É preciso tê-los enfiados em qualquer lado. Não importa onde, nem como.
E fabricar sucesso. Em série. Com cheiro a mofo.
Arranco um sorriso não sei de onde (aliás, sei, são as estrelas dos olhos deles que o fabricam): meninos, vamos começar?
À tarde plano de Matemática. Pensar em combater o insucesso. Ironias. Uma casinha quente ajudava. Isto não vai lá só com pedagogias. Depois, em seguida, mais um Conselho de Turma em sala também fria... a acabar previsivelmente tarde. (Ah! Sou secretária da dita... mais tarde ainda do que tarde...)
Das 8 às mais que 8. Já não chove só do lado de fora. Há uma chuvinha aqui por dentro a marcar o compasso dos dias. Tento sacudi-la. Às vezes não é fácil.
Amanhã às 8, tudo recomeça. Na mesma sala fria e molhada. Um ciclo vicioso. Viciado. Repito: com cheiro a mofo.
Salvam-se os dias apenas por causa deles. Mas mesmo eles se desalentam e desconcentram e se entristecem com os locais que lhes destinam (em casa é que se está bem, no quentinho e com bons equipamentos). E isso vai-se reflectindo no interesse, no ânimo, até nos resultados. Sabem que não merecem. Que têm direito a mais. Este é o seu tempo de viver a escola. Esta espécie de escola às pressas, meio apodrecida (não apenas por causa da humidade). Tentamos ser assim uma espécie de sol para os aquecer, para não os perder. Porque sabemos, repito, que este é o seu (mau)tempo de viver a escola.
E o tempo não volta atrás...
(Que preservem, apesar de tudo, algumas boas humanas recordações!)
