha, achei que nestes tempos de internet, com as imagens todas à mão, e impressoras para as moldar, os cromos eram uma espécie extinta ou em vias de extinção. Tão simples ver os nossos heróis em todo o lado... do computador ao telemóvel...
Então...
Por que razão persistirá a magia dos cromos?
Não faço a mínima ideia... nem sequer me ocorre nehuma teoria sobre o assunto.
Só mesmo um sorriso e a frase: a tradição ainda é o que era, apesar do digital à mão de todos nós... :))
sábado, março 19, 2011
sexta-feira, março 11, 2011
Matemática, preocupações, piões, facebook e desafios...
Não é...
Mas não guardo para depois. E falo e chamo a atenção e ralho e é uma preocupação constante... Os avanços, os recuos, os disparates, a falta de concentração, as divisões, os cálculos ignorando as vírgulas, as unidades de medida sempre omitidas... A pressão das provas de aferição que obrigam a um programa, quase inteiro, trabalhado basicamente a correr até ao final do segundo período... como se fosse possível!
Uma escola com tempos e ritmos que não me agradam, que suplicam outros caminhos que não os que se avizinham.
Vejo-os apenas às quintas e sextas e esquecem-se de mim o resto do tempo. De mim e da Matemática. Tenho de recorrer ao marketing... Me desculpem os outros professores, mas farei tudo para ser o centro das atenções (eu e a Matemática) e vender o melhor possível a memória de mim e a lembrança do que é preciso fazer para vencer dificuldades.
Hoje cheguei à aula e vi um pião... gostei. Falaram-me da moda a crescer de novo. Bem a propósito da moda e da média que nos fez conversar sobre tratamento de dados, interpretação de informação e tomada de decisões. Fui eu, fui eu que trouxe o primeiro pião e agora já há mais na turma! Quantos? Estes todos. Mostraram.
São os primeiros minutos da aula. Não os perco, gasto-os em alguma reflexão. Hoje dei-lhes as notícias de ontem sobre a apresentação do catálogo dos blogues... o destaque ao seu blogue do Clube... e, depois, uma ideia. Quantos de vocês vão pelo menos uma vez por dia ao facebook? Muitos.
Então vou fazer-vos um desafio... E fiz. Por acaso fiz mais do que um. Nunca me consigo conter.
E fiz mais outros que (também) implicam o uso de telemóvel de forma criativa e construtiva.
É que assim estão a gastar tempo, mas estão a aproveitar melhor em vosso proveito, para além do lazer, as ferramentas e os "objectos" de que tanto gostam e que vos consomem tanto tempo...Acenaram com a cabeça... (espero também que com o coração).
Se me tiverem prestado atenção... vos contarei.
Suspense...
(Nunca sei o que esperar... mas não posso parar de pensar em soluções para evitar os meus lamentos e lamúrias, encontrando aliados, em vez de adversários, nos objectos digitais que veneram e os absorvem e exigindo-lhes ainda mais do que começa a ser hábito exigir-lhes. Aceitamo-los dando pouco de si, como se isso fosse um desígnio, um fado, um sinal dos tempos que os transporta até à universidade com todo o tipo de fragilidades na sua preparação...)
Ah! Hoje foi bom ver os piões a competir com esses objectos digitais...
Bom fazer todos os tempos coexistirem no mesmo espaço... :)
sexta-feira, janeiro 14, 2011
domingo, maio 23, 2010
Scratch Day: o mais pequenino. (E outras coisas)

Filho de uma das formadoras da equipa do PFCM... 6 anos.
Prestou muita atenção na conferência às explicações do Fred... de computador aberto no auditório lá colocou vários sprites no écran e construiu a sequência de comandos à imagem do que via. (A Mãe muito perdida, ainda com dificuldade em se iniciar nestas lides da nova ferramenta.) Em seguida, o mais pequenino do encontro, percebeu que podia distribuir a mesma sequência de comandos por todos os sprites (tal como o Fred explicava) arrastando-a para cima de cada um deles... Fê-lo. Quando a Mãe deu por isso, já todos os sprites se moviam de um lado para o outro.
Cá fora dizia-me: ele já percebe mais disto do que eu.
O que mais me impressionou? Para além da mestria com o Scratch... a mestria das mãos pequeninas dominando o rato táctil no portátil... Eu uso, mas não sou capaz daquela velocidade e precisão de movimentos... Devia ter filmado.
