sexta-feira, novembro 09, 2007

Emergência... X e Y, negativos e positivos... Mistério...

... neste caso veterinária, associada a mil simultâneos afazeres, fizeram deste dia um dia não fácil. Felizmente a situação está agora mais sob controlo, mas... é precisa muita vigilância. Todas as atenções estão viradas para ele.



Ainda que com o coração apertado, the show must go on, portanto... nem vos digo o que foi hoje a aula de matemática com os pequenitos de manhã... Mas podem vislumbrar...

x e y , números negativos no 5º ano? Pois... Há que inovar o currículo. (Será que me levam presa um destes dias?). Foi um pequeno grande desvio depois de andarmos a descobrir como escrever números em semi-rectas...

Vamo-nos preparando para a aventura com o Scratch que está quase a começar... estão desejando, mas não abro o jogo. O mistério faz parte. O meu M, quando nos viu a desarrumar a sala, exclamou feliz: vamos fazer ginástica! Não M, não é ginástica, vamos continuar com a matemática, mas no chão.

Caminhava feliz de um lado para o outro e ajudou, como se pode ver na segunda imagem, na marcação de um dos pontos.



Entusiasmo grande. Sobretudo quando lhes preguei uma partida e os desafiei a marcar: (-3,4). Discutiram o que seria aquele menos três... chegaram a colocá-lo a meio entre o dois e o três... (-3... atrás do 3... faz algum sentido) foi uma proposta que reuniu vários adeptos... mas quando lhes perguntei onde ficava agora o 2,5... a dúvida cresceu e... nem sei bem como, a discussão encaminhou-se para o local adequado e eles, olhando para as zonas dos eixos ainda não marcadas, começaram a marcar os negativos correctamente no x e no y... depois veio a lembrança do termómetro... e ouviram-se comentários muito interessantes no processo de discussão.

Queriam desenhar no caderno o que desenhámos no chão. Não deu tempo. Façam em casa se quiserem e, já agora, podem inventar um desafio: indicam pontos para marcar, de tal forma que, se forem ligados, permitam descobrir figuras mistério... Turma ao rubro. verei o que sobra do entusiasmo depois do natural arrefecimento do fim-de-semana.

Agora, Clóvis, sou toda tua. Ou quase... que o Jasmim, a Pantera, a Peggy e a Maria também reclamam atenção... Como dizem os sobrinhos, esta casa mais parece um jardim zoológico... :)

quinta-feira, novembro 08, 2007

Mudei de wallpaper agora mesmo...

... há ângulos rectos verdadeiramente fascinantes.
Vlad, no texto de divulgação que envia aos seus subscritores, diz:

X and Y
I think they want to meet face to face and talk to each other! But will they have common topics? :-)






Não sei porquê, acabou de me vir uma coisa à ideia...

.

(O poema? Não... esse terá que ficar para outra ocasião, que a vida não anda de feição para a poesia...)



É ali ao lado...

Para não me repetir... que o Verbo tem o seu valor e a energia os seus limites, aponto o caminho para a porta do lado, onde deixei uma sementita aos interessados em educação e tecnologias:

“What’s the big idea?” de S. Papert (e publicações da IBM)
.

Mesmo que a maçã lhes caia na cabeça...

... não vão nunca compreender a razão.
Dirão: a culpa é da árvore.

Ilustração: Peter Reeve

Depois de tudo aquilo a que temos assistido, há esperanças que nem vale a pena ter... Eu cá tenho outras esperanças e convicções, que se baseiam no real, desconhecido daqueles que (danosamente) o gerem, e a elas me agarro com unhas, dentes e o mais que haja. Por causa da defesa delas começo a (pre)sentir que acabarei com uma ou outra nódoa negra...
Mas o silêncio faz-me confusão. E a causa merece.

A história acabará por trazer à luz a verdade das razões.
(Temo que com danos irreparáveis.)

quarta-feira, novembro 07, 2007

O sistema digestivo em 2 minutos... o cancro conversado muito tempo

Já sabem que é assim.
Importante não é gastar horas infindas com a comida entra na boca e tal e a saliva e a língua os dentes a cortar e tal e o bolo alimentar e deglutição e contracções musculares do esófago e tal e mais o estômago e assim e... Num instante se aprende tudo isso e até sugeri um desafio: fazermos um filmezito do tipo: o sistema digestivo em dois minutos, para imitar o célebre vídeo da História de Portugal em 7 minutos. Se conseguirmos, depois partilho.

O importante é perceber a importância do equilíbrio de funcionamento de cada sistema, a sua fragilidade, as doenças que podem acontecer, quantas vezes por culpa nossa, gestos e hábitos errados, outras porque a genética nos marcou. Infalivelmente a pergunta acabou por surgir, como sempre surge:

oh professora, mas afinal o que é o cancro?

