quarta-feira, dezembro 13, 2006

Meio sonho não chega...

...é preciso
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http://www.vladstudio.com/home/

Precisei respirar...

Novidades... SOS... Escola Virtual...

Pois é...
Eu bem vos disse que havia surpresas a caminho...

O SOS Professor - Teia de Apoio
http://www.sosprof.blogspot.com/

vai mudar de casa...

Isso mesmo!
Finalmente foi criada a estrutura de uma modesta escola virtual, na qual irão sendo disponibilizados os mais diversos materiais de apoio às disciplinas, áreas curriculares não disciplinares e apoio ao trabalho do professor.

http://escolavirtualcreazeitao.googlepages.com/

A semente lançada pelo SOS deu fruto e agora caberá a todos os professores aproveitar este novo meio para a divulgação de materiais que possam ser úteis para os alunos e, também, para professores e encarregados de educação. Caberá também à Escola, manter actualizada a divulgação de documentos vários nela produzidos (já existem actualizações de alguns documentos publicados no SOS, que serão divulgadas logo que possível).

Confessamos: não fomos puristas nas questões gráficas. Optámos por uma simplicidade funcional e pela diversidade de materiais colocados (sem uniformização de estilo). A ideia é que se torne simples a gestão e o acesso, para que o trabalho não fique concentrado nas mãos de um ou dois professores e todos sintam que faz sentido a divulgação dos seus materiais sem acréscimo desnecessário de tempo. Garante-se assim uma continuidade mais certa da ideia e do projecto e uma maior adesão por parte dos docentes. Claro que estamos muito no início e é preciso agora continuar a enriquecer esta versão virtual de escola... um primeiro esboço que, esperamos, mais tarde faça outros voos em suportes mais adequados.

A Escola Virtual insere-se no conjunto de actividades previstas no Plano de Actividades da Biblioteca Escolar-Centro de Recursos Educativos, em articulação com o Plano Tic e Projecto dos Portáteis, procurando dar resposta a alguns dos problemas identificados pela comunidade e registados no Projecto Educativo. (Responsáveis: Gisélia Piteira - Coordenadora TIC e eu própria, enquanto coordenadora da BE-CRE).

A primeira pedra foi lançada... há que avançar na construção!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Aula Bola de Cristal


Dia de conversar com os alunos sobre avaliação.
Comparar impressões, recolher a visão de cada um sobre o seu próprio desempenho.

Exercício que não é fácil nem para eles, nem para nós. Importante, sim, o diálogo, a reflexão que resulta de tudo isto... mas o modelo em que nos baseamos não é para mim o melhor, portanto... Não é por aqui que vou hoje. O tempo não chegaria.

Sobrou pouco tempo. Apeteceu-me provocá-los, desafiá-los...
Expliquei que me atrasava sempre um pouquinho no 1º Período, mas que depois recuperava porque eles começavam a sentir-se mais confiantes e se podia avançar depressa nos conteúdos mais simples (e repetidos do 1ºC), demorando nas questões novas e nas verdadeiramente importantes como a resolução de problemas.

Sabem, daqui a uns tempos vamos aprender a resolver expressões numéricas. É uma coisa nova para vocês, mas não é difícil... o que interessará é a forma como as usarão para resolver problemas... mas a técnica em si não custa muito. Acho que se vos explicasse agora assim a correr (já não temos muito tempo) vocês até percebiam e, depois, um dia no futuro, quando lá chegássemos iam lembrar-se de algumas coisas... o que acham?
Quiseram, claro... O desafio de descobrir se compreendiam um assunto que só abordaríamos no futuro foi sedutor... ainda mais com a professora a dizer que era só por curiosidade e que se ficassem com dúvidas nem havia problema... afinal, era uma espécie de viagem ao futuro em segurança e sem compromisso. (Diz-me a experiência que ficam mais leves, menos tensos e abrem-se mais facilmente à experiência de aprender... não dou ponto sem nó.)

