sexta-feira, maio 08, 2009

Scratch day em Lisboa (abrir o apetite...)

Pormenores a caminho...

Scratch day... mais próximo

Notícias por aí...
... as nossas quase quase a chegar!

Washington Post
PC World
Scratch Day 2009 - Computer Programming for Kids
Phil Shapiro
May 7, 2009 12:10 pm


quinta-feira, maio 07, 2009

Entrecruzar fios...

Embora a Internet tenha fugido de novo da sala e seja preciso a intervenção de um técnico - este grupo de quinta-feira do Clube tem tido pouca sorte e estará três semanas sem publicar - aconteceram outra vez coisas daquelas que transformam a espécie de escola em Verdadeira Escola...

Descobri na sessão do Clube de hoje que a Ali (5º ano) levou muito a sério o meu desafio da última sessão, em resposta ao seu desejo. Pois... a Ali queria fazer o Bolt (cão) correr num projecto Scratch... Penso que ela acreditava existir um botão mágico que produzisse instantaneamente o efeito desejado. Já de corrida no final expliquei que tinha de desenhar o Bolt em pelo menos três posições... imaginámos um cão a correr e eu falei da posição das patas... ela, atenta, falou-me do movimento das orelhas e da cauda, que também teria de ser levado em conta.
Hoje surpreendeu-nos assim...



As sementes de Scratch vão-se espalhando. Na semana passada percebi que alunos do 5º ano (não são meus alunos) que frequentam o Clube à quinta (em número que tem aumentado, apesar dos desalentos e falhas do equipamento) tinham estado a trabalhar com o Scratch em Estudo Acompanhado com a sua professora de Matemática (uma colega que admiro por também tentar aprender e aplicar com os alunos as ferramentas tecnológicas que vai descobrindo). Eu já havia falado com a DT e com ela sobre a importância de prolongar o trabalho do Clube no contexto do Projecto Curricular da Turma e chegou o momento. Antigamente eu e ela tínhamos o hábito de nos sentar para partilhar ideias... apresentei-a aos blogues e ao googlepages (tem desenvolvido trabalho para as suas turmas)... esse tempo agora deixou de existir e cuzamo-nos pelos corredores em corridas, falando pelos cantos quando possível. Pouco. Muito pouco.
Ontem disse-me que a aula foi um sucesso. Quando ela percebeu que tinha 18 meninos que dominavam o Scratch, colocou-os a ajudar os restantes. Agora eles passam a sentir que os fios se estendem das aulas até ao Clube e vice-versa. Exactamente o que eu sonhava que pudesse acontecer.
Ficou um registo doce do momento, feito pela professora, e divulgado no blogue da turma:
http://praticamatematica.blogspot.com/




Parabéns, Professora e Alunos! As sementinhas estão a caminho de flor!


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Aconteceu outra partilha hoje, desta feita um trabalho extraordinário desenvolvido por turmas de 3º Ciclo (orientadas por excelentes e empenhados professores de Ciências) e que está a ser apresentado a toda a escola pelos alunos. A nós couberam-nos duas alunas do 7º ano, mas guardo para depois o registo do momento e o "slideshow" apresentado (são vários, que estão a ser compilados para partilha) que me irá ser enviado pela professora Andreia. Estou a falar do Projecto ENA (Energia e Ambiente da Arrábida)


[av.JPG]


Assim dá gosto...

quarta-feira, maio 06, 2009

Ajudar a Marta...

Coisas boas, acreditam?

Eu tenho de ir falando das coisas boas, para tecer encantos dos desencantos e alumiar os escuros.
É que quando entristecemos mais do que a conta, o nosso sistema imunitário enfraquece e podemos ser atacados mais facilmente por todos os vírus que se espalham no ar... e olhem que o H1N1 é o que menos me preocupa... o grau de virulência de outros é bem maior e provoca bem mais estragos à nação.
Assim, aprendi a retemperar as forças para a luta banhando-me nas coisas boas que apesar de tudo ainda há, encontrando nelas a energia para dizer os nãos que ainda precisarão de ser ditos e a força para combater os monstros e as sombras.