Isto para repetir algo que afirmei no auditório... Não vale a pena fingir que os "digital natives" não são expostos à tecnologia desde muito cedo. Serão muito raros os casos dos pais que conseguem atrasar, adiar este inevitável encontro da criança com as tecnologias. Desde muito cedo o DVD, o vídeo, a TV...o computador. Mas geralmente numa posição de consumidor, de click and play, click and use... raramente numa posição de criadores, inventores dos seus conteúdos, dos seus jogos, dos seus filmes...
É isto que o Scratch permite, especialmente se for combinado com outras ferramentas... Porque na posição de criadores, precisam de outros recursos e de aprofundar com rigor conteúdos clássicos (Matemática, Língua portuguesa, outras línguas, qualquer tema... qualquer assunto) para chegar lá onde querem... ao seu produto pessoal e com significado. Aprender assim faz mais sentido, pela necessidade do conteúdo. Depois é possível trabalhar esse conteúdo separadamente, de forma por vezes até bem clássica com exercícios de consolidação de procedimentos... Os meus alunos sabem bem da necessidade desse trabalho... O referencial cartesiano é disso um bom exemplo... Nunca começo por lhes ensinar o referencial para trabalharem no Scratch... Eles aprendem sim, no Scratch, que o x e o y determinam a posição de cada objecto e, muito antes de saberem o que isso significa, usam o referencial com mestria e transportam os objectos para onde desejam. Só mais tarde trabalho na aula o conceito e nem me tinha apercebido da importância desse trabalho de antecipação ( o Referencial cartesiano é um conteúdo de 7º ano que trabalho no 5º)... até...
... há alguns dia atrás, quando uma aluna da minha Geração Best (turma muito complicada, e com imensas dificuldades, que apenas conheci no ano passado já no sexto ano, mas que frequentava em peso o Clube Scratchtime uma vez por semana) me contou isto: ... ontem a nossa professora de Matemática - 7º ano - deu o referencial cartesiano e ficou muito espantada porque a nossa turma é fraca mas todos sabiam já tudo o que ela estava a ensinar!
É por tudo isto que continuo a acreditar que vale a pena, faz sentido e é preciso chegar mais longe na utilização das TIC como ferramentas de construção e não de consumo.
Pois...
Porque uma outra turma minha, depois de tudo o que viveu, está a ter uma nova experiência com as TIC que não tem dado bom resultado: as aulas de matemática são quase todas baseadas na apresentação de "powerpoints"...
Depois de olhar para os novos manuais, e recursos para os professores que vêm junto - muitos "powerpoints" para "apresentar a matéria", acho que corremos o risco de poder vir a empobrecer perigosamente as experiências dos alunos na escola... por conta de um mau uso das TIC ao serviço da educação... se cedermos à tentação do fácil... Espero que não aconteça.
Não uso powerpoints, acho o elemento humano fundamental, mãos na massa é a única forma de..., nas minhas aulas o trabalho mais clássico alterna com o trabalho de investigação onde todos têm o direito a participar, as TIC estão ao serviço de intenções pedagógicas de construção activa de conhecimento e não são nem omnipresentes, nem condicionam a acção educativa.
Vale a pena reflectir sobre esta questão...

terça-feira, maio 11, 2010
Agora é que vai ter de ser...
Depois de andar a esticar a cordita tentando chegar a todos os lados e mais um e de uma nova recaída neste fim-de-semana depois de um tempo a antibiótico mas sempre a correr de um lado para o outro (nem cheguei a curar a coisa)... hoje a sentença foi definitiva sem direito a apelo... (depois do dia duro de ontem, que acabou por ter os seus efeitos e me levou direitinha ao consultório no final da tarde).
Uma bronquite que precisa de casa, de paragem, de antibiótico (outra vez) e repouso... Até à semana que vem. Sem direito a reclamar sequer. (A tosse já dura há mais de três semanas)
Pois...
Já cá devias ter vindo há mais tempo... disse ele
Tem razão.
Mas enfim.
Mudar não é fácil... mas admito a necessidade.
(Já é um bom começo.)
quinta-feira, abril 15, 2010
Ia ser... mas não foi...
Seria...
Uma ameaça de bomba (e segunda este ano) inviabilizou todos os planos. Mais umas horas improdutivas na rua, tentando encaminhar as crianças... ao vento e à chuva, enquanto a brigada e os cães repetiam os gestos costumeiros (têm sido várias as ameaças nestes dois últimos anos).
