
Tinha missão difícil hoje.
Missão de amor, ao que parece...
E parece que me estão destinadas demasiadas missões de amor destas...
Foram muitos e bons anos. Não te deixaria nunca sofrer mais do que a conta para me provares, como provaste, que eras uma sobrevivente. Recolhi esse exemplo de tenacidade, guardo-a nas boas memórias junto com todos os bichinhos de quem já tive de me despedir.
E por mais que me repita o ciclo da vida e essas coisas, sei que ainda passará um tempo até o pior se desvanecer e só sobrar o mais doce.
É assim sempre. O meu coração sabe. Mas depois esquece. E depois volta a recordar. A paz regressa.
E releio o poema que escrevi há muito pela mesma razão.
Sempre pela mesma razão.
Era o certo a fazer.
Hei-de saber que sim...
Despedida
Mãe...
Onde foi o passarinho
que vivia cá em casa?
Está no céu dos passarinhos
a mãe levou-o na asa.
Mãe...
Onde está o meu peixinho
que não mora mais comigo?
Foi para longe descansar
será sempre teu amigo.
Mãe...
Onde está aquela flor
que vivia no jardim?
Deu lugar a outra amiga
porque a vida é mesmo assim
uma roda grande, grande
que gira sem nunca parar
e o que vai deixa um espaço
que o que vem pode ocupar.
Então por que estou eu triste
com vontade de chorar?
Chora, chora, no meu colo
que logo o teu coração
vai aprender o adeus
para as boas-vindas dar.
