quinta-feira, setembro 04, 2008

Eu ia...

... falar de afogamento.
Estava a contar o número de reuniões por cabeça... a improvável produtividade, a provável improdutividade de tudo isto a tempo de iniciar aulas sem nada de novo para oferecer, perdidos que andamos sob toneladas de coisas à superfície. (Afogo-me muito com o superficial de corrida e de rajada...)
Mas é preciso papéis a provar que trabalhamos muito. Que gastamos muito tempo a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, mesmo que muitas das coisas não tenham qualquer ligação directa com o sucesso dos alunos. É mais a inspecção, a avaliação, os papéis no sítio, tudo arrumadinho em dossiers e armários como manda(m) a(s) (mais de mil) lei(s). Diagnóstico, prognóstico, estatística, previsão, créditos e formação, plano, relatório, conclusão, uniformização, actas, comprovativos, objectivos, aprovações, condenações, inspecções, aflições.
Eu ia falar de rigor.

Mas era do rigor da criação. Do rigor da invenção, da emoção que deveria ser o néctar profundo das coisas. Da leitura, da partilha, do mar azul e transparente que nos faz crescer.
Eu ia falar de amor.
Daquele que não precisa de contrato para provar que é verdadeiro.

Pois...

Saí do aconchego (debaixo d'água) há quase 46 anos, porque precisava de respirar.
Mas, às vezes, aqui à superfície falta-me o ar...

E... agora...

8 comentários:

  1. Anónimo10:28 p.m.

    Olá 3za,
    No blog da Maria do Carmo Avó Pirueta, num comentário o amigo dela Jorge Bastos Malheiro fez a tradução do poema da canção "ARIA" da Giana Nannini.
    eu gosto muito , mas não percebia nada da letra. Agora com a tradução é outra coisa. envio-te é como um pouco de ar

    AR

    Sabes
    Nascem assim
    Fábulas que eu quereria
    Dentro de todos os meus sonhos
    E recontá-las-ei
    Para voar em paraísos que não tenho
    E não é fácil ficar sem fadas para raptar
    E não é fácil brincar se tu faltas
    Ar, como é doce no ar
    Deslizar para fora da minha vida
    Ar, respira-me em silêncio
    Não me digas adeus mas soergue o mundo
    Sim
    Leva-me contigo
    Entre os mistérios dos anjos
    E sorrisos dos demónios
    E ali transformarei
    Em brilhantes de luz terna
    E conseguirei sempre fugir dentro de cores a descobrir
    E conseguirei ouvir ainda aquela música
    Ar, como é doce no ar
    Deslizar para fora da minha vida
    Ar, respira-me em silêncio
    Não me digas adeus mas soergue o mundo
    Ar, abraça-me
    Voarei
    Ar, voltarei no ar
    Que me leva da minha vida
    Ar, abandonar-me-ei no ar
    Ar, como é doce no ar
    Deslizar para fora da minha vida
    Ar, abandonar-me-ei no ar.

    Aqui tens o video do youtube
    http://todosdiassaodias.blogspot.com/2008/05/aria.html

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  2. Anónimo11:10 p.m.

    Olá Teresa!
    Conheço-te pelo blog há alguns anos! Sou teu visitante há muito. Um admirador que adora vasculhar essa tua alma de tecelã... O texto que hoje escreveste é o retrato fidelíssimo do que sinto neste início de ano em andamos atafulhados num monte de coisa nenhuma! Citei este teu texto na íntegra no meu blog!
    Um abraço
    António

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  3. Creio, contudo, que te habita a sabedoria dos gatos.

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  4. Vale-nos a poesia Luís, a nossa solidariedade, António e... a nossa sabedoria (que roubamos realmente aos gatos), JMA... :)

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  5. Belíssimo texto, miga, como aliás é tudo que escreves, não só porque te sai da alma mas porque sabes escrevê-los.

    Vai ao meu blog. Tens lá uma coisa para ti.

    Beijinho

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  6. Obrigada Teresa... já fui... mimas-me tanto! Mil beijinhos

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  7. Agora, aos 46 ainda continuas a querer respirar, isso é que faz de ti a pessoa que és! Bom ano!
    ~CC~

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  8. POis... :)
    Obrigada!
    Bom ano para ti também
    e Beijinhos

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