sábado, março 14, 2009
Dificuldades de aprendizagem - uma estratégia de combate
Ninguém ficou de fora e todos estão integrados em grupos de dois ou três.
Essa foi outra conquista, pois a turma nem sempre consegue "unir-se" e trabalhar em conjunto para o bem comum... Não são raros os momentos em que alguma intolerância ou marginalização tem tornado complicado o processo de aprendizagem. Quem está pouco habituado a ter "Mãe"... ontem feliz dizia que estava a gostar muito de ter sido adoptado... e que a "Mãe" lhe tinha pedido um TPC sobre a tabuada...
Ai os vazios... as lágrimas que já vimos correr quando alguns falam do apoio que têm da família e de repente outros acordam para aquele que não têm...
O que eu não esperava era que na sexta (dia seguinte) já existisse tanto material e trabalho feito... Aproveitei e fizemos balanço. "Filmei". Eles gostam... para depois poder ver e mostrar aos pais (que se interessam) as coisas bonitas que fazem.
Fui mimá-los ao blogue para lerem o que já escutaram na aula: estão de parabéns pelo empenho... (e espero que seja para continuar).
Num dia o B aprendeu com o V a fazer expressões numéricas... Até agora nunca as havia praticado e foi com o recente amigo que voltou a entusiasmar-se...
Estudo Acompanhado foi... exactamente isso: Estudo Acompanhado... dois a dois, três a três... desenvolvendo a autonomia dos gestos...
Circulámos sobretudo entre as situações que envolvem o não domínio da língua portuguesa por parte dos alunos estrangeiros e fomos ajudando os tutores a melhorarem as artes de apoiar os seus tutorandos.
26 alunos, é muito aluno, sobretudo quando praticamente metade apresenta dificuldades no percurso... As estratégias têm de ser pensadas globalmente e transformadas em gestos desmultiplicados que cheguem a todos mesmo quando (e sobretudo) o professor não está presente.
Sugeri que (os que têm) usassem o Messenger para partilha de documentos (fichas, exercícios, TPC, perguntas sobre os assuntos e outros). Nesta turma utilizam-no horas a fio para pouco mais do que conversa sem nexo e sem rumo.
Se acontecer alguma coisa interessante, partilho.
Filme e materiais? Deixei à guarda dos Geração Best...
Aqui:
Solidariedade e entreajuda: adopções (tutorias)
Teresinha - noite perfeita
Teresinha - Escada sem corrimão
Teresinha - A minha rua
Teresinha - Alfama
Teresinha - Se o fado não tem idade
Teresinha - Lisboa antiga...
Teresinha - Anda o sol na minha rua
sexta-feira, março 13, 2009
Perfect day... (not so much perfect future...)
A caminho da escola: duas andorinhas a beijar-se num fio alto entre dois postes de electricidade.
Na escola:
- Uma estratégia improvisada, pensada em minutos, aplicada e organizada ontem (hei-de partilhar com calma) para tentar a recuperação de mais de metade dos alunos da turminha mais complicada (resolução de problemas e também procedimentos matemáticos - notas a descer) incendiou positivamente a turma e hoje a animação e avanço do processo trouxeram esperança primaveril aos próximos tempos... Será? Tenho de ser optimista. Há ali "casos" em que só a escola poderá fazer a diferença... nada mais. E eu, embora (re)conheça a importância do "meio" nestas coisas, não descanso na desculpa, no lavar de mãos, no sacudir da água... e continuo a acreditar que até ao lavar dos cestos... é preciso reinventar formas de chegar ao topo da montanha... Foi um dia feliz de muito trabalho e muito entusiasmo depois do meu desalento com as últimas avaliações. Sei como estas coisas às vezes se desvanecem depois do fogo inicial, portanto, terei de dedicar tempo, carinho e sorrisos ao seu esforço para que não seja algo passageiro, para que persista e os efeitos sejam duradouros...
