segunda-feira, setembro 15, 2008

Da janela do meu quarto: crianças felizes (a tempo inteiro)...

Para além dos arranjos no jardim, outra missão foi cumprida em férias: esvaziar a garagem, limpá-la e pintá-la. Nesse processo, muitos objectos foram distribuídos por quem os quis, outros foram para o lixo. Entre estes, uns móveis de pinho velhos (os primeiros da minha primeira casa). Nem um dia depois, alunos meus já os haviam (re)utilizado para montar um forte no muro que separa a piscina do campo onde se divertem a brincar. A conselho de um pai, que os ajudou, mudaram tudo para longe, para os confins do "campo da bola". Entusiasmados, e também com sugestão e ajuda deste doce pai, construíram à volta dos objectos desmontados e montados ao seu jeito, uma tenda índia. Contaram-me que depois até poderiam fazer ali trabalhos de grupo escondidos do mundo e como o pai os havia ensinado a entrelaçar as ervas em volta das canas. Ai os sorrisos...
Todos os dias os tenho ouvido, visto da janela do meu quarto, crianças felizes, correndo, brincando, andando de bicicleta, montando a tenda lá longe, escondendo-se nela, arrastando de bicicleta um carrinho com rodas construído com a ajuda desse mesmo pai...
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Ontem, Domingo, andaram por estes lados (devem regressar hoje - feriado por aqui) e, quando os vejo, dou comigo a pensar na sorte que têm por poderem viver num local assim e ainda poderem usufruir de uma rua acolhedora e segura, longe e perto do olhar dos pais.

Só tenho pena dos horários sobrecarregados da escola, que dão jeito aos pais (no dizer de quem entendeu ser esta espécie de escola a tempo inteiro a solução para todos os males), mas que os prendem na gaiola muito mais tempo do que o necessário. Outras soluções existiriam... porque era importante que todos os pais, independentemente das profissões, tivessem tempo para os filhos... tivessem tempo para brincar com os filhos, tivessem vontade de ter (mais) filhos (a população está a envelhecer dramaticamente, como escutámos há dias... porquê?)

Da janela do quarto de algumas pessoas não se devem ver muitas crianças felizes na rua... talvez por isso se esqueçam de como era ser criança no tempo em que o foram. Se alguma vez o foram.

(A vida devia ser uma coisa assim bem mais simples do que aquilo em que se transformou. Aquilo em que deixámos que se transformasse.)

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