sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Elizabeth Gilbert: A new way to think about creativity

Cheguei a casa e dediquei cerca de 20 minutos à escuta.
Precisava.
Gostei das palavras.




http://www.ted.com
"Eat, Pray, Love" Author Elizabeth Gilbert muses on the impossible things we expect from artists and geniuses -- and shares the radical idea that, instead of the rare person "being" a genius, all of us "have" a genius. It's a funny, personal and surprisingly moving talk.

Da Matemática ao pictionary, passando por alguns disparates...

Não podendo aceder à sala do clube, lá fomos novamente para a Biblioteca.
Dia de Sol... alguns com autorização para ir correr um bocadinho. Precisam.
Outros no Apoio de Matemática comigo (juntou-se a nós um ex-aluno agora no 9º ano, em estilo muito cool com ar cúmplice a sentir-se grande fazendo as contas pelos "miúdos"... Está sossegado, não dês a resposta... eles têm de descobrir...), outros trabalhando autonomamente na mesa do lado.
Findo o tempo do apoio... três alunas desafiaram-me para jogar Pictionary na zona de jogos da BE. Era preciso uma parceira para a B. Fui eu. Não haver possibilidade de realizar as actividades do Clube, não impede que passe o tempo com eles noutra actividade. Estas alunas merecem bem o descanso e o mimo.
Diverti-me muito. Quarenta e cinco minutos preciosos para relaxar a mente e o corpo. Expliquei-lhes que tinha quatro irmãos e adorava jogar jogos de grupo. Como passava muito tempo sozinha, havia deixado de ter essa oportunidade e sentia saudade. Hoje matei-a.

De caminho para o resto das aulas da tarde, a notícia de que alguns alunos da outra turma resolveram à hora de almoço sair da escola para ir novamente ao supermercado buscar coisas com características comestíveis, mas não de alimento, e... compraram também e beberam uma célebre bebida que aparentemente dá asas para tudo menos para se concentrarem no que é preciso. Algumas mal dispostas, excitação sem controlo, colegas aproveitando e estimulando a brincadeira e uma aula de História completamente deitada fora. Assunto encaminhado pela DT com telefonemas aos Pais. Choros. Arrependimentos. Por favor não telefone. Alguns não devem repetir tão depressa. Na aula de EA a situação mais calma, mas ainda com restos de agitação a sobrar do almoço infeliz.

O quotidiano da escola. Esse quotidiano desconhecido de quem manda e sabe tudo. Cumpram-se os programas, os planos, tudo previsto em todos os papéis, planos tecnológicos bondosos, crianças perfeitas e de cera, quase trinta numa sala onde mal cabem, três que pouco dominam o português, alguns numa espécie de ressaca de RB, mau cheiro, frio, humidade, nenhum computador, nem um fio de internet, nenhum tempo para nada.

Eu sei (sabemos) do real. Convivo (convivemos) com ele há tempo demais para me (nos) esquecer(mos).
Só me aborrece que quem cá não está faça crer que a escola é um espaço asséptico onde tudo é liso e perfeito e não é preciso tempo para que os problemas se resolvam, para que as crianças possam realmente ser acompanhadas como precisam nestes novos e desconhecidos tempos. Tudo passou a ser uma espécie de fábrica de enchidos, sem tempo para humanidades. Onde apenas é necessário que existam alguns mais iluminados (e talvez um dia recompensados na devida proporção desse esforço) do que outros (sorrio a algumas das "escolhas") para controlar bem se os restantes desiluminados preenchem correctamente os impressos sem erros de forma nem de conteúdo para poderem aceder a um carimbo na carne.

Ah! A minha amiga Nena, do grupo de dança renascentista, professora dedicada e excepcional a todos os títulos (das melhores que alguma vez conheci), também teve direito à sua notificaçãozita.

Ok. Pronto Maria Teresa. Pronto. Respira fundo. Trepa pela entrada acima e regressa lá aos momentos bons... da manhã... do princípio da tarde... regressa ao Pictionary...

