quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Como te invejo...


É minha aluna.
Lê como quem bebe água em dia de muito calor.
Lê a todas as horas, em todos os recantos.
Lê enquanto os colegas se preparam para trabalhar e sou eu que lhe peço que páre, porque a aula tem de começar. Custa-me, sabes? Mas esta escola é assim... À hora certa o que tem de ser.
Lê, lê, lê... Devora letras e palavras como quem precisa desse alimento para viver.

Apanhei-te distraída hoje... e fixei-te em mais um momento dessa leitura intensa em que todos os minutos são aproveitados. Normalmente no canto em que te vejo agora... Esquecida do mundo.
Como me apetecia estar a mim.

Hoje trocava de lugar contigo.
Queria descrescer e sentar-me onde tu te sentas... ficar só assim perdida lá longe onde tudo sabe a coisa diferente.
Queria ser tu.
Sem amarras. Partir simplesmente.
Há dias assim.

Não é mágoa.
Mas também é. Por tudo o que nos vão fazendo. Roubando.
Pela injustiça.

Chamemos-lhe saudade.

13 comentários:

  1. Anónimo7:46 p.m.

    E, de repente, umas colcheias!!! Que é isto?! Uma biblioteca com figuras musicais no ar! Uau...
    Cada vez gosto mais da tua escola.
    Bjis
    Armanda

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  2. Foi de uma animação em torno de Mozart no ano passado... Gostamos tanto que vamos deixando ficar... e já houve mais... mas foi preciso pendurar outras coisinhas... :)
    Beijinhos

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  3. Olá Teresa,

    Gostei muito do texto. Obrigado pela partilha desses momentos maravilhosos que deixam transparecer a tua enorme paixão por ver os alunos a aprender.

    Um grande abraço
    João

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  4. Anónimo8:52 p.m.

    Obrigada João...
    Hoje essa paixão levemente turvada pelo muito que colocam em cima das nossas costas, roubando o tempo mais precioso que tenho: o tempo que devia ser só deles.
    Se eu pudesse...
    Abraço

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  5. Anónimo9:30 p.m.

    Olá professora era para lhe dizer que isto que escrveu está muio sentido e acho que tem toda a razão. Eu não sei bem o que é sentir isso porque estou no mesmo lugar que ela mas acho que a saudade é o sentimento mais puro que há. No meio de tudo isto ía me esquecendo de o que lhe vinha dzer. Eu queria avisala que deixei no nosso blog um texto guardado como draft.Era só para a professora não se esquecer de lá ir.

    teresa uma os 28 na sala

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  6. Anónimo9:55 p.m.

    Teresinha, obrigada pelas tuas palavras. Vou já ver o teu texto!
    Beijinhos

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  7. Saudade...
    Esse sentimento que nos leva a continuar a procurar nos dias o que já sentimos. O que já sonhámos. O que tentamos nunca perder.

    É bom sentir a tua saudade.
    No orgulho que tens nos alunos. Nos teus alunos. Nos nossos alunos.

    Beijinhos.

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  8. Que texto lindo! Gostei muito1 Talvez porque me identifique com a mensagem que transmite...

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  9. Anónimo7:46 a.m.

    Obrigada Tit, obrigada Prof... acho que todos transportamos em nós esse orgulho e essa saudade, essa alegria e, também, alguma tristeza pelo que vai acontecendo...
    Beijinhos

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  10. Anónimo9:23 a.m.

    ...bem já vai sendo vicio, pk desde q vim aqui pela 1ª vez, agr não consigo estar um dia sem passar por aqui... pois é Teresa uma grande injustiça para si e para os miúdos...porque eles ganhariam muito...mas infelizmente para quem manda isso não importa nada...pena que em cada professor não haja um pouquinho só da Teresa...teríamos escolas bem melhores...e miúdos bem mais motivados...beijinhos alentejanos ;)

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  11. e já fui (fomos?) assim...ávido de ler...

    a avidez mantém-se. o doce far niente (fazendo tanto, afinal) é que se perdeu, pela vida imposto.


    ***

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  12. Anónimo5:20 p.m.

    Fantástica...a aluna; a biblioteca; o texto; a saudade; e a vida!
    "saudade não é saudade, é lembrança
    Saudade só é saudade quando se perde a esperança" (Pinto do Monteiro)
    E caminhemos, ainda há tempo, ao tempo ainda não decorrido.
    Obrigada, Teresa!
    Fcarvalho, Lisboa (frclx@yahoo.com)

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  13. Anónimo5:33 p.m.

    Obrigada pelas vossas palavras... Ilda, tsiwari, Fcarvalho... hoje menos saudade e mais esperança... darei conta na teia. Foi um doce dia... e eu sou como os miúdos... entristeço de repente, raramente, mas rio logo a seguir!
    Abraço grande

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