Na aula de Ciências prosseguem os trabalhos de grupo sobre temas muito ligados ao exercício da cidadania (micróbios, higiene, problemas sociais, poluição...) e o entusiasmo tem sido grande. Aproveitei hoje o tempo para chamar dois alunos da turminha que herdei apenas este ano (que caminho temos feito!) e que criaram blogues individuais. Quando o cérebro deseja, há janelas de oportunidade que se abrem... aí o professor tem de estar presente e ajudar, porque a aprendizagem é potenciada e podem operar-se mudanças importantes.
Um dos alunos, sendo excelente em geral, revela um défice grande na expressão escrita que urge corrigir... Analisámos alguns textos do seu blogue e ele próprio tomou consciência de algumas das falhas, tendo-o eu ajudado a descobrir outras. Ao mesmo tempo, a outra aluna argumentava que o corrector resolvia todos os problemas e erros e provei-lhe que não: as palavras podem estar bem escritas e no conjunto da frase não fazerem qualquer sentido. Isso acontecia em alguns dos textos de ambos. Foi um bocadinho íntimo e sossegado a três, muito proveitoso, enquanto a restante turma avançava nos trabalhos... Descobri também que uma das minhas alunas estrangeiras quer criar um blogue... e animei-a a que fizesse um bilingue: português e moldavo... pelas óbvias razões. Está entusiasmada e em AP, amanhã, trataremos de a ajudar a iniciar a aventura...
Quando eles querem e precisam, tenho de conseguir estar perto. Pode fazer toda a diferença. Cada vez mais sinto que tenho feito todas as escolhas certas para ser mais feliz junto deles, que é onde gosto de estar.

Ontem finalmente conseguimos ter os poucos computadores portáteis todos operacionais no Clube Scatch time. Alegria dos miúdos. Alegria minha. Entusiasmo no trabalho. Do pouco que temos nascem asas quando a vontade é muita e a persistência não nos deixa parar junto aos muros. Assim se caminha com os olhos postos longe, porque mais é possível e não baixaremos os braços até o conseguir...

A organização do Scratch day em Lisboa avança, apesar de termos pouco tempo, porque um grupo de gente entusiasta e amiga alinhou no devaneio e vai, com o contributo de todos, conseguir pôr de pé um dia bonito... Os elementos desse grupo são professores, claro... Básico, Universidade, ESE... e um Avô (Fred) muito dinâmico que nos acompanha há já muito! Todos cheios de afazeres... os carolas do costume... procurando dar ainda mais, chegar ainda mais longe. Um orgulho conhecer (e trabalhar com) gente assim. Algumas pessoas descobri-as através da Internet e tive ocasião de as conhecer depois. Uma delas já conheço há muito da Internet, mas será a primeira vez que nos cruzaremos, outras são pessoas amigas de longa data, parceiros de luta e aventura de há muitos anos. É justificado este meu fascínio pelas tecnologias: enriquecem-nos pela humana aproximação de pares com sonhos em comum.
Muito brevemente daremos notícias...

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A tese caminha como pode, já que em Maio há estas coisas para colocar de pé, uma ida a uma escolinha em Ribamar para falar de poesia e de livros, nomeação para aplicação e vigilância de provas de aferição, baile de finalistas. Sim. Outra alegria do dia. Os meus alunos do A-Team (Sala 16, lembram-se?), agora no 9º ano, elegeram-me como Madrinha (partilharei a honra com a sua Directora de Turma do 3ºC)... e 16 à noite vestir-me-ei de Cinderela e irei bailar com eles ajudando na colocação das faixas em cada um dos meninos que foram os meus meninos durante dois anos. Podem castigar-me à vontade por não ser titular, por não ter entregue objectivos individuais, que a alegria do meu peito ninguém arranca. O meu primeiro dever é com as crianças que acolho nos braços (a minha Mel hoje deu-me tantos abracinhos) e elas ganharam de mim todo o tempo possível do mundo quando subtraí da equação as burocracias sem sentido de um processo que não avalia ninguém pelo mérito da sua dedicação, como ficou provado várias vezes este ano e em anos anteriores...


As cerejas amadurecem lentamente na cerejeira. Este ano os melros não as estão a comer todas. Nem às amoras... Não que me importasse com o descarado roubo... Mas mereço a oportunidade de as saborear, já que me esforço por semear alimento para bocas alheias... :)
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Há dias bonitos. Ou então são os nossos olhos que, lavados por algumas lágrimas, conseguem ver as coisas boas que a vida nos oferece para compensar as outras tristes coisas...

terça-feira, maio 05, 2009

"Algum dia vamos encontrar o nosso verdadeiro eu?"

Por causa do texto que cito abaixo (o livro esteve novamente nas minhas mãos este fim-de-semana) apeteceu-me acabar a aula com o pedido de que fizessem perguntas sobre si próprios (aproxima-se o tempo da despedida, sei o muito que cresceram nestes dois anos e apetece-me conhecê-los ainda melhor...).

Para além de perguntas de natureza mais biológica, sobre o funcionamento do nosso corpo, fui surpreendida com duas perguntas de uma profundidade arrepiante. A primeira de uma menina e a segunda de um rapaz.

Oh professora... esta pergunta não é bem sobre mim...também é sobre as pessoas, mas é também sobre mim... Às vezes as pessoas têm atitudes que não percebem por que é que as tiveram... O que eu queria perguntar era: algum dia nós vamos encontrar-nos a nós próprios, o nosso verdadeiro eu?