Ovo... não... cabeça... pessoa... pessoa... corda.... saltar à corda!
Pessoa... coisa à volta do braço... mala... não... braço partido?
País... oceano... Europa?... Oceano... Atlântico... América... Brasil... Brasília? S. Paulo? Salvador?.... oops... acabou o tempo... era Rio de Janeiro...

Como elas têm crescido...
E o que se pode aprender desenhando e brincando... quando sobra um bocadinho de tempo.

Quem salva quem na Escola?

Carinho(so)



Uma das melhores recordações dos tempos da música e da banda dos Piratas foi um amigo que se mantém presente até hoje e é a pessoa com quem mais aprendi nesses tempos. Dos Trovante aos Resistência, aos Madredeus, aos Sal...o Fernando Júdice é assim um cavaleiro que se passeia de aventura em aventura sem se deixar prender completamente para que os voos continuem a chegar.
Recuperou-se o fio do contacto depois da apresentação do projecto Sal que, por uma extraordinária coincidência (a vida é assim uma teia mágica), foi feito em parceria com o Tiago Torres da Silva, outro ser especial que descobri há poucos anos.
Depois de arrumar as minhas notas no myspace, é claro que os juntei aos dois por lá, perto de mim, porque é assim mesmo, os amigos devem ter alguns fios a prendê-los, mesmo que a distância os aparte no plano físico. Maravilhosa Internet.

Explorar o recanto do Fernando é assim como vasculhar as poças de mar nas rochas da infância. Há sempre tesouros para escutar no movimento dos peixes, na alga verde, na concha brilhante, na pedra redonda, na bailarina anémona, no búzio vazio que encostamos a nós. Canções antigas renascem com outras inspiradas vestes. Canções novas nascem apenas, sem mais. Recolhemos as flores de que mais gostamos.

E quando acordamos a precisar de sossego e carinho encontramos por lá carícias que afagam a alma com tintas suaves aguarelas que nos levam para dentro delas sem esforço.

Tudo para dizer que o tema carinhoso de Pixinguinha, na voz de Manuela Azevedo - Clã (do álbum carinhoso - José Peixoto e Fernando Júdice, podem escutar AQUI o CD inteirinho) era aquilo de que precisava para iniciar este último dia de uma semana não fácil (história da canção AQUI).

Um dia regresso (inteira) à escrita para a música. Sei. Gavetas cheias de princípios que brotam a meio de outras coisas e continuam à espera de fim. Agarramo-nos sempre ao futuro como se fosse apenas um presente adiado. E ter sonhos é como ter asas para algum lado.

Sexta-feira treze é sempre bom prenúncio. Às vezes surgem nela mensagens de esperança e desafio... E é na música que bebo muita da energia que se transforma depois em carinhos oferecidos aos alunos.

Todas as fontes têm as suas (carinhosas) nascentes...

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais - Charles Darwin

Está na minha lista há uns meses.
Outras prioridades se têm imposto e, assim, continua ausente.

Hoje, depois do dia de notícias recordando o autor, lembrei-me e voltei a colocá-lo na lista. (Preciso de viver muitos anos para ler tudo o que ainda quero ler. Ah! E de uma casa maior...)

A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais

A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais

Charles Darwin

Editora: Relógio d' Água , 2006

«Porque encolhemos os ombros? Porque é que os cães abanam as caudas? Porque franzimos as sobrancelhas quando estamos zangados e fazemos beicinho quando estamos tristes em vez do contrário? Qual é a diferença entre culpa e vergonha? Este seria um livro notável mesmo que tivesse respondido apenas a estas ou a perguntas semelhantes sobre as emoções em 1872. Mas A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais provou também que a mente humana, e não só o corpo, é um produto da evolução. (...) Esta edição lembra não uma peça de museu, delicadamente restaurada, mas uma obra embrionária que apenas precisou de um espelho para se actualizar. É tão fresca e provocante como há 125 anos atrás.» - Steven Pinker, Science

«A obra-prima esquecida de Darwin combina o voyeurismo de um livro de Desmond Morris e o rigor de um texto de Richard Dawkins.» - Kenan Malik, Independent on Sunday

«Altamente original... Isto é cultura no seu melhor.» - Simon Baron-Cohen, Nature

(Fonte)

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Scratch Team Blog...