- A minha Teresinha Lopes (da Turbêturma... saudades!... ), agora no 7º ano, disse-me que hoje vai cantar no Mesa de Frades... e eu, que não tenho conseguido ir onde ela vai, hoje vou tentar não faltar a esse momento importante (ai o tempo sempre a fugir!)... Algures entre as 10:30/11 e a meia-noite será a voz dela (13 anos completados este Março) que ecoará naquela que é considerada a melhor casa de fados de Lisboa.
Não... o sorriso que me acompanhou durante o dia (e que também não é alheio à subida da temperatura e à diminuição do número de quilos de roupa sobre o corpo) não me faz esquecer nem por um minuto os cinzentos tempos que vivemos nem o facto de ser previsível o progressivo escurecimento num intervalo de tempo curto com consequências graves... não é difícil perceber quais. Se tudo for acontecendo como previsto, qualquer dia nem teremos sequer a chance de utilizar o nosso corpo para proteger os alunos dos perigosos governantes que tudo fazem para transformar a Educação numa coisa barata, superficial e cada vez menos exigente. Já não acredito que seja por acaso... Há uma intenção clara e vai ferir de morte o futuro.
Só que estes miúdos à minha frente, hoje, neste presente sem nome, não têm culpa. A muitos já lhes chega o acumular de abandonos vários e de várias formas (tenho sabido de histórias que magoam e comovem) na vida que é a sua. Se também eu os abandonar, se não guardar um sorriso suave, uma gargalhada e um colo quente para os dias frios, quem zelará por eles? Quem lhes dará a mão e os puxará para o lado exigente, rigoroso e seguro que lhes possa garantir dias de amanhã mais justos, mais possíveis?
Era suposto isto ser assim uma espécie de redacção sobre a Primavera: afinal, tudo começou com um beijinho de andorinhas... e acabou com 26 andorinhas empenhadas até às 18:30 de volta de exercícios vários. O mais difícil de todos? O da solidariedade, o da entreajuda, o da partilha. Alguns dos milagres que presenciei sem esperar, dia fora, deram-me o alento de mil Primaveras e a força para continuar a resistir... das formas possíveis.
(...)
Oh its such a perfect day,
I'm glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on.
(a pensar nos alunos)
quinta-feira, março 12, 2009
Surpresa...
45 minutos preciosos em que apenas me recostei e autorizei a surpresa cuidadosamente preparada por duas alunas.
Podemos apresentar, professora?
Claro!
Ai se fosse uma aula assistida!
Plano de aula?
Está aqui...
Mas...
Pois... temos pena, mas não é isso que vamos fazer...
Mas então?
Então... aí no impressozinho onde pergunta: cumpriu o plano?
Vou ter de escrever que não cumpriu...
Pois não. Não cumpri. Paciência! Tenho imensa sorte de ter alunos assim e azar por não cabermos nos vossos impressos...
É que isto da avaliação e da condecoração virou assim uma coisa tipo roleta quase russa. Ora, eu nunca fui muito dada ao jogo...
Como o dia foi longo e denso... deixei as sementes todas espalhadas nos recantos deles e aqui nem migalhas!
quarta-feira, março 11, 2009
Constructionism in Practice...

Constructionism in Practice grows out of 30 years of research on technologies for learning and thinking at MIT, and provides a rich and comprehensive description of constructionist educational theories. The book draws on real-world educational experiments conducted in formal and informal contexts: from inner-city schools and university labs to neighborhoods and after-school clubhouses. These experiments demonstrate how technology-based design activities can empower children from a wide range of backgrounds to become more confident and competent learners, and help them make deep connections with important mathematical and scientific ideas.
The book integrates ideas from the fields of learning, design, computer science, education, psychology, and epistemology, and presents a comprehensive theoretical framework for technologies in education. The book is divided into four interrelated sections: Perspectives in Constructionism, Learning through Design, Learning in Communities, and Learning about Systems. http://llk.media.mit.edu/papers/construct-practice.html
Whatever You Imagine *...
Tenho uma tendência crónica para bipolaridades.
Não... não oscilo entre depressão e euforia.
