domingo, outubro 05, 2008

O mais importante...

Só hoje abri uma mensagem no gmail com o assunto Surpresa !!!!!!!!
Uma aluna fez o projecto e enviou-o para mim ontem (sem publicar na sua conta Scratch na Internet).
(Fiz filmezinho para se perceber como vi aqui o ficheiro anexo à mensagem).

A razão era o dia de ontem, mas como abri hoje... dedico esta lembrança carinhosa a todos os Professores
Não porque seja O (nosso) dia (já se sabe e tal que não há um dia apenas e que é sempre que quisermos, sempre que nos entregamos e vemos o fruto da entrega nas conquistas deles) mas porque o melhor e o mais importante dos nossos dias de professor são eles, os nossos alunos, parecendo-me bem assinalar a data chamando-os para a luz.

Todos os gestos destinados a separar professores de alunos espelham a ignorância de quem pensa saber, mas não sabe nem imagina, como deveriam ser os dias dos professores, dos alunos e da escola...


A ler...

Delegação De Competências: O Imbróglio

A Educação do meu Umbigo

sábado, outubro 04, 2008

Objectivos individuais...

Quando marcamos no calendário mais um ano completo de vida, às vezes apetece-nos definir uns quantos objectivos individuais (assim como quando o 1º de Janeiro surge por entre fogo de artifício a seguir ao Natal).
Coisas da meia idade :)
(sim... gostaria de viver pelo menos até aos 92... para o ano desejarei viver até aos 94... gosto do conceito de "meia idade"... e da expectativa positiva com que nos preenche a ambição de mais futuro...)

Há duas semanas atrás partilhei na escola com alguns colegas algo que lhes causou algum espanto no início, mas que faz sentido para mim: não vou conseguir estabelecer metas numéricas de sucesso e, se me "obrigarem", colocarei 100% nas minhas intenções de sucesso para as turmas a meu cuidado.
Porquê?
Porque foi sempre isso que fiz a vida toda mesmo sem escrever nada em papel nenhum. Não tenho por hábito, no arranque de um ano lectivo, desenvolver expectativas negativas sobre os alunos, tão pouco reprová-los "percentualmente" à partida, sem ter tido a oportunidade de trabalhar com eles um ano inteiro.
Também havia decidido que, à medida que fosse conseguindo escrevinhar os ditos objectivos, os iria partilhando por aqui. Tenho o vício da partilha e não o vou perder.

Hoje encontrei em blogue vizinho algo que me deu esperança e confiança na inteligência da classe docente. Alguém se antecipou e entendeu também que não fazia sentido essa coisa das quantificações "negativas" (sinal de pessimismo), tão pouco esconder este processo de olhos alheios. Mais haverá por aí... tenho a certeza. Não fui nem a primeira, nem a segunda, ... a perceber o que de mais perverso se esconde na matematização das vidas e destinos de gente de carne e osso com cara, com nome, com história...

Assim, neste dia especial para mim, assumo perante vós os objectivos individuais que se seguem:
- permanecer optimista em relação aos meus alunos, não caindo na tentação de quantificar o inquantificável, ou de me proteger de papões, lobos e bruxas;
(Não foi por acaso que, por exemplo, não usei o teste diagnóstico do conselho curricular de Ciências, mas elaborei um instrumento qualitativo que os alunos irão utilizar e reutilizar de forma autónoma e crítica - em jeito de auto-avaliação - ao longo do ano, à medida que forem avançando no conhecimento... um dia partilho aqui o conceito...)
- partilhar os meus "outros" objectivos individuais à medida que for pensando neles;
- manter as ideias limpas de qualquer contaminação que me faça ser quem não sou, fazer coisas que nunca faria, aceitar o inaceitável;
- não ceder à pressão para me transformar numa professora de papel, fazendo o exercício necessário para manter a minha humana forma, as minhas mais que três dimensões e a minha intuição e inteligência naturais;

Se for bem sucedida... os meus alunos ganharão com isso e eu continuarei a dormir profundamente e descansada como até ao dia de hoje (mesmo que muitas vezes poucas horas, porque o trabalho é muito).