Cansaço.
(Nada mais a assinalar.)
quarta-feira, abril 14, 2010
Buzy days? "Bee_zy" hours?
Pois...
Finalmente concluídas as três sessões de formação sobre isometrias... Dias inteiros fora e pouco tempo para vir aqui.
A sessão de ontem ficou marcada por uma nova presença "externa"... (pois sempre esteve presente na barriga da sua Mamã - uma das formandas).
Preparámos carinhosamente todo o percurso para que ela não fosse prejudicada pela gravidez e pudesse levar a bom termo tudo ao mesmo tempo.
Acho que este rapazinho lindo (20 dias apenas) vai ser matemático...
Vida de professor é assim mesmo... entre uma fralda e um leitinho.... trabalhar trabalhar trabalhar...
terça-feira, abril 06, 2010
Do amor, da tecnologia, dos legumes, do útil e do belo...
Porque as tecnologias podem ser o meio para expressar uma qualquer forma de amor quando fazemos algo dedicado ao outro, à felicidade do outro, à aprendizagem do outro e somos felizes nesse gesto de dar de nós...
quarta-feira, janeiro 20, 2010
O paradigma do 69... ou de como vamos perdendo as penas das asas
Com a moda dos exames nacionais em que 70% (seja lá o que isso for) já é Bom... algumas escolas, como a minha, puseram-se a pensar muito sobre o assunto e decidiram que, se nos exames nacionais a exigência é pouca, então vamos lá descer de 75 para 70 e dar Bom(zito) a todas as almas que conseguem um 70% num qualquer teste.
De repente o 69 passou a ser assim uma coisa mesmo muito especial... quase Boa, embora ainda Suficiente... assim um Suficiente mais, um Suficiente gordo, um Suficiente quase Bom... sei lá... um Suficiente quase maravilhoso! Repito-me (porque dei eco aqui na teia nessa altura), mas todos os anos esta coisa me aborrece e as consequências começam a estar à vista.
Há países onde o 60 por cento numa qualquer avaliação não é considerado sequer satisfatório (Lembro as notas do meu enteado que viveu no Canadá, onde o 60 era sinal de alerta e motivo de preocupação, implicando advertência a Pais, trabalho de recuperação e mais os etecéteras todos que, entre muitos outros factores, colocam o dito país entre os melhores nos resultados internacionais - não vou discutir agora o que isso significa, nem os outros factores igualmente importantes que o condicionam). Quem diz este, diz outros. E podemos falar de níveis de ensino diversos (do não superior e do superior) onde a bitola se ajusta por cima e nunca por baixo... e 60 é pouco mais que mediocre.
Mas nós somos especiais. Podíamos ser grandes, mas acomodamo-nos à nossa pequenez e continuamos na senda do encolhimento intelectual e cultural, porque enfim, coitadinhos e essas coisas assim... e a frustação... e os traumas e pronto.
Converso com os meus alunos sobre estas questões, estas perversões... Explico que sou obrigada a dar Bom, mesmo quando não acho que Bom seja a designação que melhor se aplica ao seu trabalho. Explico que é preciso pensarem mais além da nota. Que é preciso exigir de si próprio o melhor, não ceder à tentação da satisfação com pouco, à alegria por palminhas com cheiro a truque. Falamos muito de exigência, de disciplina no trabalho, de honestidade, de pontualidade, de cumprimento do dever que nos cabe (a mim e a eles). Falamos de saber aceitar os resultados menos bons como sinais de que podemos e devemos fazer melhor, como ponto de partida para reflectir e subir e não como rótulos colados na pele, ou motivações para choros infindáveis pouco produtivos.
Hoje pude olhar para 11 testes em 13 onde se encontram erros deste tipo (acumulados):
- uma estrutura desenhada (pelos próprios alunos) inclinada de cerca de 30º em relação à horizontal (estimativa visual) depois dos cálculos surge como tendo por inclinação as seguintes amplitudes: 89,5º; 88, 14º; 89º; 10º e outras coisas semelhantes...
- uma escala gráfica, onde se indica a distância - 25 mm - correspondente a 250 m, mal interpretada... erros de quem não consegue converter entre si unidades do sistema métrico... de quem não raciocina sobre o que está a fazer: uma estrutura que tem uma espessura aparente de cerca de 100 m (cortada na diagonal... e que se percebe ser um pouco maior do que a espessura real medida na perpendicular entre as linhas...) gerar espessuras reais de quatrocentos e muitos metros.... de 0,007 m... de 1,5 cm... distâncias sem unidades.... em vez dos supostos cerca de 82 m...