Prefiro as navegações cíclicas e diárias entre realidade e sonho. Faço-o em qualquer lugar, a qualquer hora. Pão para a boca. Alimento sem o qual não sei viver. Realidade em excesso entristece-me. Entristecida não reajo, não sei ser mais nem maior na luta para mudar... a realidade. As realidades. Também sofro do mal da dispersão e vou tentando impor-me limites. Mal amanhados limites, sim. E não ando adormecida, não. Vocês sabem ou não sabem mas também confesso que isso não interessa muito. Eu cá sei o que sinto, sei o que faço e não preciso de erguer frequentemente a minha entre tantas excelentes vozes para dizer do mal que me faz esta realidade desencantada, desrigorosa, desexigente, dolce fare niente a fingir de grandes obras.
Essa minha bipolaridade? O mais humano de mim. Levo-me como sou para todo o lado. Para as aulas também. Não é para servir melhor o que digo. Não é com intenção estratégica. Quem me conhece sabe. É por mim, porque não sei ser de outra forma. E dentro de uma aula se eu não for eu, serei quem?
Não combato a parte mais descolorida da realidade sem ter um sonho qualquer no bolso. Sem sonhos não sabemos pelo que lutar, tão pouco o que fazer.
Não tenho bem a certeza de que tudo o que imaginamos pode realmente acontecer. A verdade é que não me interessa muito. Podem acontecer coisas. Muitas coisas. Não precisam de ser todas as coisas para ser bom. Imaginar tem um bom sabor próprio que sobrevive sem concretizações.
Tenho, portanto, este vício incurável sem intenção de frequentar associação de imaginadores anónimos. Não tenho um problema. Sonhar é sempre uma solução.
Apenas uma escada que me viaja longe. Um ventinho na minha vela. Um sorriso para os dias mais desalentados. Um balão de ar quente em espera.
Eu também sonho com as mãos e procuro os gestos que dão forma aos desejos.
O maior poder. Aquele que realmente pode fazer acontecer melhor, mais justo e mais colorido mundo. E pelo meio, confesso, há momentos em que preciso de não me preocupar nem um bocadinho com o mundo para logo a seguir poder regressar a ele com carinho e dedicação. Até com saudade do seu jeitinho real de ser. Não, não é um anúncio a leite do tipo se eu não gostar de mim... É assim mesmo a constatação de que é no egoísmo profundo do que imagino apenas para mim, e me dá prazer imaginar só porque sim, que nasce o sonho altruísta que sustenta os gestos para acabar com as bruxas à face da terra, para fazer desaparecer todos os bandidos, para transformar abóboras em belas carruagens colectivas baratas e acessíveis que levam todos a belos destinos, para encantar príncipes e princesas pequeninos com números e palavras, dar colo a quem precisa e ainda escrever um poema, uma canção, ou uma história que faça falta a alguém.
Se, às vezes, pelo caminho útil do fazer, fugir só por prazer num sonho branco, vestir um vestido de baile (doce futilidade, sonho ainda por concretizar) e for até à Lua dançar, respirar, sei que serei desculpada logo que regresse e assente os pés na terra (e no mar), jeans e sapatilhas, mão na massa da vida.
Até já...
(ao virar da meia noite?)
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*Música da banda sonora de Pagemaster (1994)...
terça-feira, março 10, 2009
A Matemática... esse(s) problema(s)
Parece que estamos sempre a bater no mesmo e afinal... é preciso regressar a toda a hora às mesmas coisas.
Se é fácil escolher o caminho menos percorrido? Insistir na actividade de resolução de problemas a par com os necessários procedimentos que os suportam? E tudo com duas sessões semanais de menos do que 90 minutos cada uma em competição permanente com todas as solicitações que sugam os nossos jovens?
Não, não é mesmo nada fácil.
Chega a ser frustrante e desesperante. É um caminho muito penoso. Dá muito trabalho ao professor e nem sempre ajuda à sua auto-estima com tantas dificuldades com que se vai cruzando.
É mais fácil caminhar por entre os procedimentos... eles decoram... mecanizam e vai de ter Bons e Muito Bons se os testes se suportarem apenas, por exemplo, na resolução de expressões numéricas. Eu sei. Sabe bem. O ego fica contentinho. Já recuperei a muito custo uns quantos este ano para esse lado mais simples da Matemática. Mas não é disso apenas que a matemática é feita. Aliás, isso apenas suporta a sua função maior. Se o ego ficar contentinho com tão pouco, não estamos a cumprir a nossa missão nesta disciplina.