Sem preocupações, avançámos.
Até de potências conseguimos falar... do metro quadrado, do metro cúbico... vêem... vocês até já conheciam potências! Lá fomos fazendo tudo a correr porque o tempo era realmente muito pouco. Eles a gostar da corrida. Sorrisos na cara. No final escrevi no quadro uma enorme expressão com todas as operações e uns parêntesis marotos! Oh professora! Parece a fórmula de um cientista! Isso deve ser difícil! Não é não, outra voz, é só seguir aquelas regras da prioridade do trânsito! Não sei se sou capaz... Podemos fazer? Podemos? Eu cá acho que consigo...
Antes de avançarmos disse que ia partilhar um segredo - a magia necessária para não nos perdermos numa tarefa que pareça muito complicada. Nunca resolvemos mais do que uma coisa de cada vez... Não queiram fazer tudo, pois assim é muito assustador.
Vamos lá... lembram-se do que eu disse? O que é que fazemos primeiro? É aquela coisa da potência... sim, então... cinco ao quadrado é cinco vezes cinco que dá... dez!!!!!!! Gritam em coro alguns. Rapidamente perceberam pela minha cara a escorregadela e corrigiram... vinte e cinco!!! E depois, a seguir? São os parêntesis... é a conta que está lá dentro!... E depois copia-se tudo o que não se fez ainda... e...

Lá fomos devagarinho, fazendo uma coisa de cada vez e eles nem queriam acreditar que finalmente o fim chegava. Simples.
Nem é difícil! Eu cá ainda tenho umas dúvidas! Foi giro! Foi assim uma viagem ao futuro!
Pois... mas como vos disse, o que depois vai ser engraçado é usá-las para conseguir encontrar a solução de um problema... a técnica para a resolver, não é complicada, tem de se perceber e ser capaz de aplicar, mas não chega!
Dei exemplo de um problema simples para lhe associar uma expressão... o João e os seus berlindes ganhos, perdidos, perdidos, ganhos... riram.
Acho que perceberam. Quanto mais peço, mais tenho. Sempre foi assim.
Depois é só amparar os que mais precisarem. Se exigirmos pouco, teremos... nada.

Disse-lhes ainda: é um segredo nosso. A estas aulas vamos chamar "Aula Bola de Cristal"... porque de vez em quando vamos até ao futuro ver o que aprenderemos qualquer dia...
Foi a professora que inventou estas coisas? Fui! Não acreditam? Eu já fazia isto com outros alunos, mas só agora mesmo é que me lembrei do nome (a mais pura das verdades)!
Oh Miguel, deve ter sido mesmo ela a inventar, a professora até inventou sólidos invisíveis... (esta é outra história... talvez um dia a conte.)

Vá, vamos escrever o sumário...
E podemos dizer que foi uma Aula Bola de Cristal?
Podem... Fica assim:
Avaliação do trabalho realizado no primeiro período.
Aula Bola de Cristal: expressões numéricas.




Titular?

Dizem que eu tenho a mania de fazer filmes sobre o futuro ainda não acontecido.
Sim. Tenho. Admito.
Hoje apetece-me fazer um. Vamos lá a isto...

À categoria de professor titular, além das funções de professor (leiam o capítulo correspondente às mesmas), correspondem funções diferenciadas pela sua natureza, âmbito e grau de responsabilidade.
Os cargos de coordenação científico-pedagógica são assegurados pelos professores titulares. Entre outras competências (as de professor, claro) destacam-se estas: coordenação da prática científico-pedagógica dos docentes das disciplinas; áreas disciplinares ou nível de ensino; acompanhamento e orientação da actividade profissional dos professores da disciplina ou área disciplinar, especialmente no período probatório; intervenção no processo de avaliação do desempenho dos docentes das disciplinas, áreas disciplinares, ou níveis de ensino; participação no júri da prova pública de admissão ao concurso de acesso na carreira...