Novidades no Scratch.mit.edu:
a estreia de um blogue da equipa!

Para acompanhar...

Sonhos com moldura


EXPOSIÇÃO "SONHOS COM MOLDURA"
PAÇOS DA CULTURA
ATÉ DIA 8 DE MARÇO DE 2009.


DE SEGUNDA A SÁBADO DAS 10 ÀS 24 HORAS
AOS DOMINGOS DAS 14 ÀS 24 HORAS.
RUA 11 DE OUTUBRO_PAÇOS DA CULTURA
3700 S. JOÃO DA MADEIRA
TELEFONE 256 827 783 _ 256 829 129
CENTRODARTE@GMAIL.COM / PACOSDACULTURA@CM-SJM.PT
WWW.CENTRODEARTE.ORG / http://www.cm-sjm.pt/


[sonhosmoldura_web.jpg]

clicar para ler...



terça-feira, fevereiro 10, 2009

Esta vida de professor-soldado...

As recaídas têm uma coisa boa... é sinal de que já estivemos de pé e que, provavelmente, mais cedo ou mais tarde, voltaremos a estar... e que um dia volta de novo a ser Verão.
Trabalhar em más condições, com frio, com um público doce oferecendo uma variedade rica de micróbios, propicia esta fértil troca. Eu dou os meus e recebo todos os que me oferecem quando se penduram, se aproximam, tossem descontrolados, espirram sem cuidados, roubam um beijinho.
Hoje foi dia de lhes levar uns quantos meus para partilhar, já que no fim-de-semana tudo regressou à estaca zero. Pior... abaixo da última estaca zero (em jeitinho negativo).
Janeiro e Fevereiro não estão a ser fáceis.
Faltas por doença? Nenhuma. Brincar com o fogo na convicção de que tudo se aguenta e que faltar é que não (tanta coisa importante para fazer, eles precisam de mim), embora hoje a última aula tenha sido algo penosa, e tenha conseguido apenas à justa umas forças roubadas de não sei que cartola para aguentar com sorrisos, imaginação e ajudá-los, apesar de tudo, com exigência e paciência, na resolução de problemas em torno das áreas... Precisam tanto! Podemos usar máquina calculadora? (Contas tontas do mais simples que pode haver). Não!! Mas na prova podemos... Mas aqui não, ou adormecem de vez os ticos e os tecos! Não! Não! Não! Cofff Cofff Atchim... bomba para abrir os alvéolos...

Depois da primeira aula... intervalo... será que hoje consigo? Não.
A M. vem ter comigo e diz que tem uma coisa muito preocupante para me dizer com aquele seu ar docinho e pequenino, frágil também, fazendo um grande suspense antes de falar: estou a perder o interesse por tudo... pelas disciplinas... escola... não sei o que se passa... já disse à mãe...
Pára tudo. Preciso de intervalo para quê?
Conversámos muito. Algumas amigas aproximaram-se. Pensámos estratégias.
Crescer não é fácil. A vida torna-se complicada e nem todos estamos preparados para lidar com os desafios. As dificuldades acumulam-se. Cresce a falta de confiança. A tristeza. O "não sou capaz" à flor da boca. Terei de estar muito atenta. Terei de falar à DT.
Esta aluna tem explicações a semana toda. A vida está densa. Respira quando?
Não sei se encontrei as palavras certas para já... mas prometo ficar de olho em ti...