O sono profundo de consciência serena é indispensável à manutenção da saúde, à preservação da juventude de espírito e ao prolongamento da juventude do corpo. Sim, sou tendencialmente vaidosa (confesso).
Não deixarei que ninguém me faça envelhecer prematuramente de insónia e infelicidade...

sexta-feira, outubro 03, 2008

O tempo não (se) estica...

... ando por outras bandas.
Quando acabo... já não consigo chegar até aqui.

E hoje nas aulas de Matemática, Estudo Acompanhado, Scratch time... até havia histórias engraçadas para partilhar... aspectos para reflectir... pistas e dicas para quem quisesse escutar...

Mas... professor reflexivo?
Partilha de práticas?

O que é isso?
Que tempo há para isso?
Alguém pensou (n)isso?

Pois... (não)

quinta-feira, outubro 02, 2008

Muito menos, muito mais...

Pontes.

(noutro sítio...)

Pássaro azul...

Busquei este hibiscus syriacus durante bastante tempo. Existe uma variedade parecida, que é cultivada em muitos jardins, mas eu queria este... com bilhete de identidade a atestar a qualidade :)
Um dia, no Verão, encontrei uma plantinha quase sem folhas, perdida num viveiro. A etiqueta avisava: era ele!


Family: Malvaceae Genus: Hibiscus Species: syriacus Cultivar: Oiseau Blue
Mas quer levá-lo assim?

Já não o largo. Abracei-me ao vasito de plástico.
A senhora riu-se (claro... conseguir vender uma planta naquele estado... é bom negócio!)


Fiz-lhe um ninho. Reguei-o, mimei-o e vi cair todas as folhinhas restantes com algum desespero. Seria prenúncio de morte?
Aos poucos... muito devagarinho, promessas de folhas desenharam-se nos gomos.
Depois, tempo passado, promessas de flores
.


Hoje, finalmente, o pássaro azul (Oiseau Blue... meio francês, meio inglês - há quem designe assim, mas também Blue Bird e Oiseau Bleu ) abriu as asas.
Valeu cada minuto de espera.



Foi uma forma de "fix me"... mesmo que por um breve momento nesta curta vinda a casa à hora de almoço, antes de prosseguir o trabalho à tarde.
Depois de me regalar a alma, vai já direitinha para algum pássaro azul aí à espreita, para um aluno e para um amigo (fazem anos hoje).
Há flores que são mais do que flores.
Não sei porquê...
...parece que nos contam histórias.

Fix me...

quarta-feira, outubro 01, 2008

Engenharia de papel...

... foi a coisa que hoje me tomou tempo demais e continua a tomar... e vai continuar a tomar... planos de acção e afins... disciplinas a dobrar, reuniões a dobrar todas as semanas e até tarde, (trabalho que continua noite fora, como se vê, mas preciso de arrancar isto de mim como um dente: depressa), papéis a dobrar, grelhas a dobrar... metas a dobrar... como, por exemplo, elevar em... uma décima o sucesso de (!)... e... os papelinhos têm de estar todos conformezitos e tal... para olhos internos e alheios (que vêm aí! ui que medo!)... e sempre mais qualquer coisita que falta fazer... mais um papelito para preencher...

...Não fosse a vontade de arrancar cabelos com tantas horas desperdiçadas, talvez me risse desta coisa sem nexo... talvez um dia ria, ou chore... ou quem sabe fuja antes (confesso haver momentos de profunda crise existencial... do tipo.. quem sou... donde vim... para onde vou... o que faço aqui...). Interrompi apenas para vir arejar o desalento.

Tanto tempo gasto a enunciar tudo o que vamos fazer de bonito e belo com os alunos... tão pouco tempo para fazer bem feitas essas coisas bonitas e belas minuciosamente enunciadas...
Paradoxos de uma escola pequena que não reconheço e onde não me revejo.

(O tamanho da letra é a condizer... O cinzento também)

Felizmente ainda há crianças na escola!

(Mas o papel almeja roubar-lhes o natural direito a um lugar de destaque... A bem dizer... o papel já tem, neste momento, o papel principal na escola... e não perdoo aos culpados a ignomínia, o opróbrio, o desdouro...)