O filme: se eu me candidatar a (e chegar a ser) professora titular... posso, portanto, ser coordenadora de departamento. Vejamos algumas funções de um coordenador (para além das já enunciadas) enquanto avaliador: preencher uma ficha de avaliação sobre os professores (no meu departamento – matemática e informática - são bastantes...), entrevistar individualmente os avaliados... (avaliação feita de dois em dois anos).
Claro que para avaliar os professores terei de ponderar o seu envolvimento e as suas qualidades científico-pedagógicas (ao longo dos dois anos, suponho), com base na apreciação dos seguintes parâmetros classificativos: preparação e organização das actividades lectivas, realização das actividades docentes, relação pedagógica com os alunos, processo de avaliação das aprendizagens dos ditos... Claro que para o fazer, diz o estatuto, deverei recorrer à análise dos (imensos) materiais produzidos pelos (muitos) professores, assistir-lhes a aulas mais do que uma vez, conversar com eles sobre as assistências e os materiais... fazer a leitura dos seus relatórios de auto-avaliação... reunir com os demais responsáveis pela avaliação dos docentes para aferição de observações...
... não é preciso ser um génio para perceber que com cerca de 20 professores (ou mais) a meu cargo, pouco tempo me sobrará para tratar dos meus próprios alunos, se levar a sério o meu papel de avaliadora... E que, repito, os “titulares” são professores, com a sua lista própria de funções, sendo também avaliados... Com o modelo de distribuição da carga lectiva em vigor, cada vez se têm mais tarefas de diversa natureza e menos tempo na componente individual. A dispersão é imensa, a concentração, aprofundamento e dedicação a tarefas específicas relacionadas com os nossos alunos é cada vez menor. Gasta-se o tempo sem aprofundar coisa alguma, saltitando de nenúfar em nenúfar, de acompanhamento em acompanhamento, de substituição em substituição, de reunião em reunião, de papel em papel, de projecto em projecto, de formulário em formulário, de absurdo em absurdo. Achar que é possível fazer com seriedade tudo o que o estatuto preconiza para o professor titular (já nem falo do resto), só pode resultar de um completo desconhecimento do que é a realidade da escola e o trabalho de um professor dedicado.

A única coisa que sei é que os alunos continuarão a ser a minha prioridade.


E espero que alguém dê pelo absurdo, antes de acontecer o pior.
Como sempre, o meu optimismo inclina-se a acreditar na vitória da inteligência...
Já fiz o meu filme. Pronto. Se vier a acontecer exactamente assim, deixem-me cá pensar:
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Professora titular? Eu?
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segunda-feira, dezembro 11, 2006

Manhã doce

Manhã cedinho. Muito frio. Lá fui eu à escolinha do 1ºC de Setúbal, turma do 4º ano, visita prometida.

Perguntas, muitas perguntas. Querem saber tudo. Eu respondo a tudo estabelecendo a relação necessária com a sua escola, a sua actividade diária... dali partindo para o sonho e a fantasia... que sim... que já escrevo há muito! Desde que comecei a saber juntar as palavras e a divertir-me com os efeitos engraçados que se obtinham a partir delas, quando misturávamos parceiras pouco habituadas a andar juntas... tal e qual as cores... que sim, que escrevo todos os dias, porque escrever é um ofício, uma arte que se treina também. Não somos diferentes dos atletas... há que praticar... vocês sabem... o que é que acontece em férias? Dedinhos no ar, todos a dizer: esquecemos tudo... ai eu esqueci a tabuada do 7 e do 8... ai eu... pois... porque não guardaram um bocadinho do tempo para praticar... o segredo de tudo o que se quer fazer bem... E gosta de ser escritora? Que sim... muito, mas que sou aprendiz de escritora e vou ser sempre... que cada dia avanço um bocadinho mais, que na vida é sempre assim... sempre a aprender, sempre... E só escreve poemas? Que não, também histórias em prosa... querem ouvir uma? Sim!!! E lá fui eu... e foi uma, e foram duas e queremos mais... mas agora são vocês a ler para mim... e leram, cada um escolheu um poema, depois brincámos aos provérbios, um diz a primeira parte e outro descobre o fim... já viram que com o mesmo provérbio escrevi mais do que um poema? Que a imaginação não tem limites? Experimentem vocês despenteá-los mais do que uma vez! O tempo a passar sem darmos por isso...
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... E no fim... mais uns miminhos, muito pertinho, que é como devemos estar todos... perto uns dos outros... Quer ouvir uma história que eu escrevi ontem? perguntou a Beatriz... Claro que sim, vai buscar e vem lê-la. Assim foi e ali ficámos mais um bocadinho, também a professora deles que me acolheu com imenso carinho, já os restantes alunos a partir para o intervalo, não saindo da sala sem antes perguntar se eu deixava os livros na biblioteca para eles poderem levar para casa. Que sim, claro, já aqui estão os três. Agora podem levá-los... e ainda o endereço do saborsaber para poderem ler mais histórias, poemas, aprender canções... fica escrito no quadro.