Depois... já que esta semana não pode haver Clube (semana do cinema francês ocupando a sala, porque as escolas são isto mesmo, ou uma coisa ou outra, sem espaço para serem completas), transformámos o tempo em momento de apoio de Matemática. Quem quiser venha comigo para a Biblioteca... Muitos. Sentadinhos bem apertadinhos de volta de recuperações, desenvolvimentos e deambulações matemáticas. Risos também. A C. pela primeira vez a resolver expressões numéricas sem dificuldade (sorrisos enormes a cada certo cor-de-rosa no caderno), o D. a vencer as dificuldades... explicando algo a uma colega que... tem ainda mais dificuldades do que ele (deliciosos os diálogos). Perto de tocar... perto do intervalo... intervalo?... começam a dizer... já? Já? Oh professora, não... ainda não acabámos... please! Não é a Matemática... é aquela cumplicidade de estarmos assim sentadinhos em mais cadeiras do que tamanho de mesa, a tossir uns para cima dos outros, como se fossemos todos alunos e nem sinal de professor. Gostam desta proximidade. Eu gosto muito e é na relação próxima de respeito, carinho e exigência que tudo de melhor se joga com estas idades. Mais um intervalo gasto com eles por ali a terminar o que faltava e... logo de seguida aula com os mesmos alunos... Matemática - esta minha turminha nova deste ano com tantas histórias difíceis de contar e a precisar tanto, mas tanto de tanta coisa, tantos tão cheios de várias solidões coladas neles sem remédio.

Há tempos, depois de uma aula de Ciências a R deixou-se ficar para o fim em mais um intervalo que não foi: oh professora, a minha mãe pergunta se a professora podia dizer-me uma alimentação para eu crescer mais...
Claro que lhe expliquei as minhas limitações... que essas questões deveriam ser colocadas ao médico de família, a um nutricionista, que ela não era pequena (não é)... que uma alimentação completa era... tal tal... assim e assado... preferência grelhado... e exemplos vastos, várias opções...
Hoje circulava uma caixinha com aperitivos de queijo de uma aluna da mesma turma (o seu lanche de meio da manhã numa latinha que tinha gravada na tampa "Mãe, adoro-te"...). Quando acabámos a aula a R. (da pergunta do outro dia) tinha na mão um pacote de batatas fritas com sabores e foi assim que partiu para a sua hora de almoço (à minha observação respondeu: mas eu não como isto há um mês! Eu ainda retorqui: OK... deixas de fumar um mês e depois voltas porque... há um mês que não fazias o disparate... ?)... saí da sala, confesso, entre o entupido e o desconsolado e ainda dei com vários alunos pela escola com sacos de um novo supermercado que abriu perto: mais aperitivos, refrigerantes, batatas fritas, bolachas cheias de coisa nenhuma...

Esta vida de professor oscila entre as conquistas e as perdas, entre o avançar e o recuar, entre o tudo e o nada. Às vezes, nos dias em que o cansaço grita mais alto, perguntamos porquê. O que nos move nesta tentativa constante, meio desesperada e cada vez mais solitária, de salvar o mundo como se fosse possível à escola fazê-lo completamente sozinha sem a ajuda das famílias, como se fosse possível continuar cada vez mais a esticar a presença das crianças entre muros e a ausência dos pais fora deles em paralelos caminhos desprovidos de sentido?

É ao olhar para a cara de alguns alunos do presente e para a lembrança de muitos outros do passado que a melhor resposta me chega nos dias das dúvidas: para muitos deles, nestas idades, fazemos toda a diferença. Poderemos ser, para os que habitam no lado mais triste da vida, a coisa mais doce que lembrarão da infância.
Sendo uma responsabilidade tremenda, é também a certeza de que servimos uma causa muito maior do que a nossa, do que a das leis que se esquecem que devem servir as pessoas antes de servirem os interesses de alguns. A causa do melhor futuro possível para eles e para nós país, mundo, de volta.

Gosto de estar na frente de combate. Mesmo com tosse. Até com febre.
Sobretudo com uma imensa humildade de quem sabe já alguma coisa, mas ainda anda a aprender o tanto que lhe falta. Sirvo os interesses das pessoas que mais importam dentro de uma escola. Não deveria ser essa a sua suprema missão?

(Galões e honrarias aos generais não ajudam a salvar o futuro...)