Mas, ao mesmo tempo que me chega o desespero em dias como os das últimas semanas, em que ando de volta dos problemas sem os largar e surgem negativas na sequência de Muito Bons, também, aos poucos, se vão verificando alguns progressos.
Não baixo os braços.
É mais difícil assim, bem sei. Mas respeito demais os alunos para lhes exigir menos, colaborando na falsa sensação de que tudo corre bem e que somos todos magníficos a resolver expressões, mas incapazes de ler um enunciado ou aplicar o que temos aprendido recentemente. Se consigo com todos? Não. Mas não me canso de tentar.
Uma coisa é certa.
Não formato cabecinhas (já o disse muitas vezes). Procuro que aos poucos encontrem a compreensão que os levará progressivamente a soluções com maior economia/elegância matemática nos gestos. Continuo a comprovar que estou no caminho certo quando vejo o mesmo problema resolvido pelos alunos de muitas formas diferentes, privilegiando o cálculo ao desenho e até ensaiando, por vezes (como vou sugerindo), a escrita de uma expressão numérica única que traduza a solução.
Mas precisava de tempo de qualidade com menos alunos à frente e mais individualização dos processos de apoio. Não duvido que conseguiria ir bem mais longe. A minha turma de quase trinta alunos está a fazer um percurso complicado... ao qual se acrescentam várias crianças estrangeiras que dominam precariamente o português e algumas portuguesas com domínio também precário da língua e de... outras coisas...
Claro que a solução de sucesso no meu país foi o aumento do número de alunos nas turmas sem terem sequer o direito a redução quando há crianças especiais nelas. E subtrair tempo aos professores para poderem fazer o que realmente deviam andar a fazer.
Aplausos. Muitos aplausos pelas iniciativas que revelam um total desconhecimento do que são os jovens e as escolas no século XXI. Há diferenças... já deram por isso?
Ter um aluno este ano que veio de outra escola, repetindo o 6º com negativa a Matemática, a oferecer-me uma das soluções mais simples e elegantes da turma, no teste de hoje, tem de ser motivo de alegria. Ele, este ano e nesta nova escola, decidiu estar atento e estudar (o maior contributo para o sucesso foi seu, não meu) e deu comigo por acaso: alguém que não os limita aos mínimos para fingir que somos todos o máximo...
Não somos o máximo. Temos de nos esforçar todos os dias: eu e eles.
Para além de alguns progressos, também tenho muitas tarefas complicadas pela frente. Alunos "muito bons" em procedimentos e memória que a uma pergunta do tipo: quantos dias demoram para gastar os 5 litros de leite... respondem... 3,35 litros... Outros excelentes que... reduzem litros a... gramas(?) e até a mm(!)
Não podemos estar a toda a hora a rever todos os conteúdos que ficam para trás... mas habituei-me a trazer para a mesa uma imensidade de coisas ao mesmo tempo, pois é cada vez mais nítida a sensação de que tudo o que não é puxado continuamente para o presente é rapidamente desaprendido e enterrado por milhares de outras coisas que povoam as suas vidas com mais intensidade. As tecnologias e os jogos no centro. A TV também.
É um combate duro de travar nos tempos de hoje.
Não os deixo parar para respirar.
Não me deixo parar a mim para respirar.
Meninos! Mãos à obra! Ainda há muito caminho para ser feito!
A ver se na quinta já levo os testes todos vistos para avançarmos com o esclarecimento de dúvidas e correcções.
(A tese? A tese é nos intervalos deles... nunca eles nos intervalos da tese. O bem público acima do privado... como a política devia ser... pois...)
Para os interessados, deixo aqui alguns dos exemplos de respostas dos alunos, montados sem preciosismos numa apresentação em powerpoint. Porque na partilha se aprende/aprendia muito e porque a escola deixou de ser tempo/ter tempo para a troca de experiências e reflexão).