Gostava de ter mais tempo.
Sinto que estes momentos são importantes, que podem fazer uma pequenina diferença. Que a experiência de professora me ajuda a chegar mais longe dentro deles. A verdade é que os conheço tão bem... Todos diferentes, certo, mas todos desejando um carinho, uma atenção, um cuidado, uma palavra... Todos cheios de fantasia, de curiosidade sobre o mundo e as pessoas... A mesma que eu sinto e que me faz escrever.

Pensei que a escritora Teresa Marques fosse assim mais velha, mas afinal tem para aí uns 23 anos (ai os vossos olhos, ai o meu ego...)... não meus queridos, mais, bastante mais... 28? 30? Não, não, mais...e por aí fora... até... até aos 46... menos, menos... finalmente a conta certa.
Os olhos das crianças vêem fadas e duendes. Se pareço jovem, a culpa é toda delas e desse olhar que ainda preservo por beber nelas essa alegria primeira que insiste em não querer partir.
Porque não consigo deixar de ser, também eu, uma criança pequena (nem grande sou... confessa o BI que são apenas 162 cm), independentemente do número de rugas que se vão desenhando com o tempo...

Está prometido: volto no final do ano para me mostrarem os vossos trabalhos!


domingo, dezembro 10, 2006

A natureza também escreve poesia...

1200 km fez o geólogo hoje para ir a Bragança buscar esta beleza de muito peso (por um pouco não cabia na carrinha):
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Corte de uma rocha com dobras tubulares (sheath folds).
Mármore com leitos de anfibolito.

Um poema pode encontrar-se em qualquer lugar, ser qualquer coisa. Só precisa dos olhos que o saibam ler...
Alguém duvida?



Literacia da Informação e sobrecarga de informação

A minha parceira TIC (a Gi) tem trabalhado de forma imparável. Agora está a rechear a nossa Oficina de Informática virtual (na página web da BE-CRE) com guiões de apoio ao trabalho de alunos e professores.

Eu componho o ramalhete colocando-os na página e disponibilizando-os à comunidade, depois de ter preparado esse local com alguns textos de apoio, muitos deles retirados da página da Rede de Bibliotecas Escolares, mas não exclusivamente. Vamos enriquecendo o nosso Centro de Recursos virtual.
Podem consultar aqui:

http://creazeitao.googlepages.com/literacia

http://creazeitao.googlepages.com/apoioalunosliteraciainforma


E avizinham-se mais surpresas... Com a Gi nunca se sabe... comigo e com ela ao mesmo tempo, então... Isto do trabalho virtual resolve muita coisa, mas já há saudade de te ouvir rir! (AH! Pois... lá me faltou novamente o tempo para instalar o micro, a câmara e o software... eu sabia que tinha escapado qualquer coisa da lista...)

Bem... agora é tempo de continuar o TPC da formação...
Já sei que não vou conseguir completá-lo como desejava, mas ando a aprender uma lição importante: há que aceitar as limitações e impossibilidades. O tempo não é nem elástico, nem infinito e começa a cansar-me esta coisa de cuidar das flores à superfície, sem lhes investigar a raíz. Portanto... Hoje fica feito o que ficar, porque quero também tirar um tempinho para mim, tal como fiz ontem. Preciso.