E lá fomos nós ontem. Ávidos de perceber. Como é constituído o nosso corpo? Por células... Sabiam que...? Depois a natural tendência para irem pedindo a palavra e contar algo, fazer mais uma pergunta: qual é a diferença entre uma infecção e um cancro? Ou são a mesma coisa? (Percebi no fim da aula que esta aluna devia ter tido uma infecção mamária e que a angustiava pensar que seria cancro). Todos com histórias próximas. Deixo-os falar. Mas uma das histórias demasiado próxima. Demasiado presente ainda. Felizmente com situação estável, cenário muito bom e optimista. Mas luta complicada. Eu sabia. E procurava os olhos dela para não ferir, para trabalhar a delicadeza nas palavras, recolhendo a confirmação em acenos de cabeça quando falei de tratamentos, das suas difíceis consequências, da importância da detecção precoce, do facto da palavra esperança e cura serem as mais importantes na estrada do cancro. A palavra Mãe não rima com cancro por uma razão forte. Não devia ser possível acontecer. Mas é. E muito cedo, quantas vezes demasiado cedo, temos de lidar com essa realidade, crescer mais depressa do que os amigos. Ela sabe. Talvez também por isso seja a menina especial que é. Não é segredo para a turma. E a certa altura senti que precisava de parar, olhá-la, pedir-lhe directamente desculpa por avivar memórias, por entrar por porta tão delicada que de certa forma a tocava. As lágrimas finalmente chegaram ao rosto sempre feliz e acolhedor. Chegaram ao dela, depois ao meu em frente da turma enquanto continuava a falar procurando a melhor maneira de nos apaziguar, depois aos da sua melhor amiga que se levantou e a abraçou. Aos de outra menina sensível. Olhares ternos, compreensivos, silêncio acolhedor. Serenámos. A última palavra foi de alegria pela confirmação de uma batalha vencida, regressaram os sorrisos após a comoção.

Reforcei o desafio do vídeo explicando e exemplificando de forma divertida como se podia condensar a informação sobre o sistema digestivo (acharam graça e riram aliviados... precisavam de rir um pouco... eu pressenti). Acrescentei:
perceberam por que gastamos pouco tempo com os sistemas e muito com o que realmente é importante? Porque me preocupo quando vos vejo a comer o que não devem? Porque insisto tanto com a necessidade de revermos os nossos hábitos de vida?
Acho que perceberam.

A melhor lição que de ontem? As lágrimas que partilhei com eles. O melhor do dia? A humanidade da comoção e da solidariedade em meninos tão jovens. E confesso, aqui no silêncio e na paz desta solidão forçada, ao recordar estes preciosos momentos, as lágrimas regressam por todos os que na sua pele, ou na pele dos que amam, passam por este duro caminho. Por ti T. Pela vossa luta.
Não vos esqueço. E sei que a vida tem de ser vivida intensamente, aproveitada e bebida até ao fundo. Foi a mensagem do final da aula. Ainda me falaram do aluno que deixou memória imensa nos recantos da escola (foi um orgulho conhecê-lo no ano anterior)... um excelente aluno, agora no 10º ano. Oh professora ele tinha leucemia não era? Era. Foram muitos anos a lutar. E sabem que no IPO ajudava os mais pequeninos? E ainda conseguia estudar, trabalhar e ser sempre o melhor. Ele sabe bem que a vida não pode ser desperdiçada, mesmo quando estamos doentes. É um bom exemplo para todos nós!

Essa lição são vocês que nos ensinam... Eu sou apenas o mensageiro.

terça-feira, novembro 06, 2007

"Big Ideas for Better Schools" - Edutopia(?)

.
Gostava de acreditar que não. Não é uma edutopia.
Embora esta coisa de ouvir repetidamente falar em treinar os miúdos para perguntas de exame... que vamos ser avaliados pelos resultados dos exames e só os professores de Matemática e Português vêem o seu trabalho avaliado desta forma (especialmente os de Matemática, pois o insucesso é o que se sabe)... que isto aquilo e aqueloutro sempre no sentido pouco criativo de enclausurar o ensino em túnel que tem como único objectivo chegar à luz da prova final... não augure nada de bom...
Não faz mal nenhum manter as expectativas altas.
Não faz mal nenhum sonhar e trabalhar para lá chegar... mesmo que cada vez seja mais difícil, com este estrangulamento à nossa volta e com o fantasma da nossa própria avaliação a pender feito espada se não nos acomodarmos à norma: mesmos testes, mesma velocidade de "ensino" da matéria, mesmo tudo... que é para tudo ser igual e não haver diferença nenhuma. Jogar pelo seguro? Estamos a fazer o quê? Alguém acredita que é assim que lá chegamos?
Sou pela diferença. Pela inteligência. Este sistema não as serve. Começam a chegar os primeiros sinais de como tudo ficará bem pior do que estava, bem mais pobre (não em quantidade de papel gasto... isso vai ser de sobra!).

Pouco feitio para rebanho. E começo a ficar preocupada. Uma certa falta de ar. Um certo sentimento de desadaptação à coisa sem causa em que querem transformar a escola.

Partilho algo que o JL partilhou comigo. Sonho com dias diferentes. Tento encontrar nas margens espaço para contribuir para a construção desses dias.

VIDEO: Big Ideas for Better Schools
Fourteen years ago The George Lucas Educational Foundation was created to celebrate and encourage innovation in schools. Since then we have discovered many creative educators, business leaders, parents, and others who were making positive changes not only from the top down but also from the bottom up. Since that time we have been telling their stories through our Web site, our documentary films, and Edutopia magazine.

Along the way, we listened and learned. Nothing is simple when strengthening and invigorating such a vast and complex institution as our educational system, but common ideas for improvement emerged. We've distilled those into this ten-point credo.
In the coming year, we will publish a series of essays that further explores each aspect of this agenda, with the hope that those on the frontlines of education can make them a part of their schools.


Students
Engage: Project-Based Learning
Connect: Integrated Studies
Share: Cooperative Learning
Expand: Comprehensive Assessment

Teachers
Coach: Intellectual and Emotional Guide
Learn: Teaching as Apprenticeship

Schools
Adopt: Technology
Reorganize: Resources
Community
Involve: Parents
Include: Community Partners
Students

(...)

This article was also published in Edutopia Magazine, September 2005

Ler AQUI o resto...

segunda-feira, novembro 05, 2007

Formigas e flores

Não, não é uma nova espécie.
Podia realmente ser uma flormiga, ou uma formiglor, mas não.
São mesmo formigas normais a transportar flores normais.
.

E por que falo disto agora?
Exactamente para não falar de mais coisa nenhuma.
Podia falar do sol quente de hoje... mas acabaria inevitavelmente a falar da falta de chuva, do aquecimento global, do incerto futuro...
Podia falar das estrelas... mas acabaria a falar de como os dias e as noites se sucedem a um ritmo frenético com uma organização absurda do tempo, que não nos nos permite sermos melhores e mais eficazes no que fazemos...
Podia até falar de animais... como aves, gatinhos e cães, mas acabaria a padecer de uma certa súbita inveja de um voo, de uma soneca a meio do dia, de um passear, deambular, brincar sem destino ou consequência.
Em vez disso escolho falar de formigas a transportar flores. (Uma imagem captada há pouco tempo pelo Cara-Metade numa viagem de campo à costa atlântica do Algarve.)
.

Assim não corro riscos.
É que às formigas... não as invejo.
E flores... bem... estou com elas todos os dias e esse é o único alento para esta mistura sem nexo em que se transformaram os dias nas escolas. (Ai... que estou a resvalar...)

As flores, dizia eu.
As flores. Eles, os miúdos. O melhor do mundo.
O melhor do mundo.
Agarro-me com força a este pensamento bom.
(E calo todos os outros que me queiram visitar hoje.)


.

Tecnologias e Educação - choques (2)

Este ano a coisa não anda boa.
A Biblioteca está sem Internet porque um aparelho se avariou e... já nem sei se agora é falta de dinheiro, se é o aparelho que não chega... enfim. O técnico disse-me qualquer coisa assim. Penso que um dia o aparelho chegará. Mas o primeiro Período será um período de oportunidades perdidas.
Por outro lado, a rede sem fios CRIE é conforme... ora sim, ora não. Dizia-me o técnico na sexta: olhe, quando for assim, vá à sala de informática, desligue e volte a ligar a tomada por baixo da caixa.
(Que sim... que sim. É muito prático...)
Hoje instalei-me na sala de professores, na minha hora de portáteis, para trabalhar...
Nada de 'net. O CRIE sem fios ligava-se por segundos e caía novamente. Uns minutos de volta daquilo, a irritação a crescer (tenho pouca paciência para coisas que não funcionam e me fazem perder tempo, confesso). Claro, fui pedir uma chave, subi as escadas, na sala de informática liguei e desliguei a ficha da tomada... mais não sei quantos minutos perdidos (dá imenso jeito, é realmente muito prático quando temos 45 minutos para nos concentrarmos e tentar fazer qualquer coisa).
Regressei ao portátil e nada. Tudo na mesma.
Desisti e tirei da mala o meu ratinho vodafone wireless (que pago com o meu dinheiro, claro).
Pouco mais consegui que abrir o mail e aceder ao blogue da minha turma.
Aproveitei e fiz um registo na agenda (tenho registado todas estas ocorrências... já são umas quantas... em que quero trabalhar e não posso, seja individualmente, seja com alunos como aconteceu na sexta e antes, nas aulas de apoio). Quando me pedirem o relatório sobre as actividades realizadas no âmbito dos portáteis, enumerarei as dificuldades em vez das actividades. Quando me pedirem que me auto-avalie............................

Estou na hora de almoço a tentar fazer o que não consegui fazer na escola, antes de lá voltar para mais umas aulas e um apoio (onde tentarei de novo usar os portáteis na esperança de ter mais sorte). Mas não resisti a desabafar porque estou... chocada.

Choque tecnológico?