Há mais exemplos de outras coisas semelhantes e bem mais graves e reveladoras de uma total ausência de sentido espacial, ou sentido do número, mas paro por aqui.
Isto depois de um penoso semestre com o professor a ensinar os alunos corpo a corpo, mesa a mesa, a medir com um transferidor, a converter unidades do sistema métrico entre si, a operar com fracções (Oh professor, por que é que aparecem aí os denominadores todos iguais???)
Ah! Dois alunos devem ter achado o teste muito fácil (e era... ) pois não falham uma única resposta. Todos os outros terão negativa.
Tudo poderia parecer algo normal no panorama educativo nacional. Poderia. Poderia estar a falar de alunos do 6º ano de escolaridade (chocar-nos-ia, mas nem muito). Talvez do 3º Ciclo (já nos feriria os sentidos)... Quem sabe do Secundário... (seria muito muito triste e preocupante)
Mas trata-se de uma turma, de um segundo ano de uma Universidade, a frequentar um curso na área das Ciências (logo, a Matemática foi uma componente essencial do currículo escolar).
Resta dizer que se fossem estes os testes que nos tivessem sido apresentados na primeira metade da década de 80... na mesma Faculdade, a geração do curso desses anos deveria ter terminado a licenciatura com 20 valores. Não acabou. Foram dois 17... e abaixo apenas um 15 e depois avaliações inferiores. Mas não eram estes os testes. A exigência era outra.
Se isto é assim num espaço onde é suposto estar quem passou num diz que é uma espécie de crivo... o que podemos imaginar sobre quem ficou à porta?
Costumo falar destas coisas aos meus alunos. De como é triste (e um insulto ao seu sentido lógico) vê-los deixar num teste como resposta a um problema: a idade de um menino como sendo 99 anos... o peso de uma criança como sendo 400 kg... o dinheiro que se entregou, para pagar algo, como tendo um valor inferior ao do preço pago (que é dito, juntamente com o troco)...
E de ano para ano torno-me mais exigente, estico os limites dos desafios, procuro trabalhar para a excelência real e não para essa ilusão balão de ar. Explico-lhes as razões.
O paradigma do 69 atrapalha-me o caminho e os gestos, mas não desisto nem me aproximarei do chão arrastando os alunos comigo, roubando-lhes as penas das asas uma a uma, só porque sim e tal.. só porque nem vale a pena... só porque assim ficam todos felizes e dói menos a quem ensina e a quem aprende.
A verdade e uma certa dose de infelicidade e frustração ajudam-nos a crescer...
A mentira não.
ADENDA: Não posso deixar de acrescentar o comentário pertinente de um leitor, que merece ser trazido para a página da frente:
Sem pôr em causa o sentido do artigo, com que concordo, não posso deixar de comentar que há 40 anos atrás 14 (70%) era "bom" pequeno. A diferença é que no meu Liceu raramente alguém tinha mais que 15 no 1º período, 16 no 2º e 17 no 3º. Nos meus anos, pelo menos, não recordo ninguém que tenha tido, fosse qual fosse a disciplina. Portanto 14, 70%, era de facto bom...
domingo, janeiro 10, 2010
Teaching without speaking...
Jeffrey R. Young
Wichita, Kan.
Elaine Smokewood says losing the ability to speak has made her a better teacher.
About two years ago, the 54-year-old English professor at Oklahoma City University was diagnosed with Lou Gehrig's disease, or amyotrophic lateral sclerosis, and the incurable malady has taken so much from her. It has stolen control of many muscles in her face, along with her ability to live independently. But ALS has also taught her how to teach more effectively, she argues, in ways that were a complete surprise.
The trick: Use technology to get out of your students' way and listen, really listen, to what they have to say.
Most professors believe they listen to their students, of course, and that they hold vibrant discussions in class. Ms. Smokewood definitely believed that, viewing herself as an "interactive" teacher.
"Highly interactive," she told me when I visited her home office here. "And in some ways I was. But I still saw myself as the most important person in the room." That's pretty common on campuses across the country, and some would argue it's the appropriate role for a teacher.
(...)
sábado, janeiro 09, 2010
Dormências, carimbos, cicatrizes e janela aberta sobre o futuro necessário...
http://5dazeitao.blogspot.com/
Deixei entradas e miminhos e recursos no meio e na coluna lateral...
Precisam. Merecem.
Quanto a acordos... Não sei que penso, nem o que sinto. Acho que ainda não consegui parar para pensar, ou sentir muita coisa. Uma certa dormência, confesso. Mas o mais certo é não sentir nem pensar nada de muito diferente do que pensa e sente muito boa e admirável gente - parceiros destes caminhos estranhos dos últimos tempos. Coisas boas, coisas menos boas e tal. Necessidade de aprofundar as questões, de avançar noutras linhas. Ando com mais vontade de escutar (selectivamente) do que de falar sobre o assunto.
É que, na prática, para realmente tentar continuar a ser excelente junto dos meus meninos, a semana já não me chega, nem os dias. Estou a trabalhar desde muito cedo hoje apenas para eles (não foi apenas o blogue... novos materiais, novas abordagens, fichas, recursos...).
E... por ter tentado ser o mais excelente possível para os alunos nestes contextos absurdos (reservando o meu tempo para eles e para o que é importante na minha formação/estudo com reflexo no trabalho com eles) apenas pude ter Bom nas coisas da minha avaliação. Os indicadores eram outros, as regras claras... devo ter-me enganado quando apontei armas às crianças... devia talvez tê-las apontado obedientemente aos papéis e às leis do jogo...
Empenhar-me para ter Excelente e não para ser Excelente...
Paradoxos.
Mas não fossem estas conquistas recentes... nem Bom teria tido - apagariam todo este meu tempo de dedicação com uma notificação que assinei. E nunca mais progrediria na carreira com a birra de não querer ser titular de coisa alguma nas contas de uns golos que se haviam marcado nos últimos 7 anos. Parece que há afinal algumas coisas boas, sim, e que valeu a pena acreditar e lutar serenamente com convicção contra muitos ventos que se diziam ser os da direcção certa.Sinto uma certa paz de espírito. A paz possível.
Cá estaremos para ver se prevalece o que é importante, ou nos vamos afogar mais uma vez no acessório e centrar as nossas atenções em nós, nos nossos percursos e carreiras, nos nossos dossiês e indicadores, lembrando-nos das crianças duas vezes por ano nas aulas assistidas...
É que o tempo, repito, se quisermos um outro tipo de excelência, não chega realmente para tudo nesta estrutura asfixiante em que a escola se tornou... vos garanto. (Espero que, como se diz e ficou escrito, se continue a batalhar nesta frente e noutras fundamentais, porque nem só de carreira e progressão se fazem as vidas dos professores, por muito importante que tudo isto seja).
E continuarei a preferi-la, a essa excelência, porque é ela que mata as fomes e as sedes importantes, é dela que os alunos e as suas famílias precisam (não me queixo de falta de apoio ou carinho, pelo contrário... têm sido os meus melhores aliados em todas as aventuras) e é aquela que me faz crescer e ser sempre melhor no minuto, no dia, no mês, no ano seguinte... com consequências para o universo mais vasto da Educação. Agir localmente para mudar globalmente (frase tão antiga aplicável a tanta coisa).
E é preciso tempo para crescer, para aprender mais, para corrigir percursos, para ser melhor...
Ora o propósito da avaliação deveria ser fazer crescer. Sim? O que é diferente de fazer subir escadas (embora, no mundo ideal, estes dois "fazeres" devessem andar juntos...)
A sensação que tenho é que tem sido sinónimo de... carimbar. Assim com ferros em brasa e sem jeitinho nenhum. Grosseiramente. Deixando cicatrizes e pouco mais.
O futuro necessário?
(Nas nossas mãos. Como/onde sempre esteve. Onde sempre estará.)
segunda-feira, dezembro 28, 2009
Lá longe em terras de África
Por um lado família, por outro o cheiro da terra e ainda/sobretudo a criação de protocolos de cooperação com a Universidade (na área das Geociências). Viagem muito desejada. Sarar todas as feridas.
Acabei de receber telefonema do Kruger Park... sim, fotos prometidas, mas sem internet. Ter rede já foi inesperado. Que já fotografou hipopótamos e outras criaturas. Pois. Passagem de ano em grande. Deixo aqui uns hipopótamos do dito parque, recolhidos na net, e fico à espera de receber os outros. Regresso marcado muito para além da altura em que eu regresso à azáfama do costume... Não falto a compromissos, pois. Por isso falo de lá, mas aqui...
