A propósito de sobrecarga de informação... nada como ter... mais informação sobre o assunto (que paradoxo!)

Impact of "Too Much Information"
Handling Information Overload
George Siemens


http://en.wikipedia.org/wiki/Information_overload

http://pespmc1.vub.ac.be/CHINNEG.html

http://www.gdrc.org/icts/i-overload/infoload.html

Amanhã ida a uma escola do primeiro ciclo falar com meninos sobre o prazer da leitura. Terminar avaliações. À noite formação.Terça toda a manhã reunião com os Coordenadores de Bibliotecas - SABE, toda a tarde aulas até ao final do dia. Quarta preencher as avaliações dos alunos e mais aulas e BE... e formação à noite... (era a data limite para entregar TPC... pois... está a ver-se). Quinta, escola o dia inteiro e formação à noite: última sessão. Portanto, mais uma semana recheada. E já mencionei que tenho de começar a fazer as estatísticas de frequência e requisições da Biblioteca? Já preparei os ficheiros em excel, mas o resto é tudo artesanal... nem imagino o tempo que levará... são tantas entradas e tantas requisições... E é preciso pensar na exposição de cartões de Natal... e... e...

Por partes.
TPC... aqui vou eu!

(E confesso, sim, aqui e ali páro um bocadinho para respirar, para brincar... foi o que vim fazer aqui agora... não foi? Ainda por cima à vista de toda a gente...)

Crescer, problemas, avaliação, lágrimas, crescer...

Já lá vão mais de 20... anos, quero eu dizer. No ensino, claro.
E as lágrimas repetem-se, ano após ano para alguns alunos, quando experimentam a sua primeira avaliação negativa num teste.
Não são muitos os que choram, mas continuo a aproveitar o momento para fazer avançar o relógio do crescimento em cada um e em todos, estimulando sem fantasias e reforçando a auto-estima sem falsidades, apenas deixando claro que os erros fazem parte do aprender... que com eles se avança se soubermos lidar com a sua ocorrência. Que lágrimas não são a resposta adequada ao problema...
E aos pouquinhos os rostos voltam a iluminar-se e regressa-se ao trabalho com a energia, o sorriso e a calma necessários. As asas vão-se construindo no tempo...


Como não prescindo, logo no 5º ano, de unidade dedicada à resolução de problemas bem entranhada na geometria (e mais tarde, em todas as outras, procurando sempre cruzar tudo o que é possível) é óbvio que arrisco um teste, normalmente de surpresa, apenas com problemas. Incluo dois novos e diferentes do que os alunos já trabalharam, dois simples e um com estrutura idêntica a outro não fácil realizado em teste anterior. Claro que antes já trabalhámos questões como a interpretação do enunciado, o estabelecimento de um plano ...(ficam a saber quem foi Polya..)

Surpreendo-me sempre pela positiva. Já ando nisto há tempo suficiente para saber que os resultados compensam os riscos e que valiosas lições se podem tirar das dificuldades sentidas e da conversa sobre o acontecido. O contrário é fechar os olhos e só propor avaliações de procedimentos simples, que permitam a todos os alunos os quatros e cincos que alegram sem nada acrescentar. A construção de uma auto-estima e da confiança sobre baralho de cartas. O investimento na fragilidade.
Confesso-me muito carinhosa, mas muito exigente. Os níveis devem traduzir uma aproximação à realidade e não uma história de faz-de-conta. Os alunos sabem, os pais não costumam reclamar e reconhecem a importância dessa exigência na construção de uma formação mais sólida.
Só se voa um dia se...


Ela chorou. E eu contei-lhe a verdade. Que doía ir crescendo. Que crescer são se fazia assim facilmente e era preciso estar disposto a lutar. Que uma aluna há dois anos teve uma "negativa" num teste semelhante e acabou por ser a minha melhor aluna, resolvendo problemas como ninguém (é verdade... não é Joaninha???). Que as negativas não me incomodavam e que o que me preocupava era o que eles faziam com elas... se tomavam o destino na mão, se se empenhavam na correcção para perceber o que deu origem à dificuldade, se me pediam ajuda e se passavam a estudar resolvendo exercícios.