Por exemplo, se o meu Avô morresse eu ficava triste e depois para a próxima vez que acontecesse uma coisa assim, será que eu não ficaria tão afectado e conseguia defender-me melhor? Será que a dor é uma coisa positiva?

Ainda ficámos a divagar um bocadinho nos últimos minutos da aula de Matemática... mas tocou... Maldita coisa fabril que impregna a escola e que nos empurra sempre para a frente, sem tempo para nos demorarmos no importante, na magia de certos momentos.
Às vezes apetecia parar o tempo... saborear as pessoas guardadas em cada criança. Ir ao fundo, perceber bem tudo o que se constrói dentro delas num silêncio a que quase nunca se dá voz.

Fiquei no intervalo com outra menina que me perguntava se os poetas escreviam o que escreviam porque tinham lá um sentimento dentro deles... E eu recitei-lhe Pessoa (O poeta é um fingidor...) e ela sorriu e falou-me dos Avós que escrevem poesia... ela também gosta de escrever poesia (Saio a eles, dizia orgulhosa, recitando-me de seguida um poema doce que o Avô lhe dedicou).

A escola é feita com gente.
Pormenor simples esquecido por quem decide que a escola é só uma coisa feita de outras coisas. Coisas sem a mínima importância ao olhos de quem não sabe os segredos que moram dentro de cada aluno, dentro de cada professor.
Um dia esta dor vai passar.
Quem sabe a dor pode mesmo ser uma coisa positiva...
Quem sabe, um dia, a escola vai conseguir encontrar-se a ela própria, descobrir o seu verdadeiro eu...

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(...) Some teachers are able to teach in ways that involve a variety of disciplines. However, their ability to do so requires more than a set of general teaching skills. Consider the case of Barb Johnson, who has been a sixth-grade teacher for 12 years at Monroe Middle School. By conventional standards Monroe is a good school. Standardized test scores are about average, class size is small, the building facilities are well maintained, the administrator is a strong instructional leader, and there is little faculty and staff turnover. However, every year parents sending their fifth-grade students from the local elementary schools to Monroe jockey to get their children assigned to Barb Johnson’s classes. What happens in her classroom that gives it the reputation of being the best of the best?
During the first week of school Barb Johnson asks her sixth graders two questions: “What questions do you have about yourself?” and “What questions do you have about the world?” The students begin enumerating their questions, “Can they be about silly, little things?” asks one student. “If they’re your questions that you really want answered, they’re neither silly nor little,” replies the teacher. After the students list their individual questions, Barb organizes the students into small groups where they share lists and search for questions they have in common. After much discussion each group comes up with a priority list of questions, rank-ordering the questions about themselves and those about the world.
Back together in a whole group session, Barb Johnson solicits the groups’ priorities and works toward consensus for the class’s combined lists of questions. These questions become the basis for guiding the curriculum in Barb’s class. One question, “Will I live to be 100 years old?” spawned educational investigations into genetics, family and oral history, actuarial science, statistics and probability, heart disease, cancer, and hypertension. The students had the opportunity to seek out information from family members, friends, experts in various fields, on-line computer services, and books, as well as from the teacher. She describes what they had to do as becoming part of a “learning community.” According to Barb Johnson, “We decide what are the most compelling intellectual issues, devise ways to investigate those issues and start off on a learning journey. Sometimes we fall short of our goal. Sometimes we reach our goal, but most times we exceed these goals—we learn more than we initially expected” (personal communication).
At the end of an investigation, Barb Johnson works with the students to help them see how their investigations relate to conventional subject-matter areas. They create a chart on which they tally experiences in language and literacy, mathematics, science, social studies and history, music, and art. Students often are surprised at how much and how varied their learning is. Says one student, “I just thought we were having fun. I didn’t realize we were learning, too!”
Barb Johnson’s teaching is extraordinary. It requires a wide range of disciplinary knowledge because she begins with students’ questions rather than with a fixed curriculum. Because of her extensive knowledge, she can map students’ questions onto important principles of relevant disciplines. It would not work to simply arm new teachers with general strategies that mirror how she teaches and encourage them to use this approach in their classrooms. Unless they have the relevant disciplinary knowledge, the teachers and the classes would quickly become lost. At the same time, disciplinary knowledge without knowledge about how students learn (i.e., principles consistent with developmental and learning psychology) and how to lead the processes of learning (i.e., pedagogical knowledge) would not yield the kind of learning seen in Barb Johnson’s classes (Anderson and Smith, 1987).

Aprender Scratch...


Excelentes recursos (inglês)



http://learnscratch.org/index.php

"Teaching open problem solving with Scratch"

Via Carlos Santos (Twitter)
cheguei aqui: