3 - SALADA DE FRUTAS
Num dia quente de Verão, não há lanche mais apetitoso que uma boa salada de frutas.
As três amiguinhas, Paula, Filipa e Joana, foram à mercearia e compraram: 1 kg de bananas, 1 kg de morangos, 1 kg de laranjas e 1 kg de pêras.
A salada ficou uma delícia!
Será que os 2,5 €, que o pai da Paula lhe deu para comprar a fruta, chegaram para pagar a despesa?

Lido o enunciado... recontada a história, vai de responder às perguntas...
que não interessava saber que estava calor e tal... que não, que os dados não estavam no enunciado, estavam na figura... que sabíamos tudo menos o preço dos morangos, porque a placa tinha caído... que sim, que podíamos levantar a placa (informei que 1 kg de morangos custava 1 euro)... ai que isto assim fica caro! Não deve dar (estimar, pois) E lá vamos pensando... mentalmente calculando... que não, que não dá... que o dinheiro não chega...
De repente o perspicaz F, que com o entusiasmo até se levantou de ficha na mão, serve-se do dedo para apontar a descoberta na ficha: mas aqui diz que ficou uma delícia! Oh professora, assim a resposta tinha sempre de ser sim, porque quer dizer que elas fizeram a salada! Pois, F., mas a pergunta não era se elas tinham feito a salada, era se o dinheiro chegava... e... meninos, já sabemos que dois euros e meio não chegavam, mas acham que elas desistiram de fazer a salada de frutas só porque o dinheiro não era suficiente? Voltaram para casa de mãos a abanar? Era isso que vocês fariam?
Não, não!
Então vamos lá inventar um final feliz e saboroso. O que pode ter acontecido? Muitos dedos no ar e aqui vamos nós:
- descobriram dinheiro na rua!
- telefonaram ao pai a pedir mais dinheiro e ele veio à loja!
- uma das meninas descobriu umas moedas no bolso!
- resolveram levar menos quantidade de cada fruta!
- o senhor já as conhecia achou-lhes graça, teve pena e fez um desconto!
- o senhor ofereceu-lhes os morangos!
- não levaram uma das frutas!
- elas negociaram os preços com o senhor e ele baixou-os!
- elas disseram que depois voltavam para pagar o que faltava!
...
Ligarmo-nos afectivamente à matemática, aos problemas, pensar, usar a criatividade, não formatar as mentes para a coisa pouca, a coisa sem nexo, a apatia, a pobreza intelectual, a uniformização. Gradualmente aumentar a exigência, não prescindir dela, praticar uma matemática com sentido, com sentidos, manter o entusiasmo pela vida, pelo trabalho, pelo ser-se inteiro dentro e fora da aula. Também a prática de procedimentos, a instituição do dever de cumprir, de estudar. Tudo junto é muito mais. E o programa, sempre o programa, desfolhado frequentemente sem o cuidado necessário (a tutela vai dando uma boa ajuda, pois é isso que provoca com as suas medidas... limitando o tempo necessário à preparação de boas actividades e materiais, impondo a ditadura da contabilização, confundindo isso com prestação de contas, degradando as condições para o necessário estudo e aprofundamento do trabalho).
Não podemos esquecer aquela que é a mais nobre missão da educação e da matemática: aplicar em contexto, compreender, resolver problemas... e é preciso tempo para estudar e para o fazer com qualidade, não me canso de insistir.
Dar a matéria a correr garante que ela seja recebida? Duvido.
Há algum segredo? Não.
Há crença neles, nas capacidades deles, na inteligência deles, há respeito por eles, que é a maior e a melhor forma de os amar como se fossem nossos... Há o acreditar que temos de ajudar a construir uma geração bem mais preparada, resistente, criativa e forte do que a nossa (que se deixa engolir tão facilmente, sem questionar, sem reclamar...).
Mais não sei...
É engraçado...
ResponderEliminarHoje, quando conversava com os meus alunos sobre os resultados do 1º período, e perguntei à doce Margarida o que devia fazer para melhorar o seu trabalho, ela responde: "Professora, eu tenho dúvidas na competência da resolução de problemas. Como é que eu posso estudar isso?". Bem expliquei-lhe de forma sucinta, mas mais para a frente, um e outro foram referindo o mesmo problema. A verdade é que andei todo o dia com o assunto na cabeça.
E agora, como que para relaxar, cheguei aqui...
:)... pois...
ResponderEliminarO sentido... pois está sempre no sentido que lhes damos... :)
ResponderEliminarNo sentido que os alunos dão aos problemas, no sentido que nós damos aos problemas, no sentido que damos aos alunos, no sentido que eles nos dão, no sentido que damos à profissão, no sentido que eles dão à profissão...
Esse sentido que se educa, que se cultiva e que cresce... com trabalho e vontade.
:)
Beijinhos.
Feliz 2008. :)
Beijinhos e um Ano de 2008 cheio de sentido(s)!
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