Sempre terapêutica esta aula a seguir a este teste em particular. Alguns alunos de dedo no ar: Oh professora, eu naquele problema do dado errei no outro teste e depois percebi a correcção e fui para casa e experimentei muitas soluções e desta vez já acertei!

(Referência a um problema que coloco num dos testes anteriores e que consiste em oferecer a imagem de um dado em 3 posições diferentes e pedir que coloquem as pintas numa planificação desenhada na ficha, de forma a que possam construí-lo e reproduzir aquelas 3 posições... claro que eles constroem um modelo durante o processo de resolução do problema e muitos chegam lá... os pais ficam sempre surpreendidos, pois acham o problema difícil e nem percebem como os seus filhotes deram conta do recado. Durante a correcção, voltam a construir modelos e procuram várias soluções... os que não entenderam e erraram, acabam por conseguir e ficam felizes! Vão para casa e continuam a experimentar...). No segundo teste coloco o mesmo exercício... mas... com letras! É sempre um encanto ver como a maioria resolve sem dificuldade a proposta, deixando-me o modelo colado no teste como prova... E é bom ver como percebem que o investimento no estudo compensou (a maior lição de todas). Do que mais gosto? Muitas soluções diferentes... É pobre encher um teste de perguntas que levem todas às mesmas respostas. Que possam ser copiadas do parceiro do lado. A matemática é também criatividade, capacidade de comunicar um raciocínio pessoal... encontrar uma solução original e fundamentar a escolha do caminho.

Não é ingénua esta sequência de acontecimentos, a escolha dos problemas. A proposta de um confronto cedo (depois de muito investimento na relação pedagógica, para que o crescimento não doa mais do que tem de doer). Não é ingénua e vai produzindo bons efeitos. Claro que se não fossem quase 30 na aula, seria melhor, muito melhor. Que se os programas já tivessem levado aquela volta prometida, seria muito mais perfeito. Assim, sobra-me sempre aquele sentimentozinho de culpa de que me estou novamente a atrasar em relação aos colegas... mesmo sabendo que, pela primeira vez, o meu trabalho com o A-Team (meus no 5º e 6º) está a ser testado, agora que estão no 7º ano nas mãos de uma colega do departamento (que se mostra muito satisfeita com a preparação deles e o seu gosto pela matemática).

Enfim... também me dói o crescer... (a todos nós)... Até o professor precisa deste reforço de confiança nas respostas que vai encontrando para os vários desafios e problemas que o ensino da matemátia coloca...
No final das contas continuo, tal como os meus meninos, a resolver problemas vida fora. Às vezes também temos vontade de chorar... de tristeza ou de raiva, mas não é por aí que caminhamos. Não há voos simples.



Não me canso de lhes repetir:
Sabem... aprender matemática não é aprender a fazer contas... é aprender uma atitude perante a vida. Ser capaz de enfrentar os problemas, descobrir-lhes os segredos, não desistir de encontrar a solução possível. Não lhes virar costas, aprender a confiar em nós e nas nossas capacidades. E se julgam que isso se faz de um dia para o outro, estão bem enganados! Estarão sempre a aprender. E nunca será fácil. Não podemos fazer revisões dos problemas da vida. Eles são muito inesperados. Podemos apenas treinar o corpo e o coração para eles... todos os dias um bocadinho.

E termino pedindo que confiem em mim para os guiar, que confiem em si próprios para poderem caminhar melhor. Os momentos de entrega dos testes corrigidos podem ser muito críticos e não devem ser negligenciados.
Está claro que me atraso um bocadinho, mas só em relação a um conteúdo ou outro. Porque em relação ao resto, todos nós, sem excepção, avançamos muito quando paramos para reflectir um pouco antes de continuar o caminho.

E na matemática, como na vida, o tempo gasto a pensar e a reflectir, nunca é tempo perdido.
É o néctar que nos dá a energia